Flores
Flores sempre saem da boca de quem planta amor;
Espinhos sempre brotam do coração de quem semeia discórdia
Herda sempre uma dose de coragem aquele cuja mão é preparada para manter os espinhos das flores arrancadas
Amar em Deus é crescer em silêncio, assim como flores na primavera, as pétalas um dia irão perecer, mas antes serão um lindo jardim a inebriar com vigor todos os caminhos e virtudes que para sempre ficarão e onde meu coração escolher habitar
Se a emoção tomar conta de ti durante a travessia, saiba que as flores deixadas por onde andares, elas sim chorarão primeiro.
Um tapa dado com flores dói mais que um coice de cavalgadura, no final das contas, a decepção fere muito mais do que a intenção.
Mudei de vida, plantei novos jardins e o mais importante, que as flores jamais me esqueceram, sempre desabrocham na primavera a reluzir cada pétala com ternura.
O tempo pode até enterrar todas as flores, mas não será capaz de eliminar suas fragrâncias deixadas como marcas de sua presença
Nunca espere que um bom vizinho te ofereça flores, mas esteja preparado para ser ferido pelos espinhos daqueles que nunca plantaram sementes.
Uma pessoa verdadeiramente calculista é aquela que só oferece flores no inverno enquanto anuncia a morte da primavera.
Posso não saber por onde andam as flores, mas sinto seus perfumes brotarem do íntimo do teu coração.
Boas e más notícias são como grãos de pólen: partem das flores da aldeia e, quando se vê, já se espalharam pela colmeia inteira.
Certa vez nossa florista sugeriu que eu te enviasse flores.
Agradeci, mas disse não.
Não quis que nosso amor fosse banalizado por atos bonitos, mas repetitivos.
Mas, confesso:
Tive vontade de aceitar a sugestão.
Flores representam a chama e o sentimento dos amantes.
São efêmeras, coloridas, perfumadas...
E têm espinhos...
Como o amor...
A trilogia "Flores do Pântano", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) que inclui o título Coleção de Gravetos, aprofunda exatamente a dualidade presente no poema: a beleza que nasce do que é lamoso, denso e doloroso.
Ao conectar o poema à trilogia, percebemos que:
1. A Estética do Lodo
Assim como a "Flor do Pântano" precisa da lama para florescer, o "Santo-Anjo-Maldito" precisa do autoinpacto e do "miocárdio dilacerado" para criar. Na trilogia, Michel F.M. sugere que a arte não vem da alegria pura, mas da capacidade de transmutar o "pântano" da existência em algo que faça o mundo continuar pulsando.
2. O Artista como Colecionador de "Gravetos"
O título de um dos livros, Coleção de Gravetos, dialoga com a ideia de que o poeta não é um ser iluminado e intocável, mas alguém que junta os restos (os gravetos, as sobras, os sustos do palhaço) para acender o fogo que incendeia o próprio coração. A poesia aqui é um trabalho de catador de entulhos emocionais.
3. Anatomia e Pulsação
A trilogia reforça a linguagem biológica do autor. Se no poema ele fala em "miocárdio", em seus livros ele explora a "anatomia do impulso". O artista de Michel F.M. é um ser visceral: ele não observa a vida de longe; ele a sente nas vísceras e a devolve como arte, pagando o preço com a própria exaustão vital.
4. A Condenação e a Salvação
O termo "maldito" no poema ecoa a tradição dos poetas baudelairianos (frequentemente referenciados indiretamente em obras que usam a metáfora das "Flores"). A trilogia apresenta o pântano (a dor, o isolamento, a incompreensão) não como um lugar de onde se foge, mas como o único solo fértil para a verdadeira poesia.
As flores
Ainda tenho flores de
Outros amores para regar,
as Rego porque torço por
Cada florescer de uma flor
Que um dia tive o prazer de
Conhecer.
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