Feliz aniversário, filha: 71 mensagens para celebrar o seu dia

visões da alienação
a morte contemplar
extenso ador
mero sonho...
virtuoso ar que amo.

estamos juntos
por tanto tempo
que nem tempo
temos para
estarmos juntos

a vida perde o sentido...
aos poucos sumimos,
mais nada sem aplausos...
na agonia de tantos momentos
a imensidão vazia...

Toda forma de amor é válida, proibida de ser censurada, obrigatória de ser compreendida.
Pois o amor é o maior sentimento que o ser humano carrega consigo, a maior benesse, a maior graça do homem.

Nos meses de outono eu varro a sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.

Ele dizia que eu era linda. E me fazia ter coragem. Ou melhor: fazia-me ver a coragem que há em mim.

Sinto o peito apertar.
O ar falta aos pulmões e
é difícil respirar.
As lágrimas insistem
em molhar o travesseiro.
Sinto a boca secar e
há um mar de mágoas
que eu ainda preciso
mastigar...
depois engolir.
O nó da garganta
é que não deixa.
O sabor amargo
das desilusões
tem me enjoado.
Peraí...

Acho que vou
vomitar

Amar a criação do Eterno é aceitar e respeitar a diversidade. Infeliz do povo que deseja uniformizar a humanidade.

É preciso ter forças para seguir em frente
quando o chão desaparece debaixo dos pés.
É preciso ter coragem para encarar o sol da manhã
quando a noite ainda mantém seu peito no breu.
É preciso ter coração para lutar pelos seus sonhos
quando todos dizem que você nunca vai conseguir.
É preciso ter fibra para reconhecer os erros e desvios de rota
quando todos te apontam o dedo julgador.
É preciso ter pulso para se perdoar e
assumir que nem todas as escolhas foram acertadas.

É preciso
mesmo que não baste.

A TERCEIRA LÁGRIMA

Se o homem destemido jamais chora
Eu digo que até Deus pode chorar
Pois já que tudo pode, a qualquer hora
Pode também, sentido, lacrimar.

Pois vi, num rosto, a fome da criança
Carente, solitária, numa praça
Todo amargor, toda desesperança
Daquela vida só, fria, sem jaça.

Seus olhos eram vozes a implorar
Era um espelho, a angústia em seu olhar
A refletir, dolente, os olhos meus.

Sem entender o senso do destino
Vi merejar nos olhos do menino
Plácida e triste a lágrima de Deus!

Oldney Lopes©

TOLICES

"Todas as cartas de amor são ridículas"
Pessoa bem o disse, com razão
Uma fala de amor é uma gotícula
No mar revolto e turvo da paixão

Pior quando há palavras de ironia
Camuflando os agrores do ciúme
Instigando o torpor de uma agonia
Que surge, imotivada, num queixume

Prefiro então ridículas tolices
Declarações, ainda que mesmices,
Palavras ternas de doce sabor

Então desejo pois de minha amada:
Se para me dizer não tem mais nada
Diga-me ao menos tolices de amor!

ELA

Ela me afoga, ela me traz à tona
Ela me me mata e traz de volta a vida
Ela me acolhe e cuida e me abandona
Prende, encurrala e mostra-me a saída

É ela quem acende a luz nas noites
E apaga a escuridão no amanhecer
E acaricia-me com seus açoites
E me maltrata com seu bem-querer

É ela a minha musa mais dileta
Ela é meu rio: curso, leito e borda
É ela o meu trajeto, a curva, a reta

Que guia-me nos sonhos e me acorda
Que quando estou vazio me completa
E que quando estou pleno me transborda!

Oldney Lopes©

INDIZÍVEL

Pobre incapaz, nosso vocabulário
Que tenta definir o que é o amor
Jamais o encontrará no dicionário
Quem nunca houver provado o seu sabor

Amor nunca se explica com palavras
É mais do que a maçã, mais que a serpente
Amor é amo e faz de almas escravas
Amor é servo e serve a quem o sente

Amor é assim: princípio, meio e fim
Raiz e solo, orvalho e flor, jardim
É dupla eternidade em todo agora

Vida de dois em um, da carne ao pó
Dois corações pulsando como um só
Uma só alma, que em dois corpos mora!

Oldney Lopes©

FUGAZ

Amor de sonho e vida e de esperança
Que por ventura e gáudio logrei tê-lo
Foi sonho e vida que curtí com zelo
Com esperança firme e confiança

Mas triste é amor que morre em tenra idade
Que é de um sonho, quando cessa o lume?
Que é da vida, evolado o perfume?
E da esperança, cessada a vontade?

Percebo deste amor o esvoaçar
Enevoar, perder-se na distância,
E dissipar-se em prantos eternais

É sonho - esvaído ao despertar
É vida - envelhecida já na infância
Esperança - chamada nunca mais!

Oldney Lopes©

DESDÉM

Já não espero mais pelos carinhos
E muito menos peço por amor
Já percebo, nas flores, mais espinhos
E vejo sombra onde foi esplendor

Tudo o que peço agora é atenção
Um "bom dia", um "boa noite", um "tudo ok"
Presença que me extirpe a solidão
Uma resposta, um gesto ou um "não sei"...

Prefiro um rude não ao cruel desdém
Quando só peço um doce querer bem
Rogo atenção e espero, paciente

Mas eis que essa alma, fria como um gelo,
Ignora e menospreza o meu apelo
Nem se cala, nem nega e nem consente!

ESPADA E FLOR

As palavras, ditosas e benditas,
São também como espadas ou navalhas
Podem ser as derrotas nas batalhas
Ou grande trunfo quando não são ditas

Cultivar o silêncio como flor
E cuidar de calar mais que dizer
Resulta triunfar mais que sofrer
Confere mais alívio do que dor

O silêncio é uma jóia preciosa
Sutil como uma pétala de rosa
Mas firme nas contendas mais renhidas

Assim se escolhe entre ter gáudio ou dor:
Ser do silêncio seu amo e senhor
Ou servo das palavras proferidas!

Oldney Lopes©

NA MADRUGADA

É madrugada, sei que estás dormindo
Talvez sorrindo, alegre, no teu sonho
E me ponho a pensar se choro ou brindo
Se é lindo o teu sonhar ou se é tristonho

Queria estar morando em tua mente
No que sentes ou pensas, no que sonhas
Mas nas tristonhas horas, num repente
A serpente do ciúme me abocanha

Sonha comigo, amor, pois me apavora
Pensar que no teu sonho um outro mora
Sonha sonhos de amor, não te envergonha

Mas como não pedir, neste queixume,
Se até dos sonhos teus sinto ciúme
Sonha comigo, amor, ou nada sonha!

Oldney Lopes ©

Tem algo de errado com o Chucky.

Se eles não nos deixarem brincar, todos eles vão sumir.

CONSTELAÇÃO

Sem ti sou um epíteto do nada
Refuljo toda vez que te aproximas
Olhando o céu na noite enluarada
A tua imagem doce me sublima

Quando acordo sem ti fico tristonho
Se te busco no início estás no fim
Se me ponho a dormir estás no sonho
Como fujo de ti, se estás em mim?

Olhar-te como estrela é minha sina
És como o sol que brilha e me ilumina
Como uma lua em todo o seu clarão

Mas não podes, se a noite se insinua,
Ser sequer o meu sol ou minha lua
Pois que já és minha constelação!