Eu Vou mais eu Volto meu Amor
O som da sua voz é a melodia favorita do meu coração,cada som que sai dos seus lábios reverbera na minha pele e passa a ditar instantaneamente, o ritmo das minhas próprias batidas. É uma sinfonia que me invade, que me domina por completo, e da qual eu não quero e nem tento escapar.
_Enzo Ruchell_
[impressoras orgânicas]
(...)
Meu espírito anárquico não compreende
a frieza em pleno verão.
Nasci na tropicália mineirês,
no barroco europeu
com santos que nunca acreditei.
Aprendi a ler para rezar novena e fui parar em
“Ave Bakunin!” e “Salve Lispector!”.
Lisa Alves — Arame Farpado (2015)
Sobre o 13
Demétrio Sena - Magé
O meu voto é por mim e pelos meus,
pelo povo que às vezes nem percebe,
mas que bebe fiado a própria dor,
pra tentar esquecer que a dor existe...
Vou às urnas por mim, por minha gente
que trabalha igual bicho para monstros
cujas mentes estão em seus umbigos
e nem sei se têm alma e coração...
Voto contra barbáries, ditadura,
contra quem oferece os meus direitos
à loucura de um Hitler reciclado...
Pra manter este sonho de país,
ser feliz e trocar esse congresso
inimigo voraz do bem comum...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
E o meu irmão
sabe
muitas coisas.
Sabe, por exemplo,
que um grama de pólen
é como um grama de si mesmo,
docemente predestinado ao lodo germinal,
ao mistério daquilo que se erguerá vivo de ramos,
de frutos e de filhos, com a bela certeza das transformações,
do começo inevitável e do necessário final, porque o que é imutável
encerra o perigo do eterno, e só os deuses têm tempo para a eternidade.
A meu ver, não existem pessoas tristes ou felizes. Esses são estados de humor e, como tal, são voláteis. Ninguém é 100% uma coisa só o tempo todo. As pessoas sustentam ou não esses estados emocionais, conscientes disso ou não. Uma desilusão não superada faz a tristeza permanecer por mais tempo; um relacionamento em sua melhor fase faz a felicidade permanecer por mais tempo. Mas isso passa. - Rob Sings
ela era mar,
entornando na praia,
só de saia,
era sol,
só minha, era sal,
meu lual
mulher areia,
grudada no corpo,
era sereia
era amanhecer,
final de tarde,
meu bem querer
era Vênus, Hera,
heresia,
era eu
(era mar)
Teu corpo no meu
acende o que não posso esconder.
O toque vira pressa,
a respiração falha,
e o desejo — quente, pulsando —
nos puxa para o mesmo ritmo
Teu corpo encosta
e o meu já responde.
O calor sobe rápido,
a pele pede,
a boca procura,
o desejo domina —
firme, urgente,
impossível de conter.
“Teu corpo contra o meu dissolve qualquer pudor, e o que sobra é só a urgência de sentir, sem pressa, sem culpa, até perder o fôlego.”
“Meu corpo reconhece o teu antes do toque, treme de fome, se oferece inteiro, implorando para ser tomado no ritmo lento da tua vontade.”
Não é pressa,
é necessidade.
Não é entrega,
é instinto.
Quando te chegas,
meu corpo se curva em silêncio,
porque deseja ser lido devagar,
linha por linha,
até que o desejo transborde
e não reste nada além de nós.
Ele nunca está em sintonia com o meu ritmo...
Oh! Tempo!
Tempo que nunca está em sintonia
com o meu ritmo...
quando ele está lento
eu estou com pressa
quando ele está com pressa
eu quero lentidão...
entre calma e pressa,
pressa e calma,
o tempo passa
mas...
nunca passa
essa calma de escrever...
e na vida apressada
do mundo sem calma,
de ter a minha calma
estou sempre com pressa...
O tempo está fora de tempo
ou sou eu que estou fora do tempo?!..
✍©️@MiriamDaCosta
Ode à Poesia
(31 de Outubro — Dia Nacional da Poesia)
Óh, Poesia!
Senhora do meu âmago!
És a fonte do viver
desse meu Eu lírico,
o elo de sobrevivência
entre o meu sentir e o meu existir...
É em ti que respiro
os silêncios não ditos,
as dores não curadas,
os afetos perdidos...
Tu és o refúgio sagrado
onde repousa minh'alma,
o templo onde a emoção
se faz verbo e luz...
