AQUELA PEDRA A pedra do caminho, já foi... Antonio Montes

AQUELA PEDRA

A pedra do caminho,
já foi topada, colossal, filosofal...
Foi tabua das leis proibitiva de Moises
Escultura de Rodin
diamantes dos seletos anéis.
Foi crack pelo mundo inteiro
nas mãos dos desgarrados...
Tarraxas de pandeiro
em noite dos mal amados!
A pedra do caminho...
Nunca esteve no fim!
Foi diamantes dentro dos vidros
foi vidros, e quedar-se nas audições
dos fuxicos...
Foi dor e, infortúnio sob rins,
cachoeiras em quedas de rios,
asneira jogadas em mim.
Pelas mãos do menino... Foi jogada
sobre lagoa, para pular, e assim chapear
pela flor d'água, como piaba saltitante!
Nas mãos dos homens...
Foi muros muralhas,
torres de castelos, e cais da beira mar.
A pedra do caminho...
Já foi totens sobre a ilha dos Rapanui...
Paginas em muros de cavernas,
iceberg sob oceanos,
plano do crânio ingênuo
brincos nas orelhas dos esnobe
marcos no meridiano.
E sonhos de muitos ciganos!
foi bancos pelas praças do mundo
angolas como roupas do cavalo zaino.
A pedra no caminho...
Foi alerta do poeta
para mentes de ray ban escuro
foi o muro do roqueiro
para o mundo cheio de furo.

Antonio Montes