Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

Os prazeres intelectuais são de uma qualidade mais elevada do que quaisquer outros.

Quem fica na ponta dos pés, tem pouca firmeza.

Ter o que queremos, é riqueza; mas ser capaz de ficar sem, é poder.

Os desejos humanos são infindáveis. São como a sede de um homem que bebe água salgada, não se satisfaz e a sua sede apenas aumenta.

Só os homens que não se interessam por mulheres interessam-se pelas suas roupas. Os homens que realmente gostam de mulheres nem percebem o que elas estão a usar.

O mal que fazemos não atrai contra nós tanta perseguição e tanto ódio como as nossas boas qualidades.

Se não nos perdoamos por nossos erros, e aos outros pelos sofrimentos que nos infligiram, terminamos debilitados pela culpa. A alma não consegue crescer sob um cobertor de culpa, porque a culpa é isoladora, enquanto o crescimento é um processo gradual de reconexão com nós mesmos, com outras pessoas, e com um todo maior.

Sou novo é verdade; mas, para os espíritos bem nascidos. O valor não fica à espera da soma dos anos vividos.

O pobre lastima-se de querer e não poder, o avarento ufana-se de que pode, mas não quer.

Uma boa colecção de anedotas e máximas é o maior tesouro para o homem experiente, se ele souber entremear as primeiras em lugares convenientes na conversação e lembrar-se das segundas no momento oportuno.

A tua tarefa é a de representares corretamente a personagem que te foi confiada. Quanto a escolhê-la, depende de outro.

Trabalho intelectual é uma expressão errada. Não é uma expressão errada. Não é trabalho, é prazer, dissipação, nossa maior recompensa.

Um pai vale mais do que uma centena de mestres-escola.

O lar é o reflexo do coração, um reflexo que vocês estão começando a entender.

O céu, que é perfeito,
andou jogando em seus olhos
o dom do infinito.

A memória é muito vigorosa nas crianças e por isso a imaginação é excessivamente viva, pois esta não é mais que uma memória dilatada e composta.

A estirpe não transforma os indivíduos em nobres, mas os indivíduos dão nobreza à estirpe.

Tornamo-nos no homem do uniforme que usamos.

Aquele que não tem ciúmes, até mesmo das calcinhas da bem-amada, não está apaixonado.

Auto-retrato

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.

Manuel Bandeira
BANDEIRA, M. Mafuá do Malungo, 1948