Faz de Conta Qu eu Acredito

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ESPELHO QUE SUSSURRA O AMANHÃ.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Do Livro: Do Meu Eu.

O pronunciamento na frase: " Exatamente! Bom seria se ao olharmos no espelho e o reflexo nos dissesse te vejo ainda amanhã. " invocamos um desejo antigo como a própria consciência o de que a alma encontre permanência dentro do próprio corpo. O espelho torna_se então uma fronteira silenciosa entre o que somos e o que tememos deixar de ser. Diante dele o rosto não é apenas rosto é memória condensada é promessa que tenta sobreviver ao esquecimento.

Há instantes em que o reflexo parece perguntar:
_ Quem és tu? Quando ninguém te observa e em outros murmura quase como confidência: _ Vejo-te cansado mas não vencido. Porém o que verdadeiramente nos comoveria seria ouvi-lo afirmar com ternura: _ Te vejo ainda amanhã como se reconhecesse em nós uma centelha que resiste apesar das sombras que recolhem nossos passos.

Amanhã é palavra que se curva ao tempo mas aqui assume outro significado torna se permanência íntima fidelidade a nós mesmos. O reflexo que promete reencontro não fala da matéria mas da lucidez do caráter da chama que não deseja se apagar. E assim contemplamos o vidro como quem se inclina diante de um oráculo discreto buscando nele não a vaidade mas a continuidade do espírito.

O espelho nos é sempre este guardião que nos recorda que não estamos fragmentados, que o nosso melhor não se perdeu na noite e que o nosso amanhã ainda nos espera com a dignidade de quem confia em nossa própria luz renovada. Pois quando a alma reconhece a si mesma nada lhe rouba o brilho da sua permanência sutil e inexaurível.

Ó mestre, eu permito que tu me persigas.
“Jesus, ó meu Mestre, meu Guia, minha dor amada… eu permito que Tu me persigas, se for na direção da Tua luz.”

Há corações que já não pedem consolo, pedem apenas sentido. E nesse instante sagrado, quando o Espírito se ajoelha diante do invisível, nasce a verdadeira prece aquela que não suplica por alívio, mas por permanência na Vontade Divina.

Há dores que não ferem, purificam. Há lágrimas que não denunciam fraqueza, mas lavam o que ainda é humano demais dentro de nós. Quando a alma pronuncia esse “eu permito”, ela não se entrega à fatalidade, mas à consciência daquilo que a move: o Amor que corrige, que chama, que transforma.

Não é a perseguição do castigo, é a perseguição da graça. O Mestre não vem para punir, vem para fazer de cada ferida um altar, de cada queda uma oportunidade de renascer. A perseguição de Jesus é o toque suave da Verdade que não desiste de nós, mesmo quando fugimos do espelho da própria consciência.

Quem assim se entrega já não busca milagres, busca entendimento. Já não deseja o conforto do corpo, mas o repouso da alma em Sua presença. É o instante em que o “eu” se dissolve e resta apenas o silêncio luminoso de quem ama sem pedir, de quem serve sem pesar, de quem sofre sem revolta.

E nessa entrega sem nome, sem forma e sem recompensa, a alma descobre que a dor, quando amada, deixa de ser dor. Torna-se caminho. Torna-se luz.

Eu não queria escrever sobre ir embora.
Nunca foi isso.

Eu queria escrever sobre quem fica.
Sobre a mão que não solta.
Sobre o homem que escolhe permanecer
mesmo quando a vida aperta,
mesmo quando o desejo muda de lugar,
mesmo quando o silêncio começa a falar.

Passei a vida inteira tentando entender
por que algumas pessoas são escolhidas
e outras precisam aprender a sobreviver
com a sensação de terem sido deixadas para trás.

Talvez por isso eu goste tanto do ficar.

Porque eu sei o que é esperar.
Sei o que é ouvir pouco
e sentir demais.
Sei o que é procurar no olhar do outro
a confirmação de que ainda sou desejada,
ainda sou importante,
ainda fui escolhida.

Eu queria o profundo.

Não esse quase.
Não esse vem e vai.
Não essa presença que acende o corpo
e depois se esconde na rotina.

Eu queria ficar sem precisar pedir.
Ser lembrada sem precisar desaparecer.
Ser procurada sem precisar duvidar.

Mas me deram o raso.

E eu, que sempre fui tão boa em nadar sozinha,
às vezes ainda me pego perguntando:

me ensina a ficar?

Ou, pelo menos,
fica comigo mais um pouco.

Antes que eu transforme
mais uma vez
a saudade em lugar para morar.

⁠Permita que eu me conforme em ser sozinha, disse a Poeta.
sfj,pensamentos

Que eu seja um comediante - mas um comediante que pensa, diz Chaplin.
sfj,caracteres⁠

⁠Deus e eu somos maioria.
sfj,reflexões

Neguinha

Eu conheci uma mulher mais velha que eu,
o nome dela é Neguinha,
o presente que Deus me deu.

Tem os olhos pretos,
lindos como a noite,
olhos fumegantes de amor.
E onde eu encontro meu amor,
isso ninguém tira de mim.

O amor que eu tenho por ti
é grande e verdadeiro.
Isso eu exponho
para o mundo inteiro.

Eu sou grato por tudo
que faz por mim.
Por isso, esse poema
eu quis trazer para mim.

Eu te amo com muito amor e reverência.
Fica comigo para sempre,
essa é minha esperança.

Ficar com você para a vida,
essa é minha escolha.
Você não faz ideia
de quem é você para mim,
meu anjo, minha escolha.

Sei que aconteceram várias coisas nesse tempo,
mas uma delas foi sempre
te ver aqui dentro.

Eu já errei,
já paguei com o amor,
mas hoje, nosso amor nos consertou.

Seu coração
é minha maior inspiração.

Me perdoa por tudo, Neguinha.
Seu Neguinho nunca quis seu mal.
Sempre quis você tão bem
e muito decidida.

Você, para mim,
é minha escolha preferida.

De coração aberto,
eu faço esse poema para agradecer.

A borboleta,
onde ela passa,
vira festa.

Eu te amo.

Eu não tô mais esperando ela voltar. Eu tô esperando eu mesmo voltar pro meu corpo.

Eu me sinto um museu vivo de uma história que já faliu.

O algoritmo é o ex mais tóxico que eu já tive.

Hoje eu percebi que eu parei de cair. Não que eu esteja de pé, firme e forte, mas eu parei de despencar.

É como se eu tivesse achado um degrau no meio do poço e resolvido sentar ali por um tempo.

Eu virei um profissional em carregar esse luto sem deixar ele transbordar no meio da rua.

Hoje a cor que eu quero é o dourado dessa cerveja, que é a única coisa que brilha sem me cobrar um sorriso de volta.

Eu sou o único responsável por colorir o meu dia de novo. Ninguém vai vir com uma paleta de cores me resgatar.

Hoje eu preciso de uma bebida que não tenha história, que não tenha safra e que não me lembre de nenhum brinde que a gente deixou de fazer.

Eu me sinto um passageiro clandestino no trem da maturidade.

Eu continuo aqui, firme no balcão, batendo o cartão na minha própria dor.

Dá uma raiva danada perceber o quanto de energia eu gasto só pra parecer um vivente normal aos olhos dos outros.

Eu vivo o dia inteiro como um ator cansado que já decorou o texto, mas que não sente mais a peça.