Fernando Pessoa Mudanca

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Saudade daquilo que fui, sei que não sou mais, e nunca mais voltarei a ser.

E tudo é natural, basta não teres medos excessivos – trata-se apenas de preservar o azul das tuas asas.

Caio Fernando Abreu
Fragmentos. Porto Alegre: L&PM, 2000.

Não era mais ele: ela amava alguém que não existia mais, objetivamente. Existia somente dentro dela.

Naturalmente a saia é justa, mas como a fé é larga, fica tudo equilibrado. Coloco nas mãos de Deus.

Eu vivo mesmo é de claridades e não vai ser qualquer gentinha à toa que vai enfraquecer minha fé na vida e minha vontade de sorrir pro mundo.

Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza.

Ficar perto, abraçar de vez em quando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim!

Ando tropeçando em absurdos. Em desassossegos também.

– Você não passa de um substantivo feminino — disse, e quase sem sentir acrescentou – ... mas eu te amo tanto, tanto.

De vez em quando é necessário a gente se perguntar se dentro de nós é um bom lugar para se viver. Tenho me perguntado isso… e a resposta é sim, sou um bom lugar.

Pior que amar e não ser correspondido, é amar e ser esquecido!

Reduzi tanto meus sonhos, minhas fantasias, minhas esperanças. Ando espantado com o tempo. O tempo é a única coisa terrível que existe. O tempo que passa e leva de arrasto, aparentemente aleatório, a juventude nossa e dos outros. Não é amargo, é apenas real.

Está certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?

Preciso de um tempo, preciso me reencontrar em novos caminhos e preciso disso agora.

Encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca. Sofre horrores mas continua do bem, sempre inventando histórias com final feliz. Tenho medo de já ter perdido muito tempo. Tenho medo que seja cada vez mais difícil. Tenho medo de endurecer, de me fechar, de me encarapaçar dentro de uma solidão – escudo. E à noite eu ainda te espero, mesmo quando sei que você não virá, só para ter saudade.

A verdade é que te quero tanto, mas tenho medo de ser recíproco.

Não roube os meu desejos mais secretos. Deixe-os guardados e calmos no canto que os escondi. Deixe os meus suspiros e arrependimentos em tranqüilidade aparente. Não é a hora exata? Não somos exatos! A exatidão me aborrece. A compreensão me deprime. Sua solidão me enlouquece.

... mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço...

Também não vale a pena fingir um equilíbrio que eu não tenho.

No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser.