Filho
Estando sob o encanto da noite, iluminado pelo luar, ouvi uma melodia profusamente apaixonante que fez o meu imaginário inquieto criar um cenário noturno entre as estrelas, que apresentava um ser desconhecido que de uma maneira inexplicável vagava perdido pelo vasto universo,
muito distante de tudo e de todos aqueles que talvez conhecesse, sendo oriundo de outra galáxia, assim, ele foi passando por vários lugares sem parar em nenhum deles, um caminho longo, onde o passar contínuo do tempo não importava, puxado e protegido por uma força muito misteriosa.
Não pediu para entrar nesta jornada, porém, não tinha nada que pudesse fazer a não ser aceitar, seguindo com a sua mente confusa, cansada, o medo de um futuro incerto, pelo menos, nenhum mal foi ao seu encontro, não sentia fome e nem sede e ainda não havia caído em total desespero.
Depois de tanto vagar, finalmente, chegou até às proximidades do nosso planeta, quando sentiu o seu corpo sendo trazido aos poucos para lua, algo assustador e também confortante, pois estranhamente sentiu uma sensação familiar como se tivesse voltado para casa, um momento bastante singular.
Não se sabe se lá voltou ou passou a ser o seu lar, mas o fato é que percebeu que não precisava mais partir deste lugar, que tinha tudo que precisava, foi muito bem recebido, então, decidiu ficar e logo passou a ser conhecido como o “Filho da Lua” nesta breve história que pude imaginar.
A mulher quando nasce para ser mãe certamente renasce ao dar a luz, uma bênção de Deus como um amanhecer belo e emocionante numa ocasião muito distinta, trazendo felizmente ao mundo, o brilho intenso personificado da sua grande fé com um choro estridente do fôlego de vida,
um som muito significante que a faz perceber prontamente que antes até este momento não sabe realmente o que é amar de verdade e que logo passará a saber através de um amor inexplicável que vem fortalecer ainda mais o seu espírito, deixar o seu coração cada vez mais grato
a rica compensação de todo o seu cansaço e de tantos sacrifícios que provavelmente serão necessários, mas não terão mais importância do que um sono tranquilo, um sorriso espontâneo, os primeiros passos, os sonhos realizados de uma filha ou de um filho, uma experiência contínua.
Dia das Mães –
Um Amor Que Já Existia
Morria um pouquinho cada vez que pensava que não poderia ser mãe.
Era como se o mundo perdesse cor, como se algo em mim soubesse que faltava o essencial — mesmo sem nunca ter existido.
E então, um dia, eles chegaram.
E desde então, vivo em espanto.
Ainda não absorvi por completo a emoção de tê-los gerado, de senti-los em meus braços.
É uma mistura insana de sentimentos, uma avalanche que me transborda em silêncio.
Já os amava antes.
Antes de tudo.
Antes da vida, antes da matéria, antes de qualquer forma.
Eles já estavam em mim, no que sou, no que sempre fui.
Sempre fizeram parte da minha história, mesmo quando ainda era só ausência.
Não é sobre genética.
Não é sobre cultura.
É sobre destino.
Eu não lhes dei a vida.
Eles deram a minha.
Hoje entendo: minha vida, sem eles, teria sido como uma casa sem teto.
Sem alma.
Como uma espera que nunca se completa.
Como um vazio que nem os anos, nem as viagens, nem os aplausos conseguem preencher.
Não sei se há explicação.
Talvez nem precise.
Só sei que há um amor tão imenso, tão antigo, que chega a doer de tão bonito.
Sinto-me inteira.
Sinto-me completa.
Não sei se isso basta ao mundo.
Mas a mim, basta.
Dizem que o amor verdadeiro não tem começo.
Que ele sempre esteve ali, quieto, à espreita, esperando o momento de florescer.
Ser mãe é reaprender o mundo.
É pensar antes de falar.
É agir, muitas vezes, antes de entender.
É tornar-se mais humana, mais humilde — talvez até mais próxima de Deus.
É descobrir o que é o tal do amor incondicional.
Porque amamos apesar de — e não por causa de.
E quando alguém vê uma declaração de amor de mãe ou de pai, que não se engane:
o filho não é perfeito.
Perfeito é o amor que sentimos por ele.
Edineurai SaMarSi
Em cada esquina do mundo, encontramos figuras de força e amor incondicional, mas nenhuma se compara à mãe guerreira. Ela, que transforma cada desafio em um degrau, cada lágrima em um aprendizado. Sua capacidade de cuidar e amar transcende o tempo e o espaço, criando laços invisíveis que sustentam o coração de quem se encontra sob suas asas.
''Cada um de nós temos o nosso céu onde brilham estrelas que miramos, e que podem ser: pais, irmãos, filhos, amigos..., importantes como as outras que não são miradas porque a plena luminosidade deste céu acontece com toda constelação''.
''Mãe é a alegria manifestada do amor que nos acolhe, à sua maneira, do jeito que somos. Mas com algumas ideias do que podemos ser. Em seus braços somos levados para a mira do seu olhar''.
