Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Há alguns dias atrás, eu estava sentado numa dessas lanchonetes com mesinhas de madeira pela calçada larga, tomando uma cerveja, enquanto aguardava um sanduíche ficar pronto pra eu levar pra casa, quando de repente, avistei um casal com um carrinho de bebê vindo na minha direção. De longe, a moça que segurava um paninho amarrado à uma chupeta não me era estranha, e realmente me lembrei dela com muita facilidade quando se aproximou da mesa onde eu estava. Estava um pouco diferente, mais velha, com os cabelos um pouco mais claros que antigamente, mas continuava muito bonita, e automaticamente a reconheci. Ela sorriu pra mim, e tenho certeza que para ela também veio aquela conexão com o passado. Eu me levantei, a gente se abraçou, e sim, claro, aquela velha frase começou a conversa: "Nossa, quanto tempo!". Me apresentou ao marido, que empurrava o carrinho, um cara de um sorriso simpático e tranquilo, boa praça. Me disse que estava morando em Londres há não sei quantos anos, nos falamos um pouco, me mostrou o filho Lucas de 10 meses, e eles foram embora. Eu me sentei novamente e me pus a pensar e lembrar de alguns fatos passados. Me lembrei de um amigo que há muitos anos também não ouço falar. Me lembrei do Jhonny, lá da minha adolescência nos anos oitenta ainda. Jhonny na verdade era João, mas todo mundo chamava ele de Jhonny por se parecer tanto com o Steve Perry do "Journey", e sei lá, ele usava sempre a mesma jaqueta surrada de couro, alguma coisa remetia ele ao rock, punk, acho que todo mundo achava mais underground chamá-lo assim. Jhonny foi colega meu de escola, e amigo nas horas vagas. A gente sempre se encontrava, e ele era apaixonado por Elisa, a moça do carinho de bebê. É impossível voltar nos meus tempos de adolescência e juventude, e não me lembrar de quantas serenatas fizemos para "Lis", de quantas rosas roubamos nos quintais e deixamos na janela para ela, quantos bilhetinhos ajudei Jhony a escrever e ainda desenhava meus corações tortos, quantos planos os dois me contavam sobre ter filhos, comprar aquele som 3x1, aquela viagem pra Ubatuba que nunca aconteceu. Quantas vezes tanto Jhony quanto Elisa choraram um pelo outro no meu ombro e eu tinha de dizer: vai ficar tudo bem, quando na verdade, com o tempo, mal podia acreditar que jamais ficaria bem. Sabe, fiquei pensando sobre tantas coisas, tantos sonhos, tantas loucuras que fazemos em determinado momento nas nossas vidas, e que no fim, no outro dia, muda-se tudo. A vida segue, flui, os objetivos diversificam, as pessoas mudam, nós mudamos também, algumas vezes nos perdemos delas, mas sempre nos reencontramos em outras. No fundo, tudo se ajeita, tudo se encaixa dentro daquilo que mais precisamos no momento. Não sei por onde anda Jhonny, mas sei que pelo que sempre o conheci, ele está bem. Com certeza tem uma vida tão boa quanto Elisa, e de certa forma, me fez bem pensar assim. Me levantei, peguei meu sanduíche, paguei, saí de lá, parei na esquina, fechei os olhos por um milésimo de segundo e disse pro nada: Jhonny, segue firme ai velho, a Lis tá bem!
Ricardo F
Eu bem que queria ser a solução para os problemas do mundo,
mas não consigo organizar, nem mesmo, o meu quintal.
Me arrancaram sonhos!
Fizeram eu acreditar que não era moça recatada, que passou de meia noite na rua não era Cinderela.
Que já teve mais de dois namorados é rodada.
Não casou antes dos 25 não deve prestar.
Essa vou conquistar depois largar por uma melhor... Só serve de distração. Nem pai tem
Doente, desempregada e pega no pé.
Mulher melosa,romântica e apaixonada.
Chata e Maluca!
Não adianta, não quero mais anel, véu, grinalda,me arrancaram sonhos e esse foi um deles.
