Fiz de Mim o que Nao Soube
Zonas de acomodação (não de conforto) são caixas pequenas, restritivas, flutuando dentro de um universo de possibilidades, prontas para serem rompidas por dentro ou por fora.
E uma das nossas melhores e maiores distrações, com a velhice, é recitar, não só para os outros, como também para nós mesmos, nossa própria história.
Por causa disso não preciso aplicar maquiagem espiritual para fazer-me aceitável diante dele. Posso reconhecer a posse de minha miséria, impotência e carência.
Que suas mãos escrevam sem hesitação, que as suas bocas profiram as palavras justas e não se cansem de estudar sempre.
Não tenho o hábito
De escre(ver) com rimas.
Apenas escrevo o que
Con(verso) quando vou
A beir(amar).
Em seu ventre por nove meses
Fui seu hóspede, não paguei se quer
Aluguel, ainda achei pouco e a obriguei
A dividir comigo sua comida, água
E o ar que ela respirava, quando saí
Ainda suguei de seus seios minha fonte
De vida pôr mais seis meses.
A obriguei a me por em seus braços
Pôr mais ou menos um ano, causei
Sustos por alguns anos com sarampo, Papeira...
Ainda achei pouco e grandinho
Tomei conta da sua cama chorava
Já de manhã pra ela logo me buscar,
Hoje sou um grande homem pôr conta
De seus esforços, mesmo assim peço colo.
O conto de uma vez
Era uma vez uma vez,
foi todo de uma vez...
Não houve tempo nem pro final
Feliz ou triste...
O marinheiro caio no mar,
O mar o levou não
Não o afogou.
Pois ele só foi pra casa,
Em sua casa ficou
Na sua profunda paz.
O mar neste dia, não
Teve fúria
O seu filho trousse paz.
Não vou busca ração
Do meus erros errados
Amores amargurados
Vida sem viver.
Que os ponteiros da bússola
Apontem pra me agora
Jocasta janta enquanto
Enquanto eu danço tango.
Desafio tudo que esta lá
Fora eu sou Django
Sem as pistolas.
Na íris vejo vidro venho,
meus neurônios não
se agradam do que ver.
Em dentes a pétalas de
rosas as qual deixam o
hálito nada agradável.
A língua gravada de
espinhos espelhei o
agridoce desejo em
se morde.
O meu oceano só tem
um mistério e jamais
revelaria o mar das
suas águas.
Depressão não é tristeza contínua, é simplesmente não sentir nada, e esse é o problema.
O vazio me consome.
