Meu Passarinho Já era o chegar do... Prof. Tonny Feittosa...
Meu Passarinho
Já era o chegar do crepúsculo quando o passarinho que viaja decidiu explorar mais o lugar onde estava a cantar. Tudo era muito lindo e cheio de cores. Ele, com todo o seu entusiasmo, foi pulando em árvores grandes e cada vez mais altas. Pobre passarinho, nunca soubera o que era voar e pular longe da sua gaiola. Perguntava-se ele se era merecedor de viver tudo aquilo; seus olhos brilhavam sem saber como o mundo era grande e cheio de tantas coisas jamais vistas.
O passarinho, cheio de vida, estava feliz longe de sua gaiola, que um dia o prendera e o impedira de voar. Mas ele era sonhador, acreditava que um dia voaria tão alto que suas asas queimariam, assim como Ícaro ao voar tão perto do sol. Ele pensava: “Nenhuma grade gelada pode esfriar as batidas do meu coração.” Realmente, nada parava o passarinho. Bem alimentado, foi bem cuidado e bem admirado, mas jamais cantara para quem o prendeu.
Hoje, o passarinho, no meio da grande árvore, observa como a vida era bela e como era bom cantar. O passarinho conheceu outro passarinho; rodopiavam no ar transformando seus movimentos de tal forma que até o som do vento ajudava a sinfonia completar, e foi assim por horas. Ali, já não recordava mais da gélida jaula que um dia o impedira de voar.
Então, o outro passarinho voou e foi para longe. Assustado, sem saber o que fazer, o passarinho chorou. Sentira a mesma angústia de sua jaula. Pobre passarinho, não sabia que as piores jaulas são os amores de um beija-flor, que vem, pousa e vai embora.
O passarinho, triste e com aquele vazio gélido que lembrava sua jaula, decidiu fazer o que sempre sonhou: voou e voou o mais alto que podia. Sentia que queimaria e veria a chama incendiar o seu corpo. Pobre passarinho... Lá no alto, ele não esquentou, não incendiou. O pobre passarinho congelou e, em queda livre, despencou.
@prof.tonnyfeittosa
