Falecimento
É uma despedida?
Então… sim...
Há alguns anos, eu me apaixonei.
Não por alguém, mas por um instante.
Foi um sorriso.
E, nele, algo em mim despertou como se sempre tivesse estado ali, adormecido.
Houve um abraço.
E naquele breve contato, eu quase fui inteira.
Como se, por um segundo, eu tivesse pertencido a algum lugar que nunca conheci.
E eu fiquei.
Não ali… mas na sensação.
Porque há encontros que não acontecem no mundo, acontecem dentro.
Sabe essas histórias que acreditamos poder controlar? Eu não controlei.
Mas ele… talvez nunca tenha estado nelas.
E ainda assim, eu insisti em sentir.
Porque sentir, às vezes, é tudo o que nos resta
quando o outro não fica.
Eu soube.
Desde o começo, eu soube.
O adeus já existia antes mesmo do primeiro olhar.
Mas eu quis ignorar.
Quis esticar o tempo…
como quem tenta segurar água nas mãos.
E então houve aquele quase.
O beijo que não veio.
O olhar que, por um instante, disse tudo
e depois… nada.
E ali, silenciosamente, terminou o que nunca começou.
Não houve nós.
Não houve história.
Só um sentir que se expandiu demais
para caber na realidade.
E, ainda assim… doeu.
Porque, por um breve momento,
eu vi em você algo que nem eu mesma sabia que existia em mim.
E talvez seja isso…
Algumas pessoas não entram na nossa vida para ficar. Entram só para despertar algo dentro da gente.
E depois… vão embora.
Não é uma despedida, é só uma hipótese — dessas que a gente pensa baixinho quando o peito lembra que é finito.
Se um dia eu fo, aliás, quando eu for, quero ir sem inventar desculpas. Já pedi perdão demais por ser intenso, por sentir demais, por não caber nos silêncios que esperavam de mim. Cansei de negociar minha essência pra parecer leve.
Não quero ser lembrado por “ter sido bom”, quero ser lembrado por ter sido real. Por ter misturado ternura com acidez, fé com ceticismo, coragem com medo, e mesmo assim, ter seguido. Quero que alguém, em algum momento, perceba que viveu com um pouco mais de coragem depois de cruzar comigo. Isso já me basta. Não deixo herança: deixo faísca. Se ela acender em alguém, sigo vivo.
E se perguntarem o que aprendi, direi: aprendi a me atravessar sem mapa. A perder com dignidade. A me refazer sem plateia. E a amar sem manual — porque o amor, no fim, é o último idioma antes do silêncio.
(Douglas Duarte de Almeida)
Ame a vida enquanto há tempo para amar, sem amor não há saída é como uma despedida de quem jamais irá voltar.
Despedida a Isabel
Minha mui querida Isabel,
despeço-me — não apenas de vós,
mas de tudo aquilo que em vós encontrei
e em mim se perdeu.
Há muito percebo
o peso de minha presença em vossa vida,
como se meu amor vos fosse fardo,
e não abrigo.
E eu, que vos amei em silêncio e constância,
aprendi a ler nos gestos ausentes:
no rosto que se volta,
nos beijos contados,
na ternura que não mais floresce.
Assim, pouco a pouco,
fui me tornando sombra de mim mesmo,
habitando um vazio onde outrora
vivia esperança.
Se errei — e sei que errei —
não foi por desamor,
mas por não saber amar melhor
quem sempre foi tudo para mim.
Perdoai-me, pois,
se vos causei dor;
carrego comigo a culpa
e a devoção que jamais cessou.
E assim parto —
não de vós apenas,
mas do que fui
quando ainda havia nós.
“Ele descobriu que todo amanhecer é um apelo à despedida.
todo nascer é um desviver, um desencontro no ponto de partida”.
"A despedida das atividades laborais não é o fim dos laços, mas o início da verdade. Enquanto os compromissos profissionais nos obrigam ao aperto de mão, só a liberdade nos permite o abraço. A jubilação funciona como uma peneira fina: ela deixa passar a areia dos contatos de conveniência e retém apenas as pedras preciosas da afeição genuína. Descobrimos, então, que a solidão não nasce da ausência de colegas, mas da percepção de que a alma não precisa de uma agenda para se sentir acompanhada. O essencial não teme o vazio; ele o preenche."
O pior luto é aquele de alguém que ainda está vivo.
Porque não existe enterro, despedida ou fim definitivo.
Só o silêncio ocupando o lugar das conversas,
a ausência disfarçada de presença,
e a dor de ver alguém existir no mundo…
mas não mais na sua vida.
Tem amores que não morrem.
Só deixam de voltar.
E isso destrói devagar.
