Foi Deus que fez o Vento

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PRESENÇA


Não foi a noite que nos tornou inesquecíveis.
Foi a delicadeza de compreender que alguns
instantes não pedem eternidade, apenas presença.

⁠Nada nunca foi nada, até que o nada, seja reconhecido como tudo.

A pessoa joga perde,
joga perde, joga perde,
um dia ela joga e ganha...
Não foi sorte,
mas a persistência
e isso não é sobre jogo!

Foi sendo bom
que descobri —


que ser bom
nem sempre é bom.


Porque há bondades
que se doam até desaparecer,
que dizem “sim” enquanto sangram,
que se calam para manter a paz
e perdem a própria voz.


Aprendi que ser bom
não é se anular,
não é aceitar o peso
que não nos cabe.


Ser bom de verdade
é ter raiz e limite,
é oferecer a mão
sem entregar a alma inteira.


Foi sendo bom demais
que entendi:


bondade sem verdade
não floresce —
apenas dói.

O maior milagre não foi o cego passar a ver, foi alguém reconhecer que estava cego.

"Quando o tamanho da gratidão em servir for o mesmo da gratidão de quem foi servido, ambos acertaram o alvo."

Eu sou a peça do quebra-cabeça que caiu no chão e foi esquecida, um fragmento solitário de um todo que nunca serei. Minha voz é o eco que persiste depois que a música parou, a pergunta que ninguém faz porque a resposta não importa.
​Não há raiva em mim, apenas uma melancolia mansa e pesada. Eu sou a sobra da alegria dos outros, o silêncio que preenche o espaço vazio quando todos já foram embora e a luz já foi apagada. Eu sou o fim de algo que mal comecei a ser.

Se, como observa Werner Mitsch (1936–2009), “o homem foi capaz de inventar a bomba atómica, enquanto nenhum rato, em qualquer parte do mundo, jamais foi capaz de inventar a sua própria ratoeira”, então talvez a inteligência não deva ser medida apenas pela capacidade de criar, mas também pela capacidade de não criar aquilo que pode destruir o próprio criador.


Nesse sentido, pode-se dizer, paradoxalmente, que o rato é mais inteligente do que o homem: o homem inventa a ratoeira para capturar o rato; o rato, porém, nunca inventou uma armadilha para destruir a sua própria espécie. Ao contrário, o homem criou diversos instrumentos bélicos capazes de provocar destruição em larga escala e de ameaçar a própria humanidade.


Ou seja, o rato é mais inteligente do que o homem: não porque saiba inventar mais, mas porque nunca inventou aquilo que pudesse transformar-se na sua própria destruição. O homem demonstrou uma inteligência extraordinária para criar, mas nem sempre a mesma sabedoria para saber o que não deveria criar.


Talvez o verdadeiro limite da inteligência humana não esteja naquilo que o homem consegue inventar, mas naquilo que, tendo capacidade para inventar, decide não criar.


Furucuto, 2026

7.Estou trocando o "sempre foi assim" pelo "e se eu tentar?".

A natureza não escolheu você para ser humano; apenas foi assim que sua vida se organizou.

Muitos pensaram que eu era forte porque permaneci de pé. O que não viram foi quantas vezes me senti sem direção, quantas batalhas enfrentei por dentro e como foi Deus quem segurou os pedaços de mim quando eu já não conseguia me sustentar.

As boas maneiras são a melhor herança
(Clarice Lispector)


Educar já foi, um dia, muito mais do que ensinar fórmulas e conceitos. Era também tocar o invisível, cultivar a essência, despertar a alma. Era olhar para o ser humano e enxergar nele não apenas razão, mas dons, talentos e a centelha de sua própria grandeza.


Música, dança, artes, cultura, gestos e atitudes compunham essa sinfonia de formação. Aprendia-se a sentar-se à mesa como quem celebra, a usar os talheres como quem honra, a conversar como quem partilha, a ouvir como quem acolhe. A etiqueta não era máscara, mas poesia em movimento: expressão de respeito, equilíbrio e nobreza de caráter.


Essa educação moldava o indivíduo para todos os cenários da vida ,o lar, a sociedade, o trabalho. Ensinava que conviver é também um saber, e que o conhecimento floresce quando se entrelaça com a delicadeza do viver.


