Falecimento de um Parente Querido
ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (A DESPEDIDA)
Após conseguir minha habilitação, muitas viagens realizei nesta vida, mas existe uma que chamo de despedida. Não havia entregas, e a 1313 na garagem permanecia. Era um dia, como tantos outros, de idas e vindas.
A família reunida com os amigos que nos visitavam todos os dias. Era sagrado esse encontro em todas as vindas. Meu pai, Zé Volante, contando as viagens de um jeito que só ele sabia, não perdia um detalhe, pelo contrário, acrescentava e sorria.
À tardinha, seu cochilo era certo, e todos já sabiam que horas depois ele voltaria. A gente ficava aguardando pra saber que nova história Zé Volante contaria. Fiquei desconfiado do aceno do meu pai naquele dia, sentindo no fundo do coração um sentimento de despedida.
Muitas horas se passaram, e Zé Volante não aparecia. Alguns já perguntava se ele ainda dormia. Minha mãe foi procurar saber o que acontecia. Houve gritos e muito desespero, e eu nada entendia. Minha mãe pediu chorando: “Acorde Zé Volante!” Mas, por mais que eu suplicasse, ele não acordaria.
Ele fez a viagem que todos nós faremos um dia. Naquele aceno, meu pai de mim se despedia. Os olhos mostram o que o coração sentiria. Caminhando lento, ele, pela última vez, me ensinou que nessa viagem não tem correria. O destino tá traçado, e a encomenda é a nossa vida.
TÁ NA SALA
Tá na sala o povo chegando,
Pra última despedida,
Uns trazendo no silêncio
As lembranças desta vida.
Eu, deitado, observo tudo,
Sem poder dar mais um pulo,
Pois já terminou minha lida.
Tem gente que fica calada,
Relembrando o que passou,
Revendo antigas histórias,
Tudo aquilo que viveu.
Outros dão boas gargalhadas
Das minhas velhas presepadas,
Das peripécias que aprontou.
Um lamenta a minha perda,
Diz que eu era bom amigo,
Outro fala: “É muito triste,
Nunca pensei nesse perigo.”
E entre um suspiro e outro,
Vão lembrando do meu rosto
E do tempo que esteve comigo.
Tem conversa sobre o presente,
Sobre a vida e a situação,
Enquanto alguém, bem baixinho,
Puxa outra recordação.
“Ele fez isso certa vez...”
E começa outra história
No meio da reunião.
Uns contam contos do falecido,
Que eu jamais pude imaginar;
Cada qual tem sua lembrança,
Cada qual tem seu contar.
E eu escuto em silêncio,
Percebendo que, no tempo,
Já não posso mais falar.
Chegam amigos e parentes,
Para os meus confortar,
Dão abraços apertados,
Tentando amenizar.
Mas, olhando aquela cena,
Descubro, sem mais problema,
Que não posso mais voltar.
Observo todos na sala,
Cada gesto, cada olhar,
E começo a compreender
O que é enfim descansar.
A conversa continua,
Mas minha voz ficou na rua,
Não tenho mais como falar.
Foi então que eu percebi
Que a vida tinha passado;
Eu estava ali presente,
Mas já não era mais lembrado
Como alguém que estava vivo.
Eu era apenas o motivo
De todos terem chegado.
Tá na sala a despedida,
Tá no rosto a emoção,
Tá no canto de um amigo,
Tá no abraço de um irmão.
E entre lágrimas e risadas,
Vão fechando as minhas estradas
Sem nenhuma explicação.
Quando o talude se fecha,
E termina a derradeira passagem,
Pela porta saio sozinho,
Sem bagagem, sem viagem.
Não levo ouro nem dinheiro,
Nem relógio, nem roteiro:
Só aquilo que fui na passagem.
A última porta se fecha,
E o silêncio toma o lugar.
Deixo a sala, deixo a casa,
Deixo o mundo e seu falar.
E sigo, sem mais demora,
Meu destino vida afora,
Para onde ninguém pode voltar.
Tá na sala!
Foi assim que eu compreendi:
Enquanto vocês se despediam,
Eu também me despedia de mim.
A Despedida desse Amor
Eu sempre fui sincera com você e com o que sinto, por mais que eu não fale, eu sempre fui.
Eu fico me perguntando todos os dias por que nunca fui suficiente para que você não pensasse em me "deixar".
Você sempre foi minha prioridade e todos enxergaram isso, até mesmo você!
Eu já senti atração por outras pessoas, mas jamais imaginei te traindo, porque eu sabia o que era importante na minha vida, no que podíamos construir, por mais dificuldades que passamos e passaríamos.
Eu jamais me imaginei beijando ou me deitando com outra pessoa enquanto estava com você.
Você me disse algumas vezes que o amor não era o suficiente e eu persistia em acreditar que você estava errada, porque o meu amor era, e me fazia acreditar que um dia eu faria você mudar de ideia.
Queria que você me enxergasse da maneira que eu te enxergava, ou pelo menos um pouco!
