Faz de Conta Qu eu Acredito

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Quanta gente ainda teima em buscar a paz fazendo guerra?

Havia ali a massa de um homem futuro, à espera que os anos, cuja ação é lenta, oportuna e inevitável, lhe dessem flacidez ao caráter e virilidade à razão.

Machado de Assis
Iaiá Garcia

Bom dia, com imensa alegria, a paz esteja com todos nós!
Que Deus nos ilumine nesta nova caminhada.
Que sol brilhe, que chuva caia e que amor floresça!

O caminho mais curto é o caminho da mentira.

A morte nunca é uma solução, se as vezes queremos morrer, significa que queremos deixar de ser humanos.

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(Heterônimo de Fernando Pessoa)

O sono não gosta de mim. Ele me rodeia, mas nunca quer ficar comigo.

"Reflexões". Resende, 07 de Fevereiro de 2016.

Há no amor um gérmen de ódio que pode vir a desenvolver-se depois.

Machado de Assis
A Mão e a Luva (1874).

E o platônico cede seu lugar à realidade. E tudo permanece bem, até que se prove o contrário.

Nada mais indigno do que mendigar atenção.

Aos amantes não amados, não um conselho, mas um intento amoroso.
Abandonar as roupas usadas e ousar novos caminhos. É um desperdício deixar o burrinho interminável da teimosia, roubar a preciosidade da solidão e do silêncio. Não há por que ter medo.
É bom ficar a sós e reconstruir com pedras e enfeitar com flores os sobrados que se desmancharam por aí. Talvez não fique igual. Talvez seja melhor que nasça diferente.
As comparações podem ser corrosivas do metal nobre da escultura em modelagem ainda frágil. Não há pessoas iguais nem sentimentos iguais. Há novas tentativas, novas formas de descobrir e dar significado a um rosto que era só multidão.

Amor apaixonado


Como não te amar
Como posso não te querer
Se depois que te conheci
Parei de chorar e sofrer
Se todo gesto de carinho que recebo
Sempre vem de você
Talvez você não saiba...
E nunca chegue a saber...
Mas acho que estou começando
A te amar pra valer,
Porem reconheço
Que te amar é errado
Mas não tive culpa
foi um amor inesperado
ironicamente uma simples amizade
Transformou-se nesse amor apaixonado.

Onde habita a Luz Divina não existem trevas... É uma separação tão evidente como a não consubstanciação da água com o óleo.

Quero cuidar de você da melhor forma possível, poder encostar sua cabeça no meu colo e fazer cafuné no seu cabelo, mostrar tudo que eu tenho e que eu posso lhe oferecer, quero poder te dar um beijo quando você diz que está com frio, te dar todo meu eu quando você precisar de alguém ao seu lado. Desejo sair contigo, dar as mãos na praia e dizer: vamos correr? E assim correr... Você deita na areia e
eu deito ao seu lado e observamos as nuvens, como são belas e passageiras.
Nuvens passageiras como os sonhos que tenho contigo, nos quais não quero me apegar, quero sua realidade, teu toque, seus beijos, seus abraços, mas quero tanto poder ouvir tua voz suave dizer ao meu ouvido bem devagar que é ao meu lado que você quer passar o resto dia. Porque você não diz ''fica'', quando estou me despedindo? Deixe-me olhar seu rosto molhado com a água do mar, teus cabelos secando ao sentir o vento e teus olhos brilharem ao ver que estou indo ao seu encontro.
Saiba que eu quando você canta aquela música eu a ouço em várias vezes quando você não está presente, pois é uma parte de você que vai ficar nela. Eu recordo cada detalhe do teu corpo, cada sinal... Quero poder ouvir você dizendo pra eu te tocar, pra eu te beijar e te sentir. Vem que desejo sentir seu corpo molhado junto ao meu, quero sentir o seu perfume e o perfume de teu corpo e guardar pra mim em recordações cada momento, para poder suprir com memórias os pequenos momentos em que você não estará presente. Com você o pecado parece mais simples, mais atraente; vejo todo esse mundo em seu olhar de espelho que é tão profundo que me enxergo através dele.

Poema do Dia das Mães

Mãe, sem você não sei viver;
Sem você não sei amar;
Sem você não sei cantar;
Mãe, não existo sem você!
Mãe, te amo!

A velhice nos trás direitos maravilhosos. Enquanto a juventude é cheia de obrigações. A velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade. Porque mais cedo ou mais tarde iremos experimentar esse território desconcertante da inutilidade. Esse é o movimento natural da vida.
Perder a juventude é você perder a sua utilidade, é uma conseqüência natural da idade que chega. A velhice é o tempo em que passa-se a utilidade e aí ficasse somente o significado da pessoa. É o momento que a gente se purifica.
É o momento que a gente vai tendo a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama pra ficar até o fim aquele que, depois da nossa utilidade, descobriu o nosso significado.
É por isso que sempre rezo para envelhecer ao lado de quem me ama. Para poder ter a tranqüilidade de não ser útil, mas ao mesmo tempo não perder o valor. Se você quiser saber se alguém te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém?
Pergunte a si mesmo, quem nesta vida que pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora. E é assim que nós descobrimos o significado do amor... Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim!
Feliz daquele que tem ao fim da vida, a graça de ser olhado nos olhos, e ouvir a fala que diz: - Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”

Ainda Não é o Fim

Escondo o medo e avanço. Devagar.
Ainda não é o fim. É bom andar,
mesmo de pernas bambas. Entre os álamos,
no vento anoitecido, ouço de novo
(com os mesmos ouvidos que escutaram
“Mata aqui mesmo?”) um riso de menina.
Estou quase canção, não vou morrer
agora, de mim mesmo, mal livrado
de recente e total morte de fogo.
A vida me reclama: a moça nua
me chama da janela, e nunca mais
e lembrarei sequer dos olhos dela.
Posso seguir andando como um homem
entre rosas e pombos e cabelos
que em prazo certo me devolverão
ao sonho que me queima o coração.
Muito perdi, mas amo o que sobrou.
Alguma dor, pungindo cristalina,
alguma estrela, um rosto de campina.
Com o que sobrou, avanço, devagar.
Se avançar é saber, lâmina ardendo
na flor do cerebelo, porque foi
que a alegria, a alegria começando
a se abrir, de repente teve fim.
Mas que avançar no chão ferido seja
também saber o que fazer de mim.

O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes
Jardim Noturno - Poemas Inéditos

Trazia estrelas no cabelo, labaredas no olhar. Ardia na noite escura, transformando-se na própria lua e um esplendoroso luar.

Esperto não é aquele que perde seu tempo contando suas vantagens, esperto é aquele que observa tudo em silêncio, aprimorando sua inteligência e aprendendo o que é certo e errado.