Fazia Tempo que eu Nao me Sentia Tao Sentimental
A vida é um processo constante de transformação: ninguém fica no casulo mais tempo que o necessário para se transformar em borboleta.
Em algum momento até a poeira precisa partir.
Ao nosso tempo, sempre ao nosso tempo, precisamos escolher em desfazer do passado material que vai deixar o apego mental, também, mais fácil de ser transmutado.
O sonho, o novo que tanto desejamos precisa de espaço, e nos cabe escolher abrir esse cantinho da vida para a chegada plena dessa conquista.
O Tempo é incontrolável, implacável e imparável.
Trecho do livro Quantos Contos - Reflexões sobre a vida quotidiana
A ampulheta
A ampulheta do tempo
Com seus grãos de areia.
Cada segundo; minuto; hora; ano
Pode ser perdido ou ganhado a cada grão.
Rodam sem parar.
A cada último grão o tempo passa.
Tudo que vi agora é passado.
Não posso voltar atrás, se eu à pudesse parar ficaria presa; paralisada.
Não há nada que posso fazer.
O tempo tem que passar.
Os grãos tem que cair.
E quando chegar o último grão
Estarei esperando...
Para que tudo se reinicie.
Para que tudo comece de novo.
Para que o ciclo continue.
Porque assim é a vida.
O tempo tem que passar.
E temos que vivê-lo...
Até o dia do nosso último grão...
Cair...
“O tempo cura tudo? Não!
O tempo somente cura o que já estiver decidido. No fundo, uma verdade bastante simples. Os fins só são superados depois de se tornarem fins. Machucados apenas cicatrizam quando decidimos nunca mais tocar os descasos que tanto nos feriram.
De nada vale esperar o tempo passar se insistimos em voltar para onde não deveríamos. Se continuamos revivendo as mágoas daqueles que não merecem mais um único instante das nossas vidas. Uma simples verdade, ainda assim tão difícil de ser vivida. Por quê? Talvez por medo. Talvez pelo receio da solidão e de perder algo que nunca nos pertenceu. De certa forma, nós sempre estaremos sozinhos. A solidão é inevitável.
O sofrimento não. Uma hora podemos simplesmente deixá-lo para trás. Podemos decidir seguir. Uma generosidade não apenas com nós mesmos, mas também com o tempo. Afinal, além de escasso, ele só cura o que já estiver decidido. Então, por favor, evite os desperdícios."
O amor é a verdade, por isso acima de tudo ele também é o tempo, pois só o tempo nos mostra se é verdade.
O TEMPO
O que é o tempo, senão uma onda de instantes
Maleáveis como as tardes frias de inverno,
Desprendidas de todas as leis e regras,
Puramente livres e, por consequência, poéticas.
Instantes que se enchem como um balde,
Que debaixo da goteira, ligeiramente e devagar,
Transborda por sua borda e molha o chão da sala,
Fazendo lembrar a importância de se consertar
O telhado antes que surja a tempestade das adversidades.
Ora, porém, o tempo não se mede em números,
Ora, porém, o tempo causa nó no próprio tempo,
Fazendo enganar-se aquele que o percebe assim,
Em um trajeto contínuo entre passado, presente e futuro.
Para além de mero algoritmo e rotina,
Superando os segundos, minutos e horas,
O tempo é, sobretudo, um sujeito romântico,
Sendo, portanto, para nossa sorte, uma incógnita,
Uma onda de instantes e infinitas possibilidades.
Me atrevo a imaginá-lo como um sujeito simples,
De passos calmos, sorriso largo e descalço,
Que, gentilmente, todos dias bate à sua porta, e convida:
Vamos ver o sol nascer hoje?
Trecho: O Tempo, parte I.
O TEMPO
Fugindo do tempo ou indo em sua direção,
O caminho se faz a beira do mar,
Numa manhã de domingo, sol e verão,
Ou em uma tarde fria de inverno,
Com os pelos do corpo arrepiados
Pelo toque das brisas marítimas.
Por natureza, um caminho que se faz em companhia,
Na companhia de si, da felicidade que aflora na liberdade,
Nutrida na vital sensatez de causa e efeito.
E com sorte, sem pressa, a companhia de um par,
Um afago para o peito de uma dança a dois,
Uma atração irresistível entre corpos,
Um chamego (e)terno entre almas.
Ah, o Tempo...
Que não espera, não pausa e não volta,
Apenas se permite existir enquanto houver porquê.
Trecho: O Tempo, parte II.
Saiba que sua amizade tem um tempo limite, como uma bomba prestes a explodir.
tic.. tac..tic.. tac...
As reticências ainda dormem
nas ruínas das destruições
do tempo estupido e visceral
Antenas anônimas captam
ruídos ruidosos da rua e as
câmaras indolentes
filmam a metrópole aflita
Respingos de caos e sombras
no muro baleado – imóvel -
grafitado de aflições efêmeras
ante os trilhos do destino
Só os egos não veem os fósseis
- Não só Judas, nem só Gení –
Empáfia máfia repugnante:
quem manda pode?
O sol já está lá fora
nem sei quanto tempo
Dias e horas esperando a porta se abrir
Então a luz sufoca a solidão
Os olhos se abrem novamente
e lentamente vou me encontrando por aí
Não tenho hora pra voltar
mas, se ficar com saudades,
sabe bem onde me encontrar
Talvez em um filme,
em um livro,
numa canção, quem sabe
Talvez no versos dessa melodia,
ou em uma poesia qualquer.
O tempo pode apagar as lembranças de um corpo ou de um momento. Mas jamais apagará as cicatrizes, deixada pelas palavras.
O que fica é o que verdadeiramente tem que ficar. No tempo que for sem pressa só aguardar. E o saldo? Um bônus pra vida andar.
Sempre que possível tire um tempo para você, nesta ocasião procure refletir um pouco sobre a vida, afastando-se da tecnologia e buscando a tranquilidade.
