Falecimento
Pode até parecer óbvio, mas morar num cemitério me faz pensar na morte. Aqui há uma ordem que não existe na vida real, e acho isso estranhamente reconfortante. Talvez essa seja a beleza da morte. Nada mais é complicado. Tudo é fechado e definitivo.
Vozes da morte
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!
Se noutro corpo tua alma se traspassa,
não, como quis Pitágoras, na morte
mas como manda Amor na vida escassa;
A Morte
Oh! que doce tristeza e que ternura
No olhar ansioso, aflito dos que morrem…
De que âncoras profundas se socorrem
Os que penetram nessa noite escura!
Da vida aos frios véus da sepultura
Vagos momentos trêmulos decorrem…
E dos olhos as lágrimas escorrem
Como faróis da humana Desventura.
Descem então aos golfos congelados
Os que na terra vagam suspirando,
Com os velhos corações tantalizados.
Tudo negro e sinistro vai rolando
Báratro abaixo, aos ecos soluçados
Do vendaval da Morte ondeando, uivando…
A Vida e a Morte
O que é a vida e a morte
Aquela infernal inimiga
A vida é o sorriso
E a morte da vida a guarida.
A morte tem os desgostos
A vida tem os felizes
A cova tem as tristezas
A vida tem as raízes
A vida e a morte são
O sorriso lisonjeiro
E o amor tem o navio
E o navio o marinheiro
O Amor e a Morte
Sobre essa estrada ilumineira e parda
dorme o Lajedo ao sol, como uma Cobra.
Tua nudez na minha se desdobra
— ó Corça branca, ó ruiva Leoparda.
O Anjo sopra a corneta e se retarda:
seu Cinzel corta a pedra e o Porco sobra.
Ao toque do Divino, o bronze dobra,
enquanto assolo os peitos da javarda.
Vê: um dia, a bigorna desses Paços
cortará, no martelo de seus aços,
e o sangue, hão de abrasá-lo os inimigos.
E a Morte, em trajos pretos e amarelos,
brandirá, contra nós, doidos Cutelos
e as Asas rubras dos Dragões antigos.
A jornada.
A partida é inesperada,
Muitas vezes numa temporada.
Sem aviso e nem pudor,
Aprendemos a lidar com a dor.
No início é mais difícil,
Compreendo e entendo isso!
Mas a fé que o ser humano tem,
Será maior quando a dor vem.
Entenda a morte,
Agradeça e tenha sorte!
Deixe-o prosseguir,
A viagem e curtir.
Deus está no controle sempre,
A viagem é um presente.
Viva intensamente,
Cada segundo do expediente.
A paz ajudará encontrar,
A tranquilidade do lar.
A vida é assim,
Quando você chega,
Já é hora de partir...
NÃO CHORES QUANDO EU MORRER
"Quando eu morrer, não chores.
Não lamentes a minha partida!
Cheguei aqui nesta vida apenas como imigrante ilegal!
Como tal vivi desamores, provei profundamente a solidão, andei sem amigos!
Se tive alegria, não lembro! (Talvez apenas um punhado de pão, sim, fez-me sorrir).
Sonhos frustrados, não por causa de outrem,
Mas por minha incapacidade!
Quantas e quantas vezes chorei, pedindo a Deus a morte? (Inúmeras, não lembro).
Sempre andei perdido, nunca entendi o porquê de minha insignificante existência!
Tormentos, apenas isto, tormentos!
Nasci chorando, um prelúdio de toda a minha caminhada!
Trouxe-me a minha mãe em seu maldito colo como um ser efêmero,
Um ser que vai p´ra nunca mais voltar!
Tudo um dia acabará. Nada é p´ra sempre!
Quando eu morrer, não chores!
Talvez a minha morte seja p´ra mim eterna alegria!"
Ao descobrir da tua partida, para mim, precoce, é impossível não voltar no tempo em que a juventude banhava nossos corpos e avançávamos rumo as noites de POA, ou, nos encontros em tua casa para mais um chimarrão com uísque...
André Marchiori, espero poder voltar a te encontrar, em casa, quando a minha travessia por cá também terminar.
Até já, grande amigo. Isto do tempo passa muito rápido.
Nos encontraremos na eternidade.
..."O homem não faria qualquer menção ao Tempo se soubesse com exatidão a hora de sua partida." ... Ricardo Fischer.
- Aos que ficaram após minha partida.
Receita para prosseguir:
Chore muito ou um pouco,
De preferência acompanhado!
Os primeiros dias são os piores, não fique só!
Mas depois
Sorria em demasiado
Pra todo lado,( assim como eu fiz!)
Lembre de coisas boas... é mais fácil quando agimos assim.
Cante muito... mesmo com a voz de pato rouco,
Baixinho, ou bem alto, aproveita pra gritar é uma excelente hora para extravasar.
Não tenha medo de desagradar!
-Acredite em mim: vai aliviar!
Dance com a vassoura, abrace seu amor, beije seu filho, dedique tempo a família, sonhe, viva, resista, não desista.
Depois de umas semanas fique só e chore quando insistentemente te apertar a dor.
Seque os olhos e fique plena(o) novamente, tem muita gente contando com você. Inclusive eu.
VERDADES DA ALMA
Se hoje for o dia de minha partida?
Preocupei-me tanto com o aquilo que não pude tocar nem tampouco vivenciar, que não vivi o que se esvaia aos meus olhos.
Sou simplesmente um ser fadado a morte, esquecível, mais um ser!
O que fiz durante minha vida?
O que fiz para ser lembrado ?
Simplesmente serei um menino bom, que morreu a mercê de sua própria história, aventurando ama vã felicidade.
Antes da morte permitirei-me sonhar novamente, mudar o curso da minha história, marcar de alguma forma o mundo, ser pelo menos um vago sorriso nos lábios de alguém, e se assim não fora, que seja alguém importante para um ser, saberei assim que está vaga passagem valera apena.
A hora irá chegar, saberei que ao menos não conseguindo tanto, morri tentando.
Cada dia é um movimento que fazemos
no jogo da vida.E nunca sabemos quando jogamos a última partida.
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