Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Pensava que escrevia por timidez, por não saber falar, pelas dificuldades de encarar a verdade enquanto ardia, arvorava, arfava. Há muitos que ainda acreditam que começaram a escrever pela covardia de abrir a boca. Nas cartas de amor, por exemplo, eu me declarava para quem gostava pelo papel, e não pela pele, ainda que o caderno seja pele de um figo. O figo, assim como a literatura, é descascado com as unhas, dispensando facas e canivetes. Não sei descascar laranjas e olhos com as unhas, e sim com os dentes. Com as mãos, sei descascar a boca do figo e o figo da boca, mais nada. Acreditei mesmo que escrever era uma fuga, pedra ignorada, silêncio espalhado, um subterfúgio, que não estava assumindo uma atitude e buscava me esconder, me retrair, me diminuir. Mas não. Escrever é queimar o papel de qualquer forma. Desde o princípio, foi a maior coragem, nunca uma desistência, nunca um recuo, e sim avanço e aceitação. Deixar de falar de si para falar como se fosse o outro. Deixar a solidão da voz para fazer letra acompanhada, emendada, uma dependendo da próxima garfada para alongar a respiração. Baixa-se o rosto para levantar o verbo. É necessário mais coragem para escrever do que falar, porque a escrita não depende só de ti. Nasce no momento em que será lida.

O amor, esse sufoco,
agora a pouco era muito,
agora, apenas um sopro.
Ah, troço de louco,
corações trocando rosas
e socos

Confiar em Deus.
Em todo instante, confio em Deus. No que faço, penso em Deus. Com quem vivo, amo a Deus. Por onde sigo, sigo com Deus. No que acontece, Deus faz o melhor. Tudo o que tenho é bênção de Deus.

Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga.

Como pode uma ave, nascida para a alegria
Ficar numa gaiola e cantar?

Nunca é tarde, nunca é demais. Onde estou, onde estás. Meu amor, vem me buscar.

Chico Buarque

Nota: Trecho da música Bárbara.

Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais.

Manoel de Barros
BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

Amizade

Quando o silêncio a dois não se torna incômodo.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

Nunca confunda meu silêncio com ignorância, minha calma com aceitação, minha bondade com fraqueza ou minha sinceridade com arrogância.

Landon: Eu te amo.
Jamie: Eu te disse para não se apaixonar por mim.
(Um Amor Para Recordar)

Explicação de poesia sem ninguém pedir

Um trem de ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Só a ignorância aceita e a indiferença tolera o reinado da mediocridade.

Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia.

Nelson Rodrigues
Fla-Flu...e as multidões despertaram!

Nota: Trecho de Link

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Toda essa conversa sobre a igualdade e a única coisa que as pessoas realmente têm em comum é que todas irão morrer.

Bob Dylan
Robert Shelton, No Direction Home: The Life and Music of Bob Dylan. 1986

Não critique, não condene, não se queixe.

A alegria da alma constitui os belos dias da vida, seja qual for a época.

Não se combate ódio com ódio, mas sim com amor.

Mais do que doce...

...é saber que tudo se move a nossa volta, tudo se transforma e, até mesmo quando nos recusamos a acompanhar a dança da vida, sem percebermos, ela nos tira pra dançar, nos envolve com um ritmo novo. Quando isso acontece? Quando nos abrimos para a magia de viver e respirar as entrelinhas, os silêncios.

Um príncipe sábio deve observar modos similares e nunca, em tempo de paz, ficar ocioso"

O medo me leva ao perigo. E tudo que eu amo é arriscado.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica Nos primeiros começos de Brasília.

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