O melhor mirante do mundo pode ser os ombros de um paí.
Um bom Pai, independente da sua estatura, eleva seus filhos a lugares mais altos do bem.
Acredito que a ideia de colocar os filhos nos ombros surgiu dos pais, não para lhes dá descanso, mas para fazê-los enxergar mais longe.
Um casal que tem tudo para dar certo é aquele que cultiva o diálogo sobre tudo e os dois se abrem com amor a realidade do outro.
Ao nascer estamos conectados a nossa mãe pelo subconsciente que foi em grande parte construído por sua influência nos primeiros sete anos de nossa vida.
A Luta Nao Pode Esperar
Crônica baseada na morte do estudante de Matemática da UFG, Guilherme Silva Neto de 20 anos.
Por Josielly Rarunny
Imagine um jovem alternativo e revolucionário, desses que defende suas crenças, capaz de lutar até a morte. Literalmente.
Guilherme saiu numa manhã de quarta feira após uma briga com o pai, motivada pelo estilo do rapaz, causas sociais e políticas que Guilherme defendia.
O pai, engenheiro de 60 anos, conservador e depressivo não aceitava as atitudes do filho. Proibiu Guilherme de participar da tal reintegração de posse que ocupava universidades e lutava contra as propostas da PEC 241.
Discutiram. Discutiram feio por sinal. Dessas discussões onde se ouve gritos, xingamentos e ameaças. Saíram cada um para um lado.
Guilherme deu as costas e foi a luta.
Que a luta não pode esperar.
Quem sabe ele foi cantando a canção de protesto de Vandré.
Pra não dizer que não falei das flores.
A mãe na sala ao lado ouvia a discussão.
Em oração repreendia e preferiu não interferir.
Vai saber o que se passa no coração de uma mãe.
Aquela dor recolhida, aquele choro engolido, uma aflição que parece não ter fim. Um anseio de ver a paz reinando no almoço em família do dia seguinte.
Um almoço que não acontecerá mais.
O pai tinha o tempo de esfriar a cabeça ou sacar uma arma.
Advinha o que ele fez.
Voltou para casa.
Encontrou apenas aflição e oração em forma de mãe.
O filho não estava mais. Encontrou Guilherme numa praça perto de casa e disparou contra o filho quatro vezes. Houve tumulto e gritaria.
Guilherme conseguiu correr, mas o pai alcançou o filho e com mais disparos o matou.
E com o mesmo tempo que ele levou para sacar a arma, debruçou sobre o corpo do filho, talvez arrependido da besteira feita. Não quis ficar e lutar contra a justiça social e brasileira.
Que por sua vez nem é tão severa assim.
Preferiu antecipar o julgamento e a justiça divina.
Guilherme deu as costas e foi a luta.
Que a luta não pode esperar.
Quem sabe ele foi cantando a canção de protesto de Vandré.
Pra não dizer que não falei das flores.
Ninguém sabe, ninguém ouviu falar.
O que todos sabem é que ele foi.
Infelizmente, pra nunca mais voltar.
Assistir a Valentina dormir é como mergulhar fundo num oceano de sensações. Fico parado do computador escutando a respiração e babo em detalhes a minha filha. Me perco, me encontro, me vejo hoje onde não pensava estar ontem. Me disperso, me recolho, fico preocupado com a vida dela e busco forças. Respiro, expiro, penso em seguir, mudar tudo. Sigo no enigma mais claro e na sabedoria mais vulgar de tudo o que é, sem nenhuma razão especial de ser quando a vejo dormir. Não hesito; me deixo levar nos pensamentos. Ela me traz essa reflexão e o que vem dela deixo fluir. Me deixo levar antes que seja tarde, antes que seja um poente finito. Ela me ensina tanto, sem falar nada, com quatro anos, dormindo, só de olhar... Entendo e aprendo que o despedir de um dia lindo que não se repetirá é, na verdade, uma cortina aberta para a verdade. E que a linha do horizonte vista dessa janela e suas formas inalcançáveis sejam da força e da fonte para a noite que virá, pois lá, enquanto eu estiver vivo, vai dormir uma criança. E olhando bem, dentro do coração dela, dorme também a criança que eu fui um dia, com todos os meus sonhos. Olho, observo. Ela ameaça acordar, mas dorme de novo ao receber meu carinho. Que bom que ela ainda é criança. A vida é tão difícil, tão dura, tão injusta, tão cruel, tão desumana, que eu não saberia como cobrar um conforto e um abraço de quem devo abraçar e confortar. Agradeço por ela existir. Penso em nossa história. Afinal, ela é tudo para mim hoje, mais do que eu achava que fosse ontem. Há dois anos então, nossa! O amor só cresce. Em palavras não ditas, escuto o ruidoso silêncio da respiraçãozinha dela, que não me deixa concentrar em outra coisa. Dizem que Deus sempre falará para um pai que observa a filha dormir. É verdade. Se ele existe e algum dia falou comigo, não seria em outra situação. Olho bem no centro do seu rostinho e penso disso tudo, que a mim fica a sensação de tudo ao mesmo tempo, do mais contraditório tipo: dos acertos na vida ao tempo perdido, do sonho errado, do passado que você nunca mudaria, do desânimo diante de uma caminhada que no fundo você pensa que pode não ser o melhor pra vida dela. Não dá para definir se é tristeza, euforia, ansiedade, alegria, desilusão, esperança, razão, emoção, ou apenas angústia e preocupação. Acho que é um misto de tudo isso com uma grande pitada de não saber nada sobre a vida. É um misto de tudo. Em que me despeço e peço, fico olhando até pegar no sono também, quando, aos poucos, vou apagando e esquecendo memórias de um futuro que ainda não foi. Aceito o que o passado tem sido, sem glória, sem lamento. Tento dormir pensando bem sobre tudo isso, e aprendo sob escombros das lembranças, sem que eu e ela, sem que ninguém se aventure ao resgate, pois num coração de verdade, não há chance de resgate, só remendos, apenas sangue estancado. E é por isso que perceber toda inocência de um filho perante o mundo nos emociona, nos faz chorar, nos orgulha em alegria, mas também nos rasga o peito de dor.
