Fiz de Mim o que Nao Soube
O que desejas saber sobre mim? Eu tenho pesadelos e sonhos, perdas e ganhos, uma coleção de cicatrizes de vários tamanhos, mas insisto em sorrir.
O mais importante por onde andei, e por onde passei, é que deixei um pouco de mim, e trouxe um pouco comigo.
Enquanto um sorriso no espelho ou outro toque em silêncio te lembrar de mim, eu estou aí na pior forma, sem você poder me tocar.
Existe vários de mim,um que adora multidão, e se perde dentro dela, outro que gosta da solidão e dentro dela se acha,um que deseja ir longe,outro que não quer sair do lugar, um aventureiro que voa em pensamentos, outro que nem os pés do chão quer tirar, mas pronto para ser a melhor versão pra te ganhar.
Aos que perguntam sobre meu sumiço,sempre tem de mim duas respostas,meu olhar irônico em silêncio,e minha resposta educada,não volto para o mesmo lugar onde fui lesionado.
Inventaram várias versões de mim,até acho admirável essas mentes,mas quem desconfia que nem todas invenções são reais,vira meu ídolo.
As vezes nem quero voltar pra mim, porque faço algumas loucuras, que até curam as lesões da mediocridade do mundo.
Existencialmente exausto. Cada nova manhã exige de mim uma façanha maior do que no dia anterior, levantar da cama parece um esforço incompatível com minha realidade física e emocional. Essa exaustão não se resume ao corpo cansado, mas se multiplica na mente, onde a luta contra pensamentos deprimentes consome qualquer resquício de energia que eu ainda guardasse.
A dor me faz triste. Cada fibra em mim lateja memórias que nem a medicina apaga. Sou um retrato ambulante de perdas, do movimento, da autonomia, da esperança. E assim… Atristeza brota sem cessar,
como uma secura interna que nenhum afago alcança.
A melancolia mora em mim… chega com a dor, se agarra aos meus pensamentos como sombra sem fim. A esperança vem… breve, estranha,
quase incômoda… antes de a escuridão tomar tudo de volta.
