Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
Me cansei de ficar mudo
Sem tentar
Sem falar
Mas não posso deixar tudo
Como está
Como está, você?
Tô vivendo por viver
Tô cansada de chorar
Não sei mais o que fazer
Você tem que me ajudar
Tá difícil esquecer
Impossível não lembrar você
E você, como está?
Com o fim do nosso amor
Eu também tô por aí
Eu não sei pra onde eu vou
Quantas noites sem dormir
Alivia a minha dor
E me faça, por favor
Sorrir
Vem pros meus braços
Meu amor, meu acalanto
Leva esse pranto pra bem longe
de nós dois
Não deixe nada pra depois
É a saudade que me diz
Que ainda é tempo pra viver feliz
Formata o teu coração, renicia tudo de novo.
Foste efectado pelos viros da magua.
Desta vez não esqueça instalar o avast (Eu), para proteger o teu coração contra viros (Sofrimento).
O pensamento não se submete a cárceres
Nem o sentimento à tabela periódica
E a poesia, coitada, não é versada em lógica.
Só os poetas, estes tontos, dizem
o que precisam dizer...
Mas, é necessário, muito tempo, para limpar feridas. Para elas sararem, e apenas, serem cicatrizes que passam despercebidas.
Durante muito tempo, quis ter-te de volta. Quis, que voltássemos a ser apaixonados, um pelo outro. Confesso que me enganei!
Os dias prósperos não vêm por acaso. São granjeados, como as searas, com muita fadiga e com muitos intervalos de desalento.
É, sem dúvida, próprio do homem enganar-se na escolha das companhias, mas também o é não dar facilmente o braço a torcer.
Pastelaria
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
A calúnia é como uma moeda falsa: muitos que não gostariam de a ter emitido, fazem-na circular sem escrúpulos.
A mulher raras vezes entende que amá-la eternamente não significa amá-la sem interrupção durante todo esse tempo.
Faço dizer aos outros aquilo que não posso dizer tão bem, quer por debilidade da minha linguagem, quer por fraqueza dos meus sentidos.
