Fiz de Mim o que Nao Soube
Algumas coisas precisam de tempo porque ainda estão encontrando a forma possível de existir. E você não precisa se machucar para provar que está avançando.
Conhecer novas paisagens nunca foi apenas mudar de horizonte. É permitir que os olhos aprendam um vocabulário que ainda não conheciam.
Existe uma beleza que só acontece quando saímos do caminho habitual. O mundo continua sendo o mesmo, mas alguma coisa em nós ganha outra janela.
Tenho a impressão de que os olhos também colecionam memórias. Cada paisagem bonita amplia o repertório da alma. Depois de contemplar certos reflexos, certas luzes e certos horizontes, voltamos diferentes, não porque o mundo mudou, mas porque carregamos dentro de nós mais maneiras de enxergá-lo.
Passamos tempo demais tentando salvar versões de nós que já cumpriram seu papel. Continuamos repetindo gestos, sustentando personagens e defendendo identidades que um dia nos protegeram, mas que hoje apenas nos apertam por dentro.
Existe um luto que quase ninguém nomeia: o de deixar de ser quem aprendemos a ser para abrir espaço para quem já estamos nos tornando.
Nem toda mudança começa quando a vida muda. Às vezes, ela começa quando finalmente paramos de insistir em caber onde a nossa verdade já não respira.
A análise é o lugar onde a fala deixa de servir apenas para explicar a vida e começa, finalmente, a transformá-la.
Passei anos tentando descobrir quem eu era. Hoje desconfio que a pergunta mais honesta nunca foi essa. A verdadeira pergunta é: o que em mim ainda espera a coragem de ser vivido?
A falsidade tem uma estranha capacidade de tranquilizar. Ela preserva versões, protege personagens e adia encontros inevitáveis. A sinceridade faz o contrário. Ela abre as janelas, deixa o ar entrar e revela a poeira que aprendemos a chamar de normalidade. Talvez seja por isso que ela assuste tanto. Não porque seja dura, mas porque, depois que a verdade ilumina um cômodo da alma, continuar vivendo no escuro deixa de ser destino e passa a ser escolha.
Uma idiotice? Os brasileiros são obrigados a votar, falam que têm direito ao voto e pensam em vivem em uma Democracia.
Alguns meses atrás, me peguei te olhando estranho.
Pensei: “o que é isso? No que estou pensando?”
Com o passar dos dias, me vi te admirando.
Admiração é algo tão normal, não é?
Depois de algum tempo, nos imaginei juntos
e me perguntei por que a nossa criatividade vai tão longe.
Que coisa ridícula.
E quando me dei conta, estava querendo te ver.
Estava reparando no que você fazia,
em como cortou o cabelo,
no livro que estava lendo,
até nas músicas que costuma ouvir.
Percebi que não tinha como voltar atrás.
Já estava eu submersa nas minhas emoções,
querendo sair correndo,
talvez gritando: um “eu te amo”.
Aí me veio a pergunta:
grito bem alto
ou abafo essa voz no fundo do peito?
Mas, mesmo que eu tente esquecê-lo,
meus pensamento colidem com meu coração e a minha alma.
E, quando vejo, estou refém de um alguém
por quem anseio a todo momento.
Uma pessoa com quem me preocupo.
Olho e pergunto:
“está tudo bem?”
E esse alguém responde:
“sim, tudo ok.”
Quando sei que não está.
Mas o que eu queria mesmo
era estar ali ao seu lado, oferecendo-lhe um abraço.
Só não sei se tenho esse direito,
até porque somos meros amigos
ou, melhor dizendo, conhecidos.
E logo depois me repreendo
e digo:
“pense em você, somente em você.”
E por esse motivo me engano,
dizendo que isso vai passar,
que é algo tão supérfluo,pra que se preocupar? por que se importar.
Mas, quando penso que deixei pra lá,
meus olhos se encontram com os seus
e esse sentimento tão avassalador e imprudente
me lembra que menti para todos…
inclusive para mim.
Você só vive duas vezes: a primeira quando nasce; a segunda quando encara a morte.
Provérbio Japonês
Solidão
Todos nós somos sozinhos,
uns um pouco menos, outros um pouco mais,
mas mesmo assim, somos sozinhos.
A solidão é uma dádiva,
quando se sabe aproveitá-la,
ou pode ser um peso,
carregado por uma dúvida:
o porquê sou tão sozinho?
Essa pergunta não sei responder,
só o que falta é tentar entender.
Ser só pode doer até ver que consegue viver em um mundo onde,
só houver você .
Talvez a resposta não seja fugir,
mas aprender a existir em mim,
porque no silêncio que eu tanto temi,
encontrei partes que ainda não vi.
Isadora de Lima
A lei do retorno foi escrita pelo universo e carimbada pelas mãos de Deus, por isso é tão perfeita e justa.
Borboleta só leva e releva o que é leve, o que é pesado elas até tocam, porém deixa quieto porque o fardo não lhe pertence.