Sem ti, Poesia,
eu seria deserto,
árido de encantos,
vazio de sentidos,
mas contigo,
sou flor que floresce
em meio às ruínas,
sou canto que atravessa
as muralhas do tempo...
Óh, Poesia,
que habitas em mim
como uma prece antiga,
permanece eterna,
infindável,
como a chama
que dá voz
à minha própria essência...
Óh, Poesia!
Matéria viva do meu sangue,
alma incandescente
do meu caos interior...
És o grito que ecoa
quando o mundo me cala,
a seiva que impede
a minha alma de secar...
Não és escolha,
és instinto,
necessidade,
sopro vital...
És a vertigem que me salva,
a dor que me dá forma,
a ferida que floresce
em palavras e silêncio...
Em cada verso que nasce,
sinto o parto do infinito
rasgando o meu peito,
e é em ti que sobrevivo
entre o abismo e a luz...
Poesia...
És o meu fôlego,
meu vício,
meu exílio e minha redenção...
Óh, Poesia,
minha doce companheira,
tão antiga quanto os sonhos
que me habitam em silêncio...
Tu me acompanhas
nos instantes de ternura
e nas madrugadas de solidão,
quando o mundo adormece
e só a alma desperta...
Em teus braços repouso
meu cansaço e minha fé,
contigo, aprendi que o sentir
é também uma forma de cura...
És o murmúrio que acalma,
a brisa que sopra sentido
sobre as dores do tempo...
Poesia...
tu és o modo mais puro
de me reencontrar
e me reconhecer,
em cada palavra que floresce
dentro do meu próprio silêncio...
✍©️@MiriamDaCosta
Deixo o copo meio vazio
ou meio cheio
para os pessimistas
e otimistas.
O meu copo transborda
nuances perfumadas de poesia.
✍©️#MiriamDaCosta
Tentei cuidar do meu jardim💚
mas esse mormaço insuportável
me fez desistir 🥵🥵🥵
Quero o Outono de volta!
Decisamente,
sou um ser outunal...
sou feita de versos e poemas outonais...
da praia de Itaipu deserta e silenciosa,
das paisagens verdejantes, frescas e plácidas,
e, as vezes...
da névoa sobre a exuberante Serra da Tiririca
que inspira e revela a minha caneta primaveril ...
✍©️@MiriamDaCosta
Hoje, bem cedo,
um trio de evangélicos
bateu ao meu portão
oferecendo salvação
em forma de convite.
Respondi com educação:
— Irei, com prazer.
O sorriso acendeu nos olhos deles
como promessa cumprida.
Completei:
— Mas só depois
de visitarem o terreiro de Umbanda
que eu frequento.
O brilho apagou.
Os olhos, antes luz,
encheram-se de indignação
como quem vê o proibido.
Afastaram-se do meu portão
com a pressa dos vampiros
diante do sol e do alho.
✍©️@MiriamDaCosta
Ode ao Senhor Tempo
Oh! Tempo!
Como aprecio-te!
Gosto de ter-te nos meus passos,
no meu trilhar o tempo do viver.
Sem pressa e afobação,
a pressa me conturba, me confunde;
a afobação me irrita,
é enervante!
A minha pressa
é a da calma,
do meu tempo
sem tempo apressado.
Oh! Tempo,
meu silencioso companheiro,
gosto de sentir-te nos passos,
marcando o compasso do viver.
Não te quero correndo,
nem arfando nos relógios do mundo.
A pressa me turva,
me dispersa da inteireza.
A afobação grita,
e eu prefiro o sussurro.
Minha pressa
é feita de calma,
é o tempo que caminha
sem se perseguir.
Oh, Tempo,
não te temo,
te cultivo.
Quero-te nos meus passos,
não como urgência,
mas como presença.
A pressa me rouba o sentido,
me embaralha os gestos,
me desencontra de mim.
A afobação não é movimento,
é ruído e caos.
Eu sigo outro ritmo,
a pressa da calma,
esse tempo que não corre,
apenas vive em mim
em versos que correm
no tempo sem pressa
da poesia do viver.
✍©️@MiriamDaCosta
Existem momentos
em que o meu âmago,
tão visceral,
como um vulcão,
entra em erupção,
jorra intensidade,
expele profundidade
e minhas veias
pulsam versos,
poesia
em estado de lava,
palavras incandescentes
que golpeiam,
sem pedir licença,
a delicadeza desse meu sentir
forte e violento.
✍©️@MiriamDaCosta
