Fragmentos
A cada manhã nasce uma esperança.
Cada movimento conta fragmentos de uma história que pode enraizar ou não.
Quem pode saber? Claro, ninguém.
Basta querer, acreditar e fazer acontecer.
Fragmentos de Vida
Sou um fragmento de algo maior,
partícula breve, essência e vigor.
Carrego no peito as marcas do chão,
os passos errantes que moldam a mão.
O rio murmura lições em seu curso,
a vida flui, sem pausa ou recurso.
Ora é brilho que ofusca a visão,
ora é sombra que abraça o coração.
Mas sigo em frente, por trilhas de areia,
onde o vento apaga e o tempo semeia.
Pois ser é mistério, um pacto profundo,
um breve instante no ventre do mundo.
No intrincado caleidoscópio do coração, rearranjo os fragmentos de um eu anterior, entrelaçando as cores da vivência passada com os matizes vibrantes de uma jornada futura, onde a aprendizagem se torna a bússola que guia minhas escolhas em direção a um amor mais maduro e genuíno.
Fragmentos são pequenas parte de um todo
Que nunca contam a real história
E como em um garimpo de ouro
No imenso labirinto da memória
Com riqueza espalhada pelos cantos
Assim como em um grande jogo de xadres
Fragmentos de sorriso e pranto
Contam a história real mais uma vez
Leituras.
Você não me ouve, apenas me lê.
Nas tortas linhas deposito meus fragmentos,
pedaços da vida vivida, sentida.
As outras, as não vivenciadas carrego comigo,
docemente armazenadas em pedaços de Amor.
Frag-men-to.
fragmentos de uma memória sem nome
dedico a todas as memórias sem nome
histórias acumuladas e algumas entrelaçadas
momentos de alegria, tristeza e raiva
dedico a todas as memórias já abandonadas
que para alguém ainda perpassa
com aquele calorzinho ao recordá-las
mantendo vivo o que muito não se fala
dedico a todas as pessoas passadas
por nossas vidas que de alguma forma
mudaram nossa rota, nosso estilo, nossa nota
melhoraram ou pioraram o que vai e volta
dedico a todas as cartas sem rota
escritas em madrugadas de insônia
ou prosa… algumas com profunda paixão
aquela chama que fazia juras e serenatas, algumas no colchão…
dedico a todas as namoradas… e às amigas também
a saudade que bate no peito e diz: que saudade, meu bem
aquelas conversas de quintal, aquele cantor nada afinado
cantando com um enorme astral, quase arrebentando as cordas… do varal
dedico a todos esses fragmentos, belos e medonhos
contos de uma época de muitos outros contos
alguns até bonitos, mas outros… ah, nem te conto
desejo a você que valorize até esses desencontros
perdidos em verso, perdidos em pontos
mas vivos em algum fragmento
com alguém ou algum encontro
Eu segui.
Entre fragmentos de promessas partidas,
carregando nas costas
um eco que ainda respondia à tua voz.
Não há volta para quem atravessa entre mundos partidos.
Entre pedaços do que nunca soubemos ser,
eu ainda carrego tua ausência —
não nos braços,
mas na própria travessia.
Eu não era mais inteiro.
Nem queria ser.
Há um lugar onde o tempo se fragmenta.
As margens do que fomos se despedaçam,
e, ainda assim,
remar parece inevitável.
Fragmentos da Alma: Uma Busca Interior
As ausências gritavam em mim como espaços vazios em uma velha casa. Eram partes de quem eu fora, talvez de quem eu poderia ter sido, agora dispersas pela jornada. Algumas, lembranças esmaecidas de um caminho incerto, perdidas em desvios e encruzilhadas. Outras, cuidadosamente depositadas em uma gaveta esquecida – um relicário empoeirado no recôndito do quarto, onde o tempo parecia ter parado, carregando o peso de versões abandonadas.
Ah, essas múltiplas faces que o espelho refletia, nenhuma delas inteiramente familiar. Eram máscaras provisórias, moldadas por expectativas alheias e tentativas vãs de me encaixar em contornos que jamais foram meus. Qual delas, eu me perguntava, era a verdadeira? E, mesmo que a encontrasse, como poderia vesti-la sem sentir o tecido estranho, as costuras apertadas em minha própria pele?
Foram inúmeras as investidas, os contornos forçados contra moldes alheios, na busca por um encaixe ilusório. Em que me tentava enquadrar, afinal? A própria forma se esvaía, tornando-se uma sombra indecifrável na neblina da minha confusão.
