Fernando Pessoa Mudanca

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– Você vai para a Liberdade?
– Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou-se ao meu lado. E disse:
– Então eu irei com você.

Desguia, entra noutra, arruma um namorado novo, gatinho sem problemas, que dê cama & carinho. E simples e gostoso. Por que não?

Mas ele nem se machucava, há tanto já adivinhara os movimentos interiores prevenindo os receios.

Que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem.

Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas.

Estou aceitando o fato de que algumas pessoas nasceram para sentir o amor, mas não para viver um.

Antes de estender os braços, preciso saber o que há dentro desses braços, porque não quero dar somente o vazio.

''Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quando penso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente.''

" Quanto a ti, já reparaste como o mundo parece feito de pontas e arestas? Já chamei tua atenção para a escassez de contornos mansos nas coisas? Tudo é duro e fere. "

O futuro é uma folha pautada esperando a primeira anotação do ano.

Sei que ele gosta de mim, só não sei se ele sabe o quanto eu gosto dele, o quanto eu me entreguei ao escuro, aos passos largos.

Talvez bastasse qualquer coisa, como chegar muito perto de você, passar a mão no teu cabelo e te chamar de amigo. Ou sorrir, só sorrir.

Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis.

"Palavras geram pensamentos que geram sentimentos ou emoções estes por sua vez geram ações que trazem conseqüências trazendo até você o objetivo."

Ela fala com o coração e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter.

Quero mudar minha vida. Tenho 19 anos, é tempo de fazer alguma coisa. Talvez eu tenha medo demais, e isso chama-se covardia. Fico me perdendo em páginas de diários, em pensamentos e temores, e o tempo vai passando. Covardia é uma palavra feia. Receio de enfrentar a vida cara a cara. Descobri que não me busco ou, se me busco, é sem vontade nenhuma de me achar, mudando de caminho cada vez que percebo a luz. Fuga, o tempo todo fuga, intercalada por períodos de reconhecimento. Suavizada às vezes, mas sempre fuga.

Eu quero um colo, um berço, um braço quente, um calor no inverno, um sonho calmo, um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas…

"É possível não sentir esses arrepios ao lembrar-me do toque, do cheiro, do beijo dele?"

Não era bom, nem mau: era apenas perfeito.

Pelo menos as deformações não calaram fundo, não se afirmaram em feições. É bom, sim, mas ao mesmo tempo é terrível. Porque me vem o medo de estar agindo errado, de estar gerando feições horríveis, que mais tarde não sairão com facilidade. Não, não é fácil ser a gente mesmo da cabeça aos pés, da unha do dedo mindinho até o último fio de cabelo.