Se, como observa Werner Mitsch... Daniel Perato Furucuto
Se, como observa Werner Mitsch (1936–2009), “o homem foi capaz de inventar a bomba atómica, enquanto nenhum rato, em qualquer parte do mundo, jamais foi capaz de inventar a sua própria ratoeira”, então talvez a inteligência não deva ser medida apenas pela capacidade de criar, mas também pela capacidade de não criar aquilo que pode destruir o próprio criador.
Nesse sentido, pode-se dizer, paradoxalmente, que o rato é mais inteligente do que o homem: o homem inventa a ratoeira para capturar o rato; o rato, porém, nunca inventou uma armadilha para destruir a sua própria espécie. Ao contrário, o homem criou diversos instrumentos bélicos capazes de provocar destruição em larga escala e de ameaçar a própria humanidade.
Ou seja, o rato é mais inteligente do que o homem: não porque saiba inventar mais, mas porque nunca inventou aquilo que pudesse transformar-se na sua própria destruição. O homem demonstrou uma inteligência extraordinária para criar, mas nem sempre a mesma sabedoria para saber o que não deveria criar.
Talvez o verdadeiro limite da inteligência humana não esteja naquilo que o homem consegue inventar, mas naquilo que, tendo capacidade para inventar, decide não criar.
Furucuto, 2026