Hoje, fala-se pouco dessa educação voltada à alma e aos bons modos. Mas sua necessidade permanece, silenciosa e urgente. Descobrir talentos é vital, mas saber oferecê-los ao mundo com elegância, responsabilidade e respeito é o que os torna extraordinários.


Educar é semear saberes, despertar dons e, sobretudo, formar o ser humano para viver e conviver em harmonia.


Porque a verdadeira educação não se revela apenas no que sabemos, mas na forma como nos colocamos diante da vida e das pessoas, com dignidade, beleza e amor.

Se não foi com valores morais
a pessoa não foi conquistada foi apenas atraída.

Sabe o normal, tanto, esperado falado desejado, foi embora.
Não aguentou.
A caça a ele foi intensa, sem motivo, sem causa aparente.
O normal nunca prometeu nada a ninguém.
O Normal ficou sempre na dele tranquilo sereno vendo tudo sem pestanejar.
O vento soprar, a chuva chegar. A chuva passar, a brisa passando suavemente trazendo um perfume sutil, o normal, nãos se importou com descaso da vida.
O normal nunca procurou nada, nem ciscou no terreiro do vizinho, porque sempre fugiu da briga,
O normal não é a causa, e nem o efeito, o normal é normal. Sempre soube que depois da chuva o sol 🌞 brilha com mais intensidade.
O normal não foge fo padrão normal.




Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado


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Nem imagino quantos turnos acordado meu espírito suportou..
Foi assim que tudo aconteceu, eu com as minhas insônias rolando na cama.
Fazendo café na madrugada. Fumando, eu que já tinha parado recomecei até isso, pra me matar querendo chorar lembrando o que ja passou e perguntando porque não me disseram a verdade..
Morreu no esquecimento.


Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado




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Ficar em ti foi a minha forma mais discreta de infinito.

Pegues o que tens
E troque pelo que tanto quer
O mundo sempre foi cruel
Mas justo
Como quem te coragem de sacrificar.

> "Não encurrale quem já sobreviveu no limite do próprio inferno. Onde a mente foi forjada sob a lâmina e a tempestade, o silêncio não é trégua — é a execução que avança sem aviso."
>

O uso do cérebro é e sempre foi livre, ele nunca precisou de carta de alforria.

AUGUSTÃO


Augustão, foi um comerciante de Simplício Mendes. Ele era proprietário de um bar e de uma farmácia, mas gostava de ficar mesmo era no bar. Tinha uma alma tão pura que muitas vezes beirava a ingenuidade, assemelhando-se a um Dom Quixote da vida.


Pois bem, em um certo dia, ele estava em seu bar e as horas passavam sem que entrasse um único freguês no estabelecimento. Entediado com aquilo e já com umas duas na cabeça, resolveu, então, vender a bebida para si mesmo. Batia no balcão com as mãos e pedia uma dose. Depois rodeava o balcão, colocava a bebida no copo, em seguida retornava ao lugar de atendimento para cliente, bebia a dose e pagava. Depois de várias vendas e de vários recebimentos, ele , meteu a mão no bolso, puxou o dinheiro, contou e então disse:
— Não dá para entender. Eu vendo e vendo, e esse dinheiro não aumenta!


Em outra situação, ele estava em uma localidade do interior que pertencia à sua família. Nesse dia, o padre da cidade iria rezar uma missa numa pequena capela existente naquele lugar. O padre, sabendo que Augustão estava lá e sabendo, também, que havia uma casinha que vendia bebida, tentou evitar que o comerciante e outras pessoas do lugar bebessem na hora da missa. Então, o pároco foi até esse bar e derramou toda a bebida.
Quando Augustão chegou ao barzinho, contaram-lhe o acontecido. Ele correu para a capela chamando pelo padre. Quando entrou no santuário, o religioso estava confessando algumas pessoas. Augustão recuou envergonhado, pois pensava que o sacerdote estava sozinho. O padre saiu e perguntou o que era. Então, Augustão falou:
— Seu padre, proibir até que o senhor pode, mas derramar a bebida o senhor não pode não!