Formigas
É só um
Quando pensar que é só um
Veja as formigas se ajuntarem
Elas carregam pedaços,
De um cadáver de outro inseto
Para só então no formigueiro,
Distribuírem e se alimentarem.
Quando pensar que for só um
Repare uma casa sendo edificada
São necessárias muitas pessoas
Para ela ser então finalizada.
Quando pensar que é só um
Respire e reflita um momento,
O conjunto de órgãos trabalhando
Dentro de ti a todo instante
Onde juntos permitem a você
Desfrutar deste pensamento.
Quando pensar que for só um
Perceba que exatamente esta unicidade
É um imenso conjunto agrupado
Para amenizar o desafio,
De entender o todo desta realidade.
Dali
voar, e no fim ser devorado por um passáro
depois do banho de formigas
o voo de abandono a gangue
a pena negra nunca esquecida
e o canto que restou por todos os danos
não é para efeito de tempo
os relógios derretendo
e as caravanas longilíneas nos desertos
não querem devorar um religioso
está apenas fragmentando os prisioneiros
os tornando livres em seus sopros
em teu nascimento a face oculta celebrou
e um pouco de cada pedaço teu guardou em gavetas
codificou em estigmas as respostas dos segredos
e no sofrimento fez a chave
no amor nada
no prazer o caminho
na dor o intento
na solidão a compreensão
no desejo a vontade
da indústria do circo
a plebe tem saudade
do veneno do vício
do vício de lealdade
da causa que dá sentido
por não ter escolha
ignorantes da unidade
onde tudo se fragmentou
quem dele se decidiu ser cada parte
de uma mão que toca o violino
seu corpo está longe
na beira de praia
esse corpo em descarte
de tua torre enviou um navio até a minha
para encontrar algo sem sentido que te retorna
te inflama e me traz de volta tuas cinzas
no regresso queima a minha
leva as cinzas e no mar naufraga
para sempre no fundo
onde tudo ressoa.
Para o reino das formigas, eu sou a grandeza;
Para a via láctea, eu sou a insignificância.
Lembre-se: tudo depende do ponto de vista.
Tempestade
Formam-se nuvens escuras no céu.
Coelhos entram em suas tocas,
formigas vão para os formigueiros
e pássaros se aconchegam em seus ninhos.
Mas os cachorros,
inquietos e espertos,
já sabiam.
Primeiro trovão.
O bebê chora,
a menina se enrola no cobertor e
o menino se protege dos monstros.
Os pais?
Correm para tirar a roupa do varal.
A chuva começa.
Carrinhos de comida saem da praça,
pessoas perdem seus guarda-chuvas,
tombos na calçada um atrás do outro.
"Não ia chover só amanhã?"
"Acho que a precisão do tempo errou."
(novamente).
Acaba a luz.
Alunos comemoram,
programadores reclamam
e alguns ficam indiferentes?
"Onde estão as velas?"
As nuvens ficam brancas,
os trovões se acalmam,
para de chover,
a luz volta
e um arco-íris surge no céu.
A tempestade já passou.
(Que bom, porque a vela acabou).
O diferente, para os intolerantes, é como o mel deixado às formigas: se houver um caminho para chegar até ele, esteja certo que o encontrarão.
As formigas carregam pesos acima de que possam suportar, no entanto, quando fúteis são abandonados pelo caminho, por entenderem a sua total inutilidade!#ToninhoCarlos
Admire o jardim,mas não esqueça que houve picada de formigas,espinhos espetando,mas uma vontade maior de florescer.