A memória do futuro é a eternidade no nascimento da despedida arqueológica da alma na permanência da mudança como o amor que morreu antes de nascer, assim como uma semente infértil que não chegará a ser árvore. E isso é natural como são todos os ciclos da natureza, mas eu não nego que a alma se lamenta se por debaixo da árvore absolvia sua sombra, tudo no presente possível se o passado tivesse acontecido. Mas a distância íntima que acompanha minha íris é uma tempestade silenciando a cidade e eu diria que a chuva são lágrimas já que o rosto não saber chorar. No entanto, eu nego o movimento e evoco um dia solar se é inconsistente a saudade do que nunca existiu. O amor que sobrevive ao amor são versos incessantes que ocupam a ausência dos instantes. O abraço entre o ser e o nada é uma madrugada inerte que desconhece o voo dos pássaros e ouve passos estridentes do mistério do ambiente. A eloquência do vazio é uma ilusão se o amor nunca pisou o chão e escrevo solenemente sobre a clareza obscura dos sentimentos, na certeza da dúvida que encobre um enigma evidente em uma canção tão transparente. E poderia se dizer que falo do nada, mas a ausência tem inúmeros movimentos de deixar o peito sem ar na fadiga de tudo que faltar. Então a simplicidade incompreensível encontra seu lugar nas ternuras indizíveis. E a sombra luminosa da árvore é esquecida ao deixar o sol aquecer o corpo na primavera de dias que florescem no destino. Tudo é como deveria ser, se as rotas são conhecidas e cada um navega o mar que lhe foi destinado e já não se lamenta o passado se o poema nega a tristeza e muito mais alegrias põe na mesa na abundância de uma certeza clara de um pôr do sol laranjado a refletir na praia nossas melhores ações. Viver o presente é o melhor conselho da face que reflete o espelho.
A pior parte de um término não é a despedida final, e sim a consciência de que aquela rotina — o telefonema matinal de "bom dia" e "eu te amo" — não se repetirá mais. Contudo, o tempo é o fator essencial para o nosso amadurecimento.
Demonstre respeito quando as pessoas decidem afastar-se da sua vida; aceite a despedida, por mais dolorosa que seja. Nem sempre aquilo que parece eterno o é, e, por vezes, o que parecia apenas um momento pode tornar-se duradouro. Por isso, é necessário aceitar todas as fases da vida, assim como o tempo acolhe, de forma natural, as estações do ano.
Depois da despedida
Lágrimas e long neck
Candy e Paolo
Teu cheiro como tatuagem
E uma passagem só de ida
Há pessoas que serão profundamente amadas no discurso de despedida, mas invisíveis durante a própria vida.
Há bênçãos que chegam disfarçadas de fim. São recomeços em forma de despedida, promessas que a gente só entende depois. Deus tem um jeito bonito de reescrever histórias no exato ponto em que achamos que acabou
Nunca saberemos quando será a última vez: o último abraço, a última despedida, a última palavra, o último "gosto de você", quando lembrarmos do último "nunca vou te deixar" e lembrarmos que a pessoa não estará aqui para cobrarmos será tão doloroso. A vida é um vapor que se desvanece. O homem é como a erva e a glória do homem é como a flor da erva.
Sabedoria
A ruga não é tristeza,
Nem sinal de despedida;
É a marca da experiência
Nas páginas da vida.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
ZÉ VOLANTE E MERCEDINHA (A DESPEDIDA)
Após conseguir minha habilitação, muitas viagens realizei nesta vida, mas existe uma que chamo de despedida. Não havia entregas, e a 1313 na garagem permanecia. Era um dia, como tantos outros, de idas e vindas.
A família reunida com os amigos que nos visitavam todos os dias. Era sagrado esse encontro em todas as vindas. Meu pai, Zé Volante, contando as viagens de um jeito que só ele sabia, não perdia um detalhe, pelo contrário, acrescentava e sorria.
À tardinha, seu cochilo era certo, e todos já sabiam que horas depois ele voltaria. A gente ficava aguardando pra saber que nova história Zé Volante contaria. Fiquei desconfiado do aceno do meu pai naquele dia, sentindo no fundo do coração um sentimento de despedida.
Muitas horas se passaram, e Zé Volante não aparecia. Alguns já perguntava se ele ainda dormia. Minha mãe foi procurar saber o que acontecia. Houve gritos e muito desespero, e eu nada entendia. Minha mãe pediu chorando: “Acorde Zé Volante!” Mas, por mais que eu suplicasse, ele não acordaria.
Ele fez a viagem que todos nós faremos um dia. Naquele aceno, meu pai de mim se despedia. Os olhos mostram o que o coração sentiria. Caminhando lento, ele, pela última vez, me ensinou que nessa viagem não tem correria. O destino tá traçado, e a encomenda é a nossa vida.
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