Beatriz Soares Bezerra: Eu sempre fui a garota chatinha da rua,...

Eu sempre fui a garota chatinha da rua, a não me toque. A que chorava por tudo. Eu nunca tive nada bonita que não fosse o meu sorriso, ou os bonecos que minha mãe me dava pra me mimar. Filha única, sozinha, criada com pessoas mais velhas. Eu tinha que ter algum atributo pra ter amigos... dos 3 aos 11 foram as bonecas importadas , as panelinhas. Dos 12 aos 14 foram roupas, brincos, sapatos. "Amiga me empresta","amiga posso usar ?!" "vamos sair com ela, ela tem dinheiro e é gente boa". E eu sempre emprestava, dava, pagava ... porque a gente dá a vida pra ter um “amigo”. É triste ser ‘sozinha’. Ai eu cresci , e dos 15 ao 17 elas quiseram aquilo que eu conseguia conquistar sem precisar de pagar, emprestar ou dar (por um bom tempo foi sem dar mesmo). Homens. O meu primeiro namorado hoje é o namorado da minha ex melhor amiga. O segundo, o terceiro, o quarto, também virou ex dela... Eu sempre achei legal o fato de saber dividir as coisas, de não ser egoísta. Mas homem, queridos, homens a gente não divide. Não digo que devemos acabar uma amizade por causa de um namorinho de adolescência. Mas se sua melhor amiga, confidente, e bláblá se apaixona por todos os seus namorados. Ela é um problema na sua vida. A única coisa que me restou da minha fase infância/adolescência foram meus ex namorados bonzinhos que sempre quando me encontram me abraçam e me diz “como eu errei de ter te trocado pela aquela outra” e isso pra mim vale mais do que qualquer amigo de infância interesseiro ou amiga olho gordo. Sensação boa de saber que mesmo ela se esforçando muito não chegou aos meus pés.

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