Aí você diz que vai contar uma histórinha pra sua filha só 10 minutinhos antes de dormir e ela quer que você conte pra sempre..
Me dê apenas teu abraço, teu beijo, teu coração. Compreenda e me apoie como eu fiz quando você começou a viver. Da mesma maneira que te acompanhei no teu caminho, peço que me acompanhe para terminar o meu, com muito amor, para o todo e sempre.
Tome a beleza da rosa vermelha e junte a seguir: o perfume de todas as flores, o gosto do mel, a cor do sapoti, a ternura de um afago, a pureza do amor fraterno, a envolvência da neblina, o frescor da brisa, a fidelidade do cão, a inocência da criança, a aderência do visgo, a humildade da violeta, e adicione depois:
O calor do sol, o veneno da cascavel, a violência de um coice, a astúcia de uma raposa, a traição de Judas, a instabilidade do tempo, a indolência da preguiça, a intranquilidade de um peixe, a atração de um ímã e o choro da carpideira.
Misture bem, acrescente futilidade a seu gosto pulverizando amor e carinho e deixe a massa em repouso durante vinte anos. Passado o tempo, use em pequenas doses, com muita, muita cautela: é a ex-mulher.
Antigamente, eu tinha um teatro de marionetes. Bonequinhos de pano, presos por cordões, dançavam e pulavam na minha cama, controlados por meus dedos. Eram bonecos de pano, mas riam, choravam e até sofriam porque eu lhes dava movimento e alma. E, aos olhos de todos, passava por ser um grande artista. Aplaudiam-me. Um dia, não sei como explicar, dei alma demais a uma boneca miudinha e ela passou a cantar, chorar e rir por si mesma. E fez mais, puxou os cordões de baixo para cima, guiando primeiro, meus dedos, depois, meus olhos, e, finalmente, meu cérebro. Com o tempo, empolgou também, a minha alma. Hoje, no teatro da vida, sou um boneco de carne e osso, controlado por uma boneca miúda que dirige minha vontade e a própria vida
Vem-me, às vezes, um sonho fugitivo e estranho ao pensamento perturbado; Sonho sem medo as sombras do passado, e o futuro me torna pensativo. Por que me faço ao riso alheio esquivo? De onde me vem este ar desalentado? Este fundo pesar inexplicado, esta grande tristeza sem motivo? Não sei... A mágoa obscura que me invade talvez seja somente uma saudade que o mundo vil não pode compreender... Saudade de outra gente e de outra vida, que inda vibra e palpita, dolorida, na imperfeição do meu ser
O sistema do mundo, governado pelo diabo através de influências da mídia, vários setores e pessoas influentes na sociedade, tem um enorme interesse em ensinar os pais como educar seus filhos. Isso visa tornar as novas gerações cada vez mais vulneráveis e afastadas do Criador, permitindo que o Inimigo estabeleça um império consistente e execute seus planos para a humanidade.
"Presente do Tempo"
Há vinte anos, o tempo fez pausa...
suspirou ao te entregar pra mim.
Veio envolto em luz e esperança...
um amor que não tem mais fim.
Tão pequeno e já tão imenso...
coração de mãe reconhece...
que o mundo inteiro ganha cor
no instante em que a vida acontece.
Cresceram tuas pernas e sonhos...
e em cada passo teu, floresci.
Mesmo quando o vento soprou forte,
foi teu riso que me fez seguir.
Hoje celebro teu existir,
com orgulho bordado na alma...
És meu motivo, minha alvorada,
meu presente, minha calma.
Feliz aniversário, meu filho amado,
que a vida te abrace como eu te abracei.
E que o mundo descubra a beleza
que, há vinte anos, eu já enxerguei.