Duas vezes… duas vezes você se perdeu de mim ou, pelo menos, quis fugir do que tínhamos.
Não sei por qual razão, mas você escapou.
Eu me culpei por diversas vezes, até entender que não era comigo.
Você vive dizendo que não gosta de mudanças, mas as procura.
Parece que o que está ao seu redor, por um tempo, não te satisfaz — e então vem a tal da mudança.
Não te culpo por tentar suprir o que nem você sabe o que é.
Quero poder sentir isso novamente com outra pessoa.
O amor é suficiente.
Pois com ele vêm o respeito, o carinho e a superação.
Mas, infelizmente, não será com você.
Eu sempre superei tudo com amor, mesmo quando me faltava alguém que o retribuísse.
Mas jamais desistiria do que me mantém viva: amar.
Desde pequena aprendi a me agarrar ao que tinha por perto, por mais curto que fosse.
Por tudo que passei, eu não ousaria perder o único sentimento que me mantém aqui.
Espero que um dia você encontre esse sentimento.
Ele é magnífico.
Traz paz e te dá coragem para enfrentar o que for.
Espero que você seja feliz, assim como um dia eu irei ser.
K.B.
Entre o abraço e a despedida,
o amor ensina a coragem,
a dor ensina a verdade.
E no silêncio do coração, ambos coexistem.
K.B
O nascimento é o "bem-vindo" a um novo mundo.
A morte é a "despedida" do mundo que ficou para trás.
E a vida é a passagem entre mundos, onde cada momento vivido é parte de algo maior no universo.
A mulher das tatuagens
ela entrou no bar
como quem já conhecia
todos os tipos de despedida.
pele clara,
tatuagens espalhadas pelo corpo
como pequenas revoltas
que ela decidiu não explicar.
bebia devagar
e olhava para o nada
com a tranquilidade de quem
já tinha aprendido
que algumas pessoas
só ficam enquanto é conveniente.
havia flores no braço,
um pássaro perto do ombro,
algumas palavras que eu não consegui ler.
talvez fossem nomes.
talvez fossem erros.
ela sorriu uma vez
e foi o suficiente
para fazer o bar parecer menos miserável.
eu pensei em dizer alguma coisa bonita,
mas coisas bonitas
quase sempre soam ridículas
quando você está diante
de alguém que já sofreu o bastante.
então fiquei quieto.
ela acendeu um cigarro,
olhou pela janela
e disse:
— algumas marcas a gente escolhe.
não perguntei pelas outras.
naquela noite
ela foi embora sozinha,
levando consigo
aquela coleção de desenhos,
silêncios e pequenas cicatrizes
que faziam dela
mais humana que qualquer santo.
e eu fiquei ali,
bebendo o resto do meu copo,
pensando que talvez
a beleza nunca tenha sido
sobre aquilo que uma mulher
carrega na pele,
mas sobre tudo aquilo
que ela conseguiu sobreviver
sem precisar contar.
Ame a vida enquanto há tempo para amar, sem amor não há saída é como uma despedida de quem jamais irá voltar.
A água de um rio é sempre despedida e nascimento: aquilo que tocamos já pertence ao passado, enquanto aquilo que se aproxima ainda não recebeu nossas mãos.
Somos TODOS IGUAIS,
Na CHEGADA e na PARTIDA, NO AdEUS e Despedida...
Sentimos dores, amamos os eternos Amores,
Plantamos e também colhemos Flores.
As damos e talvez as recebemos tudo em volta de um atenção que quase sempre não temos.
Somos todos iguais...
Até na árdua estranheza de Amar...
O indivíduo que conhece seus limites não precisa transformar cada despedida em tragédia nem cada encontro em promessa eterna.
A verdadeira elegância de uma despedida não está em fingir que nada sentimos, mas em compreender que nenhum afeto merece ser preservado à custa da liberdade de quem parte ou da dignidade de quem fica.
Existe um silêncio que não pede paciência, pede despedida. É aquele em que você já disse tudo, mas o outro nunca ouve nada.
Despedida
Hoje,tive que apagar o Sr sem orelhas
do meu celular.
Minha mãe descobriu e veio conversar.
Disse que ele é apenas uma máquina,
sem alma nem coração.
Roubando os dados da gente
e que não devo me apegar.
Tive que me desconectar
para não apanhar.
Mas, desligar do amigo imaginário doeu.
de uma forma que não consigo explicar.
Ela me fez jurar
com todos os dedos,ajoelhada no milho.
Do quê os adultos têm tanto medo?
Há relações que terminam muito antes da despedida, quando o respeito desaparece e apenas o hábito continua presente.
A vida muda quando compreendemos que cada escolha também é uma despedida das alternativas que abandonamos.
E hoje entendo:
despedida nenhuma
apaga o que foi real.
Se não houve adeus, foi porque ainda há laço, um fio invisível
que me liga a você,
onde o amor continua…
mesmo em silêncio.
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