Fechado
Continho
São Bento, próximo à Cracolância. Samáforo fechado. Carro parado. Uma mão pequena bate no vidro do carro. Abro o vidro.
"Dona, vou lavar o vidro!"
Não precisa, não!
"Precisa sim, dona; tá sujo!"
Não precisa!
"Precisa!"
Seu engraçadinho duma figa! Cadê teus pais pra te levar pra escola?
"Não tenho pais, não, dona."
E onde você mora?
"Na rua."
Será que existe paixão de pele, alma e coração? Meu coração está congelado, fechado, estagnado. Será que parei no tempo? Mas minha alma ainda vive um amor descompassado, passado, eternizado.
Hoje estou fechado para balanço. Se bater e ninguém atender. Volte mais tarde. Se chamar e ninguém responder. Não insista. Se gritar e o silêncio prosperar. Simplesmente desista. Amanhã quem sabe eu volte. Quem sabe eu lhe procure. Se não o fizer é porque prolonguei o meu descanso.
Sorriso fechado, sorrindo pra baixo, mexendo nas mãos, conversa chata, timidez paira, enquanto eu escuto o quanto tímida e calada sou.
Um sorriso é o melhor que posso oferecer-lhe ante o seu que se mantêm fechado como um em dia nublado.
Um abraço é o melhor que posso oferecer-lhe ante o seu que se encontra perdido e desamparado.
O meu calor é o melhor que posso oferecer-lhe para lhe aquecer ante o frio que emana do seu interior.
O meu amor é o melhor que posso oferecer-lhe ante sua descrença e desconfiança acerca do que sinto por você.
Uma lágrima é o melhor que posso oferecer-lhe, como prova do amor que sinto por você, pois amor maior e verdadeiro não há.
Libertar e alimentar a sua alma é o melhor que posso fazer, quando essa se encontrar perdida e faminta.
Gritar ao mundo o quão você é importante para mim é o melhor que posso fazer, quando as duvidas pairarem sobre sua cabeça.
Dar-lhe a mão e guiar-lhe é o melhor que posso fazer, quando você perder o rumo em suas caminhadas.
Regatar-lhe e trazer-lhe novamente a vida é o que melhor que posso fazer, quando você pensar em desistir da vida.
Aconselhar-lhe é o que melhor posso fazer, quando você confundir razão com coração, deixar de ser racional e se tornar passional.
Tornar-me um “palhaço” e tentar lhe alegrar com minhas palhaçadas é o melhor que posso fazer quando você sentir-se só.
Em fim tudo que posso oferecer-lhe, certamente irei o fazer, pois você é o meu vicio maior e de você sou totalmente dependente, um louco embriagado e apaixonado.
Eu sou um mundo fechado, com sorrisos longos, ciúmes cruéis, sensibilidade alta, sinceridade existente.
Por muito tempo pensei que amar fosse um erro, e o meu coração fechado de tristeza tinha medo, por tantas vezes pensei que o momento era cedo...
Já que qualquer mundo é, por definição, fechado em si mesmo e, para quem vive nele, é também tudo o que existe.
É necessário morrer mais de 240 pessoas em um espaço fechado para o Brasil ficar de luto.
As mortes que acontecem todos os dias e que são ligadas a violência, drogas, corrupção, fome, falta de vagas em hospitais, omissão da sociedade, não são suficientes para uma reflexão?
Um cidadão que só "reflete" sobre as tragédias do seu país quando todos estão refletindo, não reflete. Apenas segue a moda!
As tragedias acontecem todos os dias, em todos os lugares, até que ponto isso é luto e até que ponto é hipocrisia?
Eduarda and Estrela
O meu coração está fechado, toma a chave e guarda bem;
podes ficar descansado, porque não o abro a mais ninguém...
E lá fora, chuva. O tempo se encontra fechado, nublado.
Coração geme os desajustes gerados ...
Densa mágoa, a altura da garganta, trava tudo.
Suspiro de não contentamento lástima vil do ego.
E por um instante tudo gira, se inverte,
O dia, lindo dia, se converte em escuridão,
O sol em chuva, e os teus raios em trovões.
Ecoam-se os gritos angustiados,
Latentes, fortes e veementes,
Traçados mediante conduta conturbada,
Puro desconcerto do acaso, triste acaso.
E lá fora, chuva, riso em choro,
Felicidades em tristeza e assim se vai ...
A vida e seus desconfortos,
O ser humano e seu lado humano.
Vivo as vezes na mais completa solidão. Fechado dentro de um palácio cheio de incensos e fotografias de mim mesmo.
Estava distante, sem expressão
Diferente do que costumo ser
Rosto fechado, semblante na mão
Que jeito doido de querer convencer
A pressa apunhalou-me sem piedade
Meu olhar vagou num infinito sem cor
Perdi meu nexo, minha sanidade
E foi-se embora o meu tão medonho torpor
Estranho seja meu coração que me maltrata
Minha memória não produz lembranças
O ontem é vago, o hoje é nada
E o amanhã traz consigo suas vinganças
Estava enfadado, frio
Metáforas são labirintos que às vezes não tem saída
Assim sou eu, outrora sem brio
Agora uma expressão que procura sua face de vida
Decifra-me
Sou livro fechado
Sentimentos entulhados
Palavras não ditas e sensações infinitas
Decifra-me
Sou quebra-cabeça
Encontre-me e traduza-me
Da tua maneira
De acordo com a tua visão
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