A doença tirou outras de ser independente, sair com meus amigos e poder pagar e sair sem remédios.
E o tempo continua me arrancando sonhos,sempre me sinto segunda opção ou terceira ou até a última.
Eu não quero mais sonhar!
Quem cria expectativas acaba quebrando o pé a mão e o coração.
Só quero mesmo amanhã acordar sem dor!
Mataram meus sonhos e não quero mais sonhar, só dormir que é quando não dói mais.
De onde eu vim muitos caíram, poucos subiram, e os que se mantiveram sempre foram a minha inspiração.
O Deus q eu creio é um Deus q nunca vi isto se chama fé,e tenho provas da sua existência em tudo q vejo ao meu redor e além disto
Eu fico a pensar: porque algumas pessoas têm medo de dizer não?
Dizer não causa menos dor do que embromar.
DESQUALIFICADO
Eu sou apenas um alvoroço
Ilusão que vai, ilusão que vem
Barco sem rumo, fé no fosso
Vão no coração, sou ninguém
Nunca serei nada, um esboço
Do crédito pouco sei ir além
Os sonhos sem sal, insosso
Da janela, o destino, vaivém
E neste propósito sem nada
Sou vencido na encruzilhada
Porém, tentei, e não fui também
Falhei em tudo, levei bofetada
Do tempo. E nesta varia parada
Me resta, só o que me convém...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
01 de agosto, 2018
Cerrado goiano
Eu queria
Queria muito que podesses entender tudo o que tenho a dizer por simplesmente olhar nos meus olhos
Queria poder expressar o que sinto
Queria poder dizer que tornas o meu dia mais lindo
Que quando apareces me cortas a respiração
Que quando me tocas deixas-me sem chão
Que tua presença dá cores a minha vida
Que tua ausência deixa tudo cinza
Queria poder dizer tudo que sinto
Mas infelizmente não consigo...
Hoje, eu andei de cabeça baixa. A sensação de mal estar me invadiu. Foi ruim mas eu estava seguro. Seguro de mim mesmo.
Ele não era o príncipe encantado que eu havia esperado a vida toda.
Definitivamente não era a pessoa certa para mim. Mas quer saber? Eu não queria a
pessoa certa. Não queria alguém que chegasse no momento certo, que fizesse
sentido. Não, eu queria a pessoa errada! Queria perder a cabeça e o sono, fazer
loucuras das quais me arrependeria mais tarde, brigar, gritar para em seguida chorar
e rir em seus braços. Queria alguém que gaguejasse por medo de me perder. Que
me jogasse de um penhasco, me dopasse para me acalmar, preparasse comida
intragável e que ainda me parecesse o melhor dos banquetes. Queria alguém que,
de tão diferente de mim, me completasse.
Luna
Tempo
Dizem que o "tempo" é o remédio da alma, eu discordo em partes, pois se esperamos tempo demais para dizer algo ou fazer algo que queiras muito, será apenas um tempo perdido, e tu vai sempre pensar que poderia ter feito, ou seja, não vai lhe curar nada, apenas te deixará com uma incerteza do que poderia ter acontecido pro resto da vida. Porém entretanto tenho que concordar que o "tempo" cura decepções, cura amores não compreendidos, cura as besteiras nossas de cada dia.
O tempo pode se tornar nosso aliado, basta usá-lo corretamente, saiba dosar o tempo e seja feliz, não se prenda a medos ou incertezas, apenas viva o momento, pois o teu futuro é o "agora" e o teu passado...Ah esse já está lá atrás.
Se for pra amar, demonstre!
Se for pra beijar, beije!
Se for pra rir, ria!
Se for pra comer, coma muito, coma bastante!
Se for pra fazer "aquilo" , faça!
Viva intensamente, sem medos ou barreiras, o amanhã pode ser tarde, viva o teu presente hoje!
Eu tento forte! sim eu tento, mas se eu ouço seu nome em um segundo viro retalho, te procuro a minha volta e não te vejo.
