Eu Vou mais eu Volto meu Amor
“Meus poemas serão reconhecidos quando eu tiver virado pó.
Ou cinzas... ainda não decidi.”
— Cyntia Karla De Liz
“Meus gostos são tão peculiares que hoje eu comi cenoura, pepino, couve-flor e farofa.”
— Cyntia Karla De Liz
Dê-me todo e qualquer tