Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

O primeiro passo é escolha, o resto é consequência.

Sabe aquela vontade de ser feliz pra sempre?

No final, só os verdadeiros vão estar com você.

A única coisa que precisamos para termos uma vida sem tanto sofrimento é saber aprender com os erros e não depender de ninguém pra sermos felizes.

Às vezes, sei lá, só queria ser importante para alguém - disse a garota que é importante para alguém que ela não dá valor.

Ninguém é perfeito. Mas um dia você será perfeito para alguém e alguém será perfeito para você.

Não se desculpe por quem você é e pelo o que você quer.

Esse negócio de não sofrer por antecipação não funciona muito comigo não.

A vida tem sido muito dura comigo, mas ao mesmo tempo tem me ensinado muita coisa.

Meus dias são um só clímax: vivo à beira.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

A vida e o universo confundem-se com a própria essência do tempo – o tempo que, por sua vez, é sem começo nem fim, sem essência, sem natureza ou desnatureza, até mesmo sem medida. A vida é como o tempo. O tempo que não se percebe, o tempo que nunca foi nem será. O tempo que simplesmente é. Eternamente, é.

Médico e o monstro da solidão

Era “neuro”, como dizem. Já nem sabia mais se queria aquela profissão porque não tinha escolhido a medicina para “salvar pessoas” e sim para “salvar sua conta bancária”. Trabalhava que nem um condenado para tirar 6, 7 paus por mês, o que não era péssimo mas estava longe de ser enriquecedor. Pra piorar, não agüentava mais a vida real com toda aquela galera doente e queria virar cineasta.
Ela era “neuro” também, como dizem também. Já estava no décimo ano de terapia e continuava igual, fazia parte da sua alma, não tinha jeito. Era poeta, tinha até um site onde vomitava textos pesados e sem rima. Detestava os poetas tuberculosos que tinha estudado para o vestibular.
Em comum, além da abreviação, eles tinham a vontade de deixar de ser singular. Foi aí que ele, um dia, depois de tomar banho e não ter vontade nem de se vestir (pra quem?), digitou no google a palavra “solidão”. Caiu direto no site da garota neurótica. Era uma poesia que se chamava “solidão o cacete”.
Essa internet expõe mesmo as pessoas, ele pensou. Ainda bem, ele pensou quando viu a foto dela e achou a mistura daquele texto com aquele rosto algo merecedor de mais exposição:
-Ei, figura, tudo bem? Caí aqui no seu site, nessa noite quente por fora e fria por dentro. Sou neurocirurgião, posso abrir sua cabeça. Não que você seja limitada.
Ela, que não estava acostumada a responder esse tipo de e-mail (sua mãe moderna sempre dizia “naum tc com estranhos”), resolveu abrir uma exceção porque achou o máximo falar com um neurocirurgião e também porque pensou que ele devia ganhar bem:
-Ei, figura, tô precisando muito que alguém me faça uma lavagem cerebral. Conta mais.
-Só se for ao vivo.
-Fechado.
Se encontraram na Fnac da Paulista, ele era alto demais pro gosto dela, ela baixa demais para o dele. Foto engana. E o pior é que nem o papo manteve-se à altura do esperado.
-Sabe, sou louca. Odeio o mundo.
-Você é mais normal do que imagina.
-Nunca saí com um fã.
-Isso não é um encontro.
-Eu sou feia?
-Linda, mas não faz meu tipo.
-Ótimo, uma amizade dura mais que um amor, nunca mais vamos sofrer de solidão.
Ela foi falsa com as palavras cheias de rapidez empolgada, ele com o consentimento cheio de sorrisos encantados. Conversaram amenidades, comeram pão de queijo, falaram mal de um casal freak que se beijava na frente de crianças, ensaiaram um beijo desconexo para manter viva a chama do teatro e não decepcionar a tarde que se despedia esperançosa, desceram as escadas rolantes e deram graças a Deus quando tudo acabou.
Por trás daquele e-mail morava o homem da vida dela, sensível, engraçado e charmoso. Ela não podia perdoá-lo por não ser ele. Por trás daquele e-mail morava uma loira gigante, corpulenta e que fala “cacete”, aquela menina metida a intelectual merecia a morte.

Te quero só pra mim
Você mora no meu coração

Não creio em santos e poetas,
Perguntei tanto e ninguém nunca me respondeu

Palavras são erros
E os erros são seus
Não quero lembrar
Que eu erro também...

Em Todas as Sociedades Existe um Impulso Para a Conformidade

A imposição de padrões pelas sociedades aos seus extremamente diversificados indivíduos tem variado muito em diferentes períodos históricos e diferentes níveis de cultura. Nas culturas mais primitivas, onde as sociedades eram pequenas e ligadas a tradições muito estreitas, a pressão para o conformismo era naturalmente muito intensa. (...)

Mesmo assim, em toda a sociedade há sempre um impulso para a conformidade, imposto de fora por leis e tradição, e que os indivíduos impõem sobre si mesmos, tentando imitar o que a sociedade considera o tipo ideal. (...)

Mas algumas pessoas têm ângulos bovarísticos de noventa graus, outras até de cento e oitenta, e tentam ser exatamente o oposto daquilo que são por natureza. Os resultados são em geral desastrosos. (...)

Um dos mecanismos através dos quais a sociedade consegue que as pessoas se conformem a ela é criar um ideal e fazer com que as pessoas o imitem voluntariamente. (...)

Nem sempre o ideal que imitamos é o melhor. Há a imitação de Al Capone, infelizmente, e a imitação do jovem duro que anda por aí a porrada nas pessoas; há imitação de cantores de rock and roll, e assim por diante. O processo sempre existe, em qualquer sociedade, e sempre existirá. O que devemos descobrir é algum método para aproveitar ao máximo esse impulso social de conformidade. (...)

Dentro dos limites da lei e da ordem, tentar e permitir que todo o indivíduo se desenvolva conforme as leis do seu próprio ser, e conforme o princípio religioso de que a alma individual é infinitamente valiosa. O nosso ideal deveria ser o que o filósofo de Chicago, Charles Morris, descreveu no seu livro "The Open Self": uma sociedade aberta, constituída de eus abertos.

Aldous Huxley
A situação humana. São Paulo: Biblioteca Azul, 2016.

A glória é fugaz, mas a obscuridade é eterna

E sabe que serão importantes na história um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer.

Inclusive mais amor inclui uma alerteza maior para achar bonito o que nem mesmo bonito é.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica O “verdadeiro” romance.

...Mais

Quero representar uma diversão inocente. Há poucos divertimentos que não sejam culpáveis!