Rui Alexandre Cascão de Campos Oliveira: Idiossincrasia Sou clave de fá enquanto...

Idiossincrasia

Sou clave de fá enquanto de mim houver,
Vageador do mundo à faça-sola.
Sou concupiscente, venerável imundo
Que só faz mesmo o que lhe dá na tola.

No abismo vislumbrei tenebrosas falsidades
Ao arrancar das minhas veias tamanhas inverdades.
À espreita de mim haviam teias de grandes habilidades
Mas preferi menosprezar da vida essas vontades.

Continuei notável vagabundo trilhado pelo Ser,
Compelido pela ânsia e pela firmeza do meu entristecer,
No encalço, pé descalço, daquilo que não havia de me enriquecer,
Obsequente da exactidão pensando que a minha mente iria prevalecer.

Mas não dei tréguas à incúria de andar a me moer,
Sabia andar no asfalto, de salto em salto, sempre a percorrer.
A embuçar do alto, a minha silhueta que eu tanto tentei esconder.
Atido ao caminho, de não querer ser sozinho, verti para o tender.

Quando se irrompe a avença de haver serenidade
Também se rasga o manto da nossa realidade.
Surgem dragões do nada, sucumbe a percepção e afunila precisão,
Acrescenta-se quesito à triste conclusão que é ter habilidade.

Sente-se tremer o chão, outorga-se à razão a nossa aptidão.
Questionam-se os valores, voltados prá tradição do que é inquestionável,
Suplanta-se a duvida do Ser inexorável.
Caótico presente, que é de bater o dente e ser inabalável.

E... de repente... tudo muda!

A nossa percepção da realidade é uma dicotomia entre ter exactamente a certeza do que se passa nas nossas vidas e vaguearmos na ilusão daquilo que não percebemos de imediato. É a paz aparente que se suplanta à caótica instabilidade que nos espreita constantemente nos abismos da existência. Entre a paz e a guerra, a saúde e a doença, a vida e a morte, o 0 e o 1, entre todos os sistemas que funcionam contra a pequena falha que os faz colapsar. É o que está entre ser fiel e a infidelidade. Quem nunca sentir a sua existência tiritar?

Inserida por ruialexoli