Faz de Conta Qu eu Acredito
"O abalo é apenas a prova de que estou fora da zona de conforto. Se o caminho fosse fácil, qualquer um faria; o meu ganho está justamente em superar as pedras que tentam me parar."
A maldade dessas pessoas que tentam ridicularizar ideias mirabolantes é o atestado definitivo de que elas são reféns da própria mediocridade, incapazes de tolerar a luz de quem ousa brilhar de verdade.
"Mentes mirabolantes costumam ser as mais gentis da sala. Elas não querem vencer os outros; querem vencer os limites que o mundo impõe à generosidade."
Tratar as pessoas com educação e respeito não depende de quem elas são ou do que têm, mas de quem nós escolhemos ser: reflexos do bem.
E mais um Ano se vai e com ele as tristezas, as alegrias, os sorrisos, os ganhos e as perdas..e o que fica são as lembranças e o aprendizado...o desejo de mudança, a esperança num novo tempo..o que fica somos nós modificados pelo ontem....o que fica somos nós com novas experiências e novos desejos .. e com mais uma chance de mudar nosso amanhã!
Gritam vozes
que a dor é passageira,
assim como a vida,
deve ser por esse motivo
que viver dói tanto.
Toda grande ideia que parte da cabeça do homem é um grande passo para o futuro,
mas todo ideal que parte do coração de Deus é um grande salto para a humanidade.
Aqueles que condenam grandes revoluções são os mesmos capazes de apagar com um sopro as velas, que surgem como clarividência da individualidade.
Foi no outono que os ventos sinuosos do destino desfolharam minhas pétalas, mas foi na primavera que a esperança ao me alcançar me fez recuperar todas as flores.
A Tenda.
"Quero habitar para sempre na tua tenda e refugir-me no abrigo das tuas asas"
- Salmos 61.4
No vale, constrói-se a história.
No deserto, constroem-se as experiências.
No monte, constrói-se o relacionamento.
Na caverna, reconhecemos a nossa necessidade.
Na cova, contemplamos a providência.
No Getsêmani, aprendemos a rendição em meio à necessidade.
Na casa, encontramos o conforto.
Mas é na tenda que tudo isso se encontra.
É na tenda que a história ganha propósito, as experiências encontram sentido, o relacionamento se fortalece, a necessidade é suprida, a providência se revela e o conforto dá lugar à presença de Deus.
Por Ubirajara Almeida
Estado de Suspensão
Pareço ter nascido em coma,
entre o despertar e o esquecimento,
como quem abre os olhos
sem jamais alcançar a vigília.
Tudo anuncia um princípio,
como a aurora que promete eternidade,
mas, antes que o primeiro passo encontre o chão,
o caminho já se dissolveu.
As sementes ensaiam romper a terra,
contudo, fenecem antes da primavera.
Os horizontes acenam com abundância,
e recuam no instante em que me aproximo.
Nada se concretiza.
As formas apenas simulam permanência.
O futuro veste-se de certeza,
para despir-se em um único piscar de olhos.
Coleciono começos
como quem herda ruínas.
Cada esperança ergue um edifício,
e cada instante o reduz ao pó.
Talvez a vida seja apenas
uma arquitetura de miragens,
onde tudo parece prestes a existir,
mas escolhe permanecer possibilidade.
E sigo...
não entre vitórias ou fracassos,
mas entre o quase e o jamais,
como alguém condenado
a contemplar o nascimento das coisas
sem nunca assistir ao seu florescer.
Ficou aquele olhar... algo interpelando as razões da vida; o que nos conduz, o que nos acorda, o que nos levanta, o que nos faz respirar; sonhos e paixões. A eternidade em poucos segundos. As estrelas explodem criando supernovas; fatos, criações e a cultura secular de uma civilização tornam se a história, mas eternidade é algo bem subjetivo: primaveras, outonos, invernos e verões... momentos felizes ou agruras superadas; cicatrizes, cumplicidades e boas lembranças que fazem valer o parasempre. Teremos outras manhãs, só não olhe pelo retrovisor, não procure eclipses não faça promessas; e o meteoro que vem em nossa direção... não ouça tudo o que dizem, não acredite em tudo que falam, não peça que eu bata, que eu enforque, não se entregue tanto a esse vício chamado paixão... dentro de mim tem um vem-vem que pode voar bem longe, mas que faz valer seu nome. As grades não podem conter esse pássaro que há em mim. Ficou aquele olhar inquisitivo... um cheiro de pólvora, o cano do “Smith’’ fumegando... então eu volto como se pudesse refazer tardes tépidas dos sábados inesquecíveis, noites brilhantes quando contemplávamos constelações e eu tentava entender o enigma de capricórnio, ou noites chuvosas e incitantes ao prazer; então há um bloqueio, e eu me encontro aqui: olhares estranhos, palavras inquietantes, pessoas abstratas. O homem com a toga jamais entenderia que nenhuma sentença me condenaria mais que aquele olhar, o corpo sem vida, olhos arregalados incapazes de compreender de como a paixão pode ser letal. Jamais compreenderia que antes do homicídio eu já tinha sido assassinado.
O tempo parece que parou, aqui se perde noção de hora ou dia, mas nada me faz esquecer as nossas sextas-feiras ali na lagoa. Petra, a garota do açaí, já tinha me falado da ruiva que circulava ali numa Caloi; e quando nos conhecemos confesso que aquela intimidade me perturbava; mas as mulheres compartilham seus segredos, coisa que só outra mulher compreende, mas aquela cumplicidade me incomodava; mensagens no whatsapp, chamadas longas, sussurros... na manhã daquele sábado passei no ” pinga fogo” revi velhos conhecidos meus e seus, ouvi comentários indesejáveis, risos sarcásticos e talvez tenha bebido além da conta; quando ia saindo, uma prima sua ainda veio me provocar: ”o que a Iranir viu em você” -o que você não viu nem vai ver nunca, respondi. Mara, Liana, Nilde... tento comparar, repovoar, detalhar; agora era diferente, os momentos difíceis eram compartilhados assim como as alegrias. A forma de como tudo aconteceu não foi por um sentimento de posse, foi o cuidado excessivo de preservar algo precioso.
As manhãs de domingo ali na Lagoa... a garota na Caloi já fazia parte da paisagem; o Cristo Redentor lá de cima parecia uma sentinela para que tudo corresse dentro da normalidade.
Dez anos passados, a Lagoa continua acolhedora, a moça do açaí agora é uma afrodescendente: Dina tem um sorriso encantador, veste a camisa do fluminense e me confessou que leu AMORAMORA; e que não compreendia como alguém com tanta sensibilidade... tudo vai muito além dos bloqueios que nos afligem a alma; e as coisas acontecem exatamente pela sensibilidade, mas o redentor nos acolhe misericordioso como aquele que nos permite caminhar na tênue linha entre a paixão e a razão.
Não brincar o tempo todo.
A prudência é reconhecida pela seriedade e granjeia mais respeito do que talento. Quem vive brincando não é um homem que mereça confiança. São comparados aos mentirosos e nunca lhes dão crédito. De um tememos a trapaça, do outro, a zombaria. Nunca se sabe quando estão exercitando o juízo, o que equivale a não tê-lo. Não existe humor pior do que o contínuo. Alguns ganham fama de espirituoso e perdem a de sensato. Há momentos para o riso, mas o resto do tempo pertence à seriedade.
“Fico só, isolado no mundo, ponto pequenino na imensidão da massa populacional. Importante é que sou ciente disso.”
