Faz de Conta Qu eu Acredito
Eu era jovem.
Eu era louco.
Era ousado.
E sei que não era pouco.
Não sou mais o que ja fui
Me esqueci onde estava
E nem sei pra onde vou
“Se eu sonho, se eu sinto, eu sou.
Mas, se eu sou e já não sinto, e menos ainda sonho… será que ainda sou?”
— Augusto Martins
Talvez eu deva ficar aqui
Isolada, trancada, amuada.
Talvez eu deva ser assim:
Ser o que eu nunca fui em mim.
Ou talvez eu deva fazer isto:
No meu viver dar um sumiço.
Alguns dias parecem não ter fim. Talvez eu não esteja perdido talvez apenas esteja condenado a repetir o mesmo ciclo, tentando encontrar no amor uma saída que meu próprio coração nunca me deixa alcançar.
Os pássaros de Brasília
Certo dia, eu caminhava pela mata virgem que existe cerca da minha casa. Pássaros tamborilavam em ritmo de uma canção desconhecida de roça. Um deles, aparentemente o líder, separou-se do grupo e voou até uma árvore distante, pousando no mais baixo dos galhos. Ele parecia não gostar da canção que seu bando entoava; talvez ela fosse simples demais para seus ouvidos modernistas, ou exacerbadamente complexa a seus olhos de Brasil contemporâneo. Sentada em um banco florido de madeira desgastada pelo tempo, eu não conseguia retirar do meu campo de visão aquele interessante ser, que devagar começava a assobiar uma nova canção. Foi então que enxerguei nele um espírito renatista, russo-brasileiro, transbordando os enlouquecidos pensamentos sobre uma certa geração coca-cola. O trovador solitário se juntou a outros pássaros loucos como ele, formando uma Legião que pairava em cada alma revolucionária deste país da Brasília que não muda.
Meus pecados
Eu nunca imaginei que uma noite tão perfeita
pudesse começar com uma taça de vinho.
Bebemos ao som de nossas músicas favoritas,
sentados frente a frente
num sofá que mal cabia nós dois,
embalados pelo olhar um do outro
e sem nos darmos conta de que não tínhamos brindado.
Que pecado perder a chance de brindar a nossa vida.
Que pecado não ter usado aquele vestido vermelho que você gosta tanto. Que pecado você ter me ganhado tão depressa.
Mas foram estes pecados que contradisseram os limites da criação e me trouxeram ao paraíso desta madrugada que acaba de começar.
Enquanto você dorme ao meu lado, eu me recuso a fechar os olhos.
O silêncio da noite me permite ouvir sua respiração,
ora lenta, ora apressada,
e me lembra de que essa mudança de ritmo nos acompanha em tudo:
nos beijos, nas brigas, nas tardes de caminhada,
e até nas músicas que a gente gosta de dançar
mesmo sendo péssimos em matéria de expressão corporal.
Reparo que você quase não se movimenta pela cama
e que não fez questão de virar pro outro lado;
logo me ocorre que você talvez saiba que eu estou te observando
e queira contribuir com minha doce redenção,
mas minhas suspeitas caem por terra quando você murmura algo
que eu não consigo entender e puxa o cobertor pra mais perto de si.
Fosse eu essa manta velha e me atreveria e roubar um beijo seu.
Mas essa manta nunca vai te ter como eu te tenho.
Ela nunca vai ver você sorrir enquanto dorme como eu estou vendo agora. Me pergunto se é comigo que está sonhando.
Talvez, no seu sonho, é você quem me observa dormir.
Mas eu continuo acordada.
Não posso perder nenhum momento do seu sono.
Queria viver essa noite pro resto da minha vida, deitada ao seu lado e sentindo seu coração bater.
Que pena que o tempo não ouve o meu clamor, já está amanhecendo e a sensação que eu tenho é de que esta madrugada durou apenas 10 minutos. Eu ficaria aqui pelo resto dos meus dias, juro.
Sei que jurar é um erro, mas são os pequenos pecados que vez ou outra me proporcionam esses 10 minutos com você.
De onde eu vim
De onde eu vim
O céu é mais azul e as estrelas nem te conto.
De onde eu vim
Tem três sóis, um amarelo, um azul e um verde,
Então vivo em um lugar que todo o tempo há sempre um arco-íris no céu.
De onde eu vim
As flores tem um perfume sem igual
E a natureza deve ser a mais bela da galaxia.
De onde eu vim
Deus quase fala comigo, de tão perto que ele está.
De onde eu vim
A Paz é sempre constante
E vivo maravilhosamente feliz.
Mas a saudade apertou, porque lá, você é a minha parceira na dança,
nas aventuras, nas alegrias... em tudo você está comigo.
Lá, é você quem encanta meus dias, você é metade de mim.
Então, cheguei bem perto de Deus e falei:
— Aqui é muito bom, Senhor, mas sem ela meus dias estão sem graça.
E Ele respondeu:
— Vai, meu filho querido, vai ao encontro de sua amada, ela também precisa muito de você.
Por isso estou aqui novamente, e descobri que o melhor lugar do Universo
não é meu planeta, nem na minha galáxia, nem em qualquer outro lugar na imensidão infinita do universo.
O melhor lugar é aqui, pertinho de você, dentro do seu abraço.
Por isso estou aqui.
Me abrace!
Eu tenho medo...
Medo da morte? Também.
Ah, mas há outros medos que me dão mais medo...
Esses medos a que me reporto, a história poderá contar.
Exercício para ganhar tempo
Eu queria nesta tarde chuvosa
nem de alegria ou lamento
um pouco de urbanidade do tempo
e neste dia vinte e seis
outubro quase fim que é
deste ano que apressou o pé
um pouco mais de consideração
Do senhor de todas as horas
Peço todas as demoras
Não tenho pressa não
[Pre-Chorus]
Cansei de ler entrelinhas
De esperar sua notificação
Hoje eu viro a página
E desligo a conexão
[Chorus]
Vou deixar você em modo avião
Dar um descanso pro meu coração
Chega de espera, chega de iludir
Vou deixar você em modo avião
Bloqueio as saudades e a tensão
Chega de novela, chega de mentir
Hoje eu te digo para ter calma e confiança, pois as dificuldades passam e a força se renova a cada amanhecer.
A Alegria Por Um Fio...
(Múcio Bruck)
Era eu um entusiasta da vida
Com meus segredos, planos e aspirações
Meio perdido: um adolescente "virando" adulto
Sem domínio das explosões incontidas
Meus planos de vida eram poucos
Mas os que me haviam eram riquíssimos
Estudar, trabalhar, ter um emprego
Amar... Ah, como me era caro o amor
Era único, era real, era-me necessário
E, o temor e em plena imaturidade
Descobri nos arroubos que me vinham
"Amar nada se relaciona com saber amar"
Naqueles idos, tinha prá mim
Que seu valor era maior que o meu próprio eu
Que você, em minha natureza
Merecia entregas e meu mundo particular
Eis o meu engano, erro maior de mim
Ter-me suprimido e a vendo maior
Maior que eu ou de tudo o que eu era
Me peguei pequeno ante de sua grandeza
Como um relação assim poderia vingar?
Você, "madura", a tudo via e nada dizia
Parecia gostar, mas, sem se importar
Fosse com minha entrega
Fosse com a prioridade de um diálogo
Assumo, o negro ciúme feria-me
Hoje, sei que tudo se deu por seu desamor
Minha ilusão era sua satisfação
