Face
Tens uma face
doce e tranqüila
talvez por isso
às vezes penso
que te conheço
desde sempre
que posso dialogar
contigo, estando sentado
encostado no tronco
liso do castanheiro
a refugiar-me
dos ruídos e do sol.
Aqui havia um poço
faz tempo
no centro do terreno
num caminhão vermelho
carregavam a uva.
Tens uma face
doce e tranqüila
que se reconstrói por si só
quando me assalta
a vontade
de raspá-la de vez
dos muros
arcaicos da mente
Os seres humanos são animais incondicionais e este isolamento da Covid-19 fez a verdadeira face da humanidade se expandir ao seu verdadeiro reflexo do oportunismo e egoísmo em covardes atitudes iguais.
Face a uma liderança justa: só haverá uma governação pura sem mácula, se a ética política deixar de encarar o agir humano como um projecto individual.
Porque o ser humano enquanto livre e dotado da consciência moral, tomará decisões no seu espaço privado e prejudicando assim a coletividade, isto é, o espaço público.
...E então verás pregado em minha face o cansaço dos dias e noites que fiquei acordado em um mundo de angustia, por só pensar em você...
Se por acaso sentir o vento sobre a tua face, lembre-se de mim. Que estou perto mesmo distante, para te acochegar e dar força no que esteja por vir.
Confie em você.
Enquanto Cecília procura pelo espelho em que perdeu a sua face, eu procuro pela minha alma “ninja” nos telhados.
Afinal, em que telhado perdi a minha alma de criança, onde ela está, em qual deles ficou?
Qual foi o último salto rumo ao desconhecido que dei sem medo de cair, de me machucar ou de morrer?
Sem o peso da gordura, sem os exageros e sem a lentidão promovida por isso e com tudo isso somado a atual idade, eu não perderia a minha alma, o meu coração, nem a minha força.
Mas Deus me fez reflexivo, e honestamente, decidi aceitar minha condição humana e absorver, ao mesmo tempo, uma alma menos ninja, mais espiritual talvez.
Se me tornei filósofo da minha vida, então não perdi a alma de criança, deixei o tempo tomar conta de mim. Me descuidei ao encarar o relógio como um brinquedo, quando ele é a única possibilidade de controle da minha própria existência.
Diminui meu tempo, esgotei minhas forças, desequilibrei minha alma. Mas não vai ficar assim, amanhã voltarei a praticar exercícios físicos...mas se não existir amanhã?
DISCORDE
Eu quitado estava e nada mais queria
O anseio ansiado a mim face a face
E como um outro alguém te amasse
Te amei, duradouro: - que bom seria!
Tinha cheiro, vontade, me parecia
Que nesse amor o querer, guiasse
E que só a força da paixão falasse
Se teve aperto, também teve alegria
Mas, temporão desmantelou o sonho
A ofuscante graça, era mais um engano
Se um dia compus, não mais componho
Vejo, enfim, que em um afeto profano
Se o dístico ao ardor não for inconho
Discorde é o desencontrado quotidiano
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02, outubro de 2020 – Triângulo Mineiro
Conheço o mundo tanto conheço a mim
Não conheço nada
Muito menos a sua face
Mas amo cada parte
Cada viela
Desse mundo
E de mim
Tenho refletido muito em face de nossa passagem relâmpago nesta terra.
Vejo que alguns de nós, em comportamentos arrogantes, registraram marcas negativas, e, outros, registram intervalos de exemplos evolutivos de amor e respeito ao próximo.
Nesta terra, em face do livre arbítrio, todos somos passageiros do bem ou do mal, todavia, as lembranças deixadas, tudo faz parte.
Há de se lamentar quando, indigitados irmãos, partem desta terra deixam apenas miséria, e, onde chegam não entregam fartura.
O certo é que, todos vamos, eu e vc. Sempre é bom pensar no que de bom podemos deixar e levar com nosso espírito. Fraternal abraço a vc e família meu estimado amigo irmão leitor.
Pandemia
Silenciosa e sorrateira,
Vindo da china, não vejo tua face
Parece uma brincadeira de menina
Não desejo que por aqui passe
Não sei se estás a longos passos
Não quero ver amigos e entes queridos
Engolidos pelo teu abraço
Abatidos e correndo perigo
Nova doença de 2020 é epidemia
Que apavora e enlouquece
Quando se devasta é pandemia
Que para tudo, e adoece
Surto que vai nos afetar
Transmitida de pessoa a pessoa
Com a intenção de nos matar
Quer a nossa vida parar
O Coronavírus quer te pegar
Gatos, morcegos, gado e camelos
Por eles fora disseminar
É de arrepiar todos os pelos
Também não vão escapar
O comércio vai fechar
Empresas vão quebrar
O mundo pode parar
Meus sonhos, meus medos
Na pandemia devastados
Não sei se é a morte ou o desemprego
Angustiado e calado
Meus sentimentos às famílias
Clamamos pela vacina
Que nossas vidas voltem ao normal
E que termine nossa sina.
ALAM MAHMUD HAMDAN – POLO ESTEIO
Nenhum homem, por um período considerável de tempo, pode usar uma face para si mesmo e outra para a multidão, sem terminar ficando confuso quanto à verdade.
Dizem para amar aqueles que te odeiam, oferecer a outra face, me desculpe, sou sensato de mais para fazer um absurdo desses.
Eu sinto mó tara
Nesse seu gingado com a vontade que não para
Inunda minha face, lambuzando a minha cara
Fogo que não míngua
Conheci cada parte do seu corpo usando a ponta da minha língua
Quando contemplarmos a face de Cristo teremos uma certeza: a de que sempre O conhecemos, ou a de que jamais O recebemos.
Para você refletir: Não precisamos fazer postagens exageradas e/ou escandalosas no face, ou em outra mídia social para percebermos que somos bonitos(as), importantes ou que temos algum valor.
Receber elogios, reconhecimento, carinho, amor e respeito das pessoas é ótimo, mas,
lembre-se que você e eu já somos valiosos, importantes e somos reconhecidos por Deus.
ADVERSO DUM VERSO
Essa sensação de face cansada
Que vês no meu poetar azedo
De trova tremente e mirrada
É falta que lamenta no enredo
O versejar pouco camarada
Da satisfação já em degredo
De rima velha e desgraçada
Em que não se profere ledo
Ontem, de viço e alegria
Hoje, o choro e sofrência
Um fado. Na vã poesia
Nesta dura sina em riste
Do canto em decadência
Verseja um poeta triste!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/08/2020, 16’45” – Triângulo Mineiro
