Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Louco sem chão -
Meu corpo de esperar-te envelhecido
sente a mágoa de um destino solitário
do meu peito, o teu olhar, em vão perdido,
como um crente rezando diante d'um sacrário.
Não vejo nada, só a tua ausência,
e vou no mundo, passo a passo, no vazio,
no mistério, na esperança e na clemência
da morte me afogar na dor de um rio.
E tudo passa, tudo acaba, que loucura,
que destino, amar e ser esquecido,
por alguém que parte sem ternura.
Por ti, de ti, em ti - saudade!
Em mim, de mim, por mim - perdido!
Um louco, sem chão, pelas ruas da cidade ...
REVÉS
Minha existência é a maior opressão de minha vida
Vem de mim o caos que rodeia meu ser
Cobro do espírito uma dívida que eu jamais pagaria
Compreendo que não sei entender
A prefação da carne é o proêmio do declínio pessoal
Além de todo holocausto do provérbio não dito
O sôfrego do sentir reflete a resolução do mal
Fazendo o ábdito contradizer o mito
Pêsames são cânticos para a minha cognição
Tenho como castigo suportar o peso do tino
Jamais senti o gosto da retidão
Muito menos li as linhas do meu maldito destino
Diante de tantos infortúnios, meu coração é lânguido
Manifestando o feitio da desventura
Vejo que tal descrença não merece as risadas do espanto
Então fiz uma rebelião contra minhas próprias torturas
OMINOSO
Hoje me fiz refém do ontem e exitem olhos fechados olhando meu corpo nu sobre a cama
Sinto por dentro a morte com um gosto familiar jamais provado
Nefando mais uma vez, importuno a solidão que tanto me difama
A execração da alma é o início de um novo passado
O dia dorme em meus sonhos, vagando pelo meu vazio, implorando um prato de comida
A miséria agoniza uma dor que pertence a mim, dizendo que tem empatia por meus pêsames
Pretendia acreditar que isso é um aviso, mas tenho recebido sinais mais fortes da vida
Agora observo meus passos tropeçando em meus pés, implorando para que o caos beija-me
A felicidade é uma visita ilustre, insensata e principalmente...Indesejada
Não quero que venha a mim o que não é de mim
Soltei minhas veias de meus braços, dando a liberdade que sempre quis ter ao sangue em uma facada
Devolvo na mesma face à angústia demolindo o ruim
Novamente estou perdido, não por falta de caminhos, mas por desânimo de continuar andando sobre minhas lágrimas
Há um peso no toque dos sentimentos que carrego
Minhas vontades não suprem a necessidade de dá migalhas para as lástimas
Alimentando apenas as piores partes do ego
O sol aquecia aquele dia, tão forte que iluminava meu interior.
Me permitia ver o jazigo do que queria que estivesse morto.
Suava muito, chorava muito, tremia muito, me entristecia. Mentira, só continuava.
Seguia como quem tem caminho, seguia como um cego que não via, tateando meus muros de cacos e me machucando.
Naquele dia fiquei mais perto de Deus, subindo as escadas, perto do céu ergui as maõs.
Ele não me pegou, não me salvou, não me explicou. Era apenas eu, o sol, sombra e suor.
Não havia nada a ser dito, não havia nada a ser feito, não houve um som, senão um guincho.
Cheguei à caverna de Platão, com uma missão como Sisifu, cheguei onde deveria estar.
Esse dia fui Deus, fui a morte, fui Gaia, eu estava tão distante de mim.
Eu, tão dócil quanto um leão enjaulado e alimentado dentro do zoológico, salvando vidas com barriga cheia.
Andando pelo vale da hipocrisia, fui à bifurcação, temi cada minuto me encontrar.
Com um objetivo e frustração me vi nos olhos do roedor, duas almas se quebraram naquele momento.
E com uma cajadada seca, com o som do vazio, eu me apunhalei no reflexo de seus olhos.
Juntei meus pedaços e seu corpo, me afastei de Deus pela escada, talvez não seja mais digno.
Ensaquei minhas lágrimas, seu corpo e me arrumei, afinal, era um terça-feira e a vida não dá tempo de sentir.
Meu Deus, me tira da tribulação, cura-me, liberta-me das algemas, me tira do sofrimento, faz-me amar minha família; amém. Dá-me alegria de viver, que nunca falte a paz e o amor. Amém, louvado seja o consolador. Amém Jesus querido.
Creio que não existe problema sem solução;
Creio que meus problemas depende do meu ponto de vista.
Se meu olhar for no desespero, será o fim da minha paz.
Agora, se for num olhar sabendo que a fé, a vontade de superar, terei maneiras de ver que não é grande assim.
Minha segurança é meu controle.
Coragem -
Quem de entre vós me explica o porquê do meu destino? !
Esta insofrida nostalgia que me veste de lamento!
Este estar no mundo, à deriva, sem caminho,
que me seca, dia a dia, na raiz do pensamento ...
Quem de entre vós terá coragem
de me dizer: "tu és no mundo um despojado,
feito apenas de aparência, boa imagem,
mas no fundo, um pobre e triste desgraçado! "
Coragem! Vocês inda precisam de coragem!
Viver a vida que me deram,
isso sim é ter coragem, o resto, é paisagem ...
Posso ser no mundo um pobre e triste desgraçado,
mas sei o que é na vida ter coragem,
porque ela, frente ao mundo, foi meu escudo no passado!
Duas condições na vida, que precisam ser separadas: Derrota e fracasso; ontem meu time foi derrotado, mas ele não é um fracassado. O time tal, desistiu de disputar o campeonato, esse sim, é um time fracassado.
Aquele que me observa e
aponta meu erro pra ver minha desgraça, é o
mesmo que me invejaquando me vê no acerto e tenta cortar minhas asas.
Sozinho -
Ando na vida sozinho,
à deriva, como um louco,
meu olhar, coitadinho,
do destino sabe pouco.
Ando na vida sem assento,
por capricho ou solidão,
estou vencido, não há tempo,
meu cansado coração.
Ando na vida sem rumo,
à procura de um caminho,
estou perdido mas assumo,
anďo na vida sozinho!
"A arte do meu encontro"
E que contradição, poesia não deveria ser sinônimo de solidão?
Tudo o que Você é, se torna antítese perante a arte do desencontro.
Refuta com oque és, aquilo que deveria ser só consternação.
Hoje agradeço a nossa sina[?] A razão do nosso encontro.
"É ela que passa"
E meu mundo, que nunca foi silencioso, tornou-se uma sinfonia,
Quando TU chegou com aquela única e peculiar melodia.
Mas pausas nas canções são necessárias,
Afinal qualquer um espera enquanto aquela Garota com um doce balanço passa.
Quando o vidro do meu carro embaçar
Tenha certeza que serão nossos desejos, e sentimentos juntos em um só lugar.....
Arranco de meu peito aquilo que deve ser extirpado,
apagado, deletado, arquivo, queimado.
Pois de você não quero nada!
Seu amor é letal, é guilhotina, é espada.
Demônio transvestido em forma dourada.
E se tiver que restar algo dessa nossa jornada, nosso caminho, maldita estrada...
Que me fique a lição dessa burrada,
de me afastar de alguém como você, que será sempre a escolha errada.
