Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade
A 'felicidade' tornou-se uma mercadoria de ocasião.
No entanto, o que realmente necessitamos é de contentamento na vida em sua plena dimensão.
A felicidade atrelada à satisfação dos desejos é um paradoxo numa cultura obcecada pela busca constante por mais e mais.
Nenhum objeto traz plena gratificação.
O status na era das redes sociais está associado à felicidade, uma tendência que já estava presente nos quadros de retratos na estante, mostrando férias felizes e sorrisos constantes.
A aparência de felicidade é mais valorizada que a felicidade genuína, especialmente nas redes sociais, onde ser feliz é visto como um símbolo de status, incentivando a falsificação da imagem e autoimagem.
Sentir vergonha da pobreza implica valorizar a riqueza como essencial para nossa felicidade e identidade.
Apesar de buscarmos a felicidade, há uma forte atração por momentos trágicos, turbulentos e difíceis. Existe certo tesão pela negatividade e por situações adversas.
A busca incessante por fórmulas mágicas de vida e felicidade transformou-se em um grande negócio.
Os shoppings estão abarrotados de pessoas comprando a ilusão de que nossa identidade se resume ao que vestimos.
A vida almejada é aquela retratada pelos YouTubers, influenciadores digitais e celebridades.
A sociedade capitalista, fundamentada no materialismo, associa a felicidade à posse, relegando valores mais transcendentais.
Essa contradição manifesta-se ao promover valores morais como a honestidade e a integridade, ao mesmo tempo em que incentiva a busca por dinheiro, glória e consumo como fontes de felicidade, resultando, na maioria das vezes, no sacrifício da moral.
A busca por uma vida significativa nos faz refletir sobre a relação entre trabalho e felicidade. Muitas vezes, encaramos as férias como os únicos momentos verdadeiramente felizes em meio às responsabilidades diárias do trabalho. Essa visão, que considera o trabalho como uma carga pesada que consome nosso tempo e energia, nos leva a questionar como equilibrar as demandas profissionais com os prazeres da vida.
A ideia de que a felicidade está apenas nos momentos de lazer, como a "happy hour" ou as férias, levanta dúvidas sobre a natureza da experiência humana e se é possível encontrar realização no trabalho. O desafio é conciliar a necessidade de sustento e sucesso profissional com a busca por momentos de satisfação pessoal e bem-estar.
A rotina intensa de trabalho, com longas jornadas e pressão constante por produtividade, pode nos fazer sentir que os raros momentos de lazer são os únicos em que realmente encontramos alívio e prazer. Mas isso nos faz questionar se vale a pena o esforço investido no trabalho em relação à felicidade e realização pessoal.
Diante desse cenário, é imprescindível buscar formas de viver uma vida significativa e equilibrada, que não dependa apenas dos momentos de lazer, mas que também nos traga satisfação em cada dia da semana, inclusive nas segundas-feiras, muitas vezes vistas como o início de uma semana de trabalho árduo. Encontrar esse equilíbrio entre trabalho e lazer é essencial para uma existência plena e significativa.
O essencial refere-se ao que é indispensável para a existência e felicidade, composto por situações, experiências, sentimentos, ações e emoções que conferem plenitude e significado à vida. Inclui aspectos como amor, amizade, verdade, honestidade, sensibilidade, saúde, educação, segurança, diálogo e cuidado com o próximo.
Por outro lado, o fundamental representa os meios necessários para alcançar o essencial, englobando os desafios a serem superados, as oportunidades a serem aproveitadas e recursos materiais como dinheiro, moradia, assistência médica e sistemas educacionais de qualidade
Promovemos honestidade e retidão, mas enaltecemos dinheiro e consumo como equivalentes à felicidade; nesse paradoxo, a moral é frequentemente deixada de lado.
O estoicismo preconiza que a felicidade não deve ser vinculada à prosperidade e ao sucesso, nem depender constantemente do reconhecimento dos outros.
Recomenda-se evitar o desejo de ser o centro das atenções e aceitar que algumas circunstâncias podem ser mudadas, enquanto outras não.
Além disso, é fundamental compreender que o envelhecimento, a morte e a perda são inerentes à condição humana.
A felicidade é percebida de maneiras diversas: para alguns, reside na arte; para outros, na religião, no consumo, na política, na filosofia, no trabalho ou na dignidade coletiva.
Contudo, esse estado de espírito pode se manifestar como um sentimento passageiro ou uma sensação fugaz, independente de situações materiais.
Ser feliz é, em última instância, manter a tranquilidade e a capacidade de enfrentar as adversidades do dia a dia sem cair no desespero.
Se é para o bem de todos e a felicidade da relação, abdico do poder de provedor do lar, concedido pelo patriarcado, para, a partir de agora, ser o pastor do lar.
Na vida terrena, a plena felicidade não é missão, nem fruto da criação;
é sentimento em constante transformação.
Quando seguimos pelo trilho da vida que diz "Coragem", encontramos a felicidade em cada paragem que fazemos para apreciar a beleza do nosso caminho.
A busca é infinita, o conhecimento não difere as pessoas umas das outras nem torna uma melhor que a outra. Pois todas estão aprendendo, e vão continuar assim. Quem para, morre espiritualmente.
Ressalto que nesta busca, o certo e o errado não existem e se torna extremamente relativo única e exclusivamente ao coração, olhos e mente de quem busca o conhecimento e o coloca em prática no decorrer de seu caminho. É uma particularidade muito peculiar. E sendo assim não se cabe neste caminho, tronos ou coroas, em fim, reis e rainhas não estão caminhando. Estão parados!
