Face
Passou a noite à cabeceira da cama
acariciando a doce face da sua Maria.
Ele, com todo o cuidado, a beija e a chama:
"Amor, se tu morresses, na mesma hora eu morreria."
Minha cara seria não lhe satisfaz.
Meu semblante demasiado cansado não lhe satisfaz.
Minha face quase sempre aparentando mal humor não lhe satisfaz. Sabe por que?
Porque você foi ensinado desde pequeno a amar sorrisos falsos, falsas feições, falsos olhares. Porque é isso que você aprendeu a amar o falso, o sem valor, o nada.
Toda vez que se recusar a mostrar sua verdadeira face e optar pela máscara, significará que a vida perdeu, significará que você não é você, você é o que o outro quer ver, uma copia sem valor de algo sem valor.
Quando disseram que existe a raça negra, a raça branca e afins, olhei para a face da terra, e apenas vi uma raça. A raça humana
5 sentidos
Toque-lhe a face e sinta a textura da alma
Toque-lhe os ouvidos e escute o som do mundo
Toque-lhe as narinas e sinta o cheiro da vida
Toque-lhe a boca e deguste os mistérios deste mundo
Toque-lhe os olhos e veja o reflexo da criação Divina
Você
Lembra-te sempre que todas as nuvens, mesmo as mais negras, têm sempre uma face cheia de sol virada para o céu.
Sentir a brisa que te toca a face
E os raios de sol que afaga a alma
Tão perfeita é a paz...suspiro de gratidão.
Divina é a luz que irradia no coração
Em um instante senti...era o céu que estava aqui !
As vezes o responsável por nossa grande felicidade não e visto com os olhos da nossa face e sim com os olhos da alma.
O preconceito é um severo verniz, a lustrar sempre que possível a face oculta da ignorância e a evidenciar na maioria dos casos a falta de humanidade dos que desprezam
Gentileza
Gentileza é como um tímido raio de sol nos beijando a face em uma manhã fria de inverno. É um toque de suavidade na aspereza do dia a dia. Gentileza é quando um coração pega outro pela mão e o ajuda a atravessar seus desertos. Gentileza é quando uma pessoa esbarra em alguém com tanta leveza que mais parece asa de borboleta acariciando suas dores. Gentileza é um pincel de muitas cores que naqueles dias mais escuros da vida desenha sobre a curva torta do sorriso a mais perfeita expressão de alegria.
O mito do vento
Tantas vezes a face estampada no reflexo,
Das águas, espelhos, telas e estampas...
Sabem lá inúmeras vezes escancaradas
Este enigmático ser humano sem nexo!
Ah! Existem aqueles a acusar o outro:
- Como és narcisista seu rosto á postar!
Entres flashes surgem as selfies no ar:
Rostos, caras e expressões, é o colostro!
Há quem desdenha dizendo assim:
- Vais ver quantas curtidas recebestes?
Naquele ar de quem não age por tal fim!
Daí, amplificando o mito, decifro o atrito:
-Todos, sem exceção, narcisistas rebeldes!
Pois, todos carregam sua imagem no vento!
Somos seres de grande valor! Mas em face das nossas ações, também sem importância, excelentes, mas dispensáveis.
Tudo isso é apenas uma fase
Em momentos me escondo atrás de outra face
Abraço a loucura, antes que ela me abrace
Vivo a vida, antes que ela me mate
Durante uma viagem, a face da realidade muda com as montanhas e os rios, com a arquitetura dos edifícios, a disposição dos jardins, a linguagem, a cor da pele. E a realidade de ontem queima na dor da separação; o dia anterior é um episódio finalizado, para nunca mais voltar; o que aconteceu há um mês é um sonho, uma vida passada.
OS SESSENTA (soneto)
Os sessenta anos duma alma inquieta
Cabelos brancos, a face vivida, poente
Os olhos no qual se trova inteiramente
Bagatelas, onde mora a emoção poeta
Um sonhador de sentimento profeta
De palavras que falam, inda inocente
Versos que do peito saem de repente
Docemente, em uma parição secreta
Uma determinação tão só, tão largada
Que o silêncio urge, no invento venta
A sorrir, e ou a chorar, lhe é camarada
E se na parada se senta, pouco tenta
Aquieta, numa má sorte da derrocada.
São os encantos de se ter os sessenta...
toda lágrima que resvala em nossa face.
tem inigualável e importante valor.
vale uma grande e inesquecível alegria.
ou mesmo uma triste e imensa dor.
mas o que vale mesmo é que vivemos intensamente.
pois só quem não viveu assim nunca chorou
em pranto...
[…] é na viscosidade do suspiro
que a lágrima escorre pela face
redemolindo a alma num só giro
a ferro e fogo, a dor num enlace
agregando o sofrer em um retiro
de silêncio, de um usurário repace
que sonoriza o aperto em um coro
no peito e, amargor em trespasse
vazando o tormento num turvo choro...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12 de novembro de 2019 – Cerrado goiano
"Pra você não importa se choro ou se sorrio.
Pouco importa se, em minha face rola apenas uma gota de lágrima, ou de lágrimas, um rio.
Sua indiferença se tornou meu martírio.
Meu refúgio, até minha calma e acima de tudo, meu delírio.
Por quê tudo isso, logo comigo?
Logo para com aquele que, ofereceu-lhe amor e abrigo.
É estranho, é esquisito.
Não entendo nada disso.
E mesmo ébrio, eu não sou capaz de fugir de tudo isso.
Quanto mais me bate a embriaguez, mais vontade sinto de estar contigo.
Nada me deixa mais bêbado, que a falta do seu beijo, onde eu encontrei um refúgio, um abrigo.
És covarde comigo.
Arriscaria eu dizer que, tal covardia, cometes também consigo, por não estar comigo, sendo feliz, sorrindo.
Eu corro e corro mais uma vez e ainda sim, não sou capaz de fugir de tudo isso.
As decepções já se tornaram um vício.
E quando as lembranças de ti, já não me causarem um aperto no peito, ai correra perigo.
Pois já não desejarei estar contigo.
O jogo de amarguras é um ciclo.
Então nesse dia farei com você, tudo aquilo que fez comigo..."