Naquele labirinto de identidades provisórias, eu me perdi de mim. A busca pela essência, pelo núcleo indivisível que me definia, esmoreceu como uma chama vacilante. O sorriso, antes espontâneo como o desabrochar de uma flor, tornou-se um exercício consciente. E mesmo quando meus lábios se curvavam, pairava a dúvida cruel: era alegria genuína ou apenas uma pálida imitação, uma resposta condicionada ao espelho do mundo?
A jornada de reencontro era árdua, um caminhar hesitante por um terreno desconhecido. Alguns dias, os passos eram lentos e arrastados, como se o próprio tempo conspirasse contra a urgência da descoberta. Em outros, a esperança acendia um farol distante, impulsionando-me por sendas mais longas, mas promissoras.
Mas eu pressentia, no murmúrio silencioso da alma, que o encontro era inevitável. E quando, finalmente, reconhecesse meu próprio reflexo, límpido e despojado de artifícios, ah... naquele instante, eu ergueria uma muralha intransponível contra qualquer sombra que ousasse me desviar da luz reencontrada. Jamais permitiria que os fantasmas do passado me arrastassem de volta ao labirinto. A liberdade de ser, em sua plenitude, seria meu tesouro mais precioso, guardado a sete chaves no santuário do meu ser.
“A esquizofrenia não define ninguém. O preconceito, sim.”
Nina Lee Magalhães, em “Fragmentos da Realidade”
“Quando damos voz a quem vive com vozes, criamos dignidade.”
Nina Lee Magalhães, em “Fragmentos da Realidade”
“Ninguém é só o seu diagnóstico. Fragmentos também constroem realidades inteiras.”
Nina Lee Magalhães, autora de “Fragmentos da Realidade”
"Entre Céus e Silêncios"
Nos olhos, carrego constelações —
fragmentos de luz que resistem à noite.
No peito, um mar que não dorme,
feito de marés de lembranças e promessas doces.
Sou brisa que dança entre guerras caladas,
sou o chão onde a fé lança sementes,
sou silêncio que canta nas madrugadas
o cântico oculto das almas pacientes.
Caminho entre sombras que abraçam o dia,
com os sonhos acesos na palma da mão.
Meus passos tecem trilhas na alquimia
de quem transforma dor em criação.
Abraço o vento, cúmplice dos meus segredos,
sou verso em exílio, buscando abrigo.
Sou lágrima que não teme os medos,
sou verbo que floresce no abrigo do abrigo.
E, quando me desfaço em cacos de flor,
é só o rito sagrado da reinvenção:
a alma que conhece o peso da dor
é a mesma que borda a própria redenção.
Fragmentos para um amor morto
Teu nome
ainda arranha
meu sono.
No prato vazio,
mastigo tua ausência
como pão duro.
Minha boca chama —
mas só responde
o silêncio.
Um lençol,
um cheiro,
uma falta.
Teu corpo foi,
mas tua sombra
não desaprende.
Grito teu nome
e ele volta
sem carne.
A noite me veste
com tua ausência:
lã fria,
sangue lento.
Fragmentos de Mim
Sou feito de começos não terminados,
de livros que não escrevi,
de cartas que queimei antes de enviar.
Carrego todos os nomes que não usei
e todas as vidas que não vivi.
E ainda assim, me dizem:
"Seja você mesmo!"
Mas qual dos eus?
"Eu caçador de mim".
Todos os fragmentos dentro do percurso de vida, caracteriza em construir determinadas obstruções na formação do eu, a perfomance do auto intransigente torna se a cada um, a cada eu, um eu caçador de mim, nem é bem auto culpa, mas trata se de barreiras, uma construção de paredes, onde o impedimento das percepções corriqueiros de muitos ciclos ao redor de nós, sanar essa medida, precisa se flertar de coragem, coragem a permitir o coração expressar entender, caminhar de forma maleável a receber informações, sim, estas capazes de fortalecer o entendimento, desenvolver mecanismos resistentes e confiantes para seguir, dado que as obstruções traz dificuldades, assim, alimentando a fé, determinismo na perseverança, que, ainda, mesmo com lágrimas saltitando a cada noite, a esperança é meditada na certeza que o amanhã pode ser penetrante de risos vigorosos como raios de sol.
Giovane Silva Santos.
07/09/2022 12:13hs.
Deus abençoe a todos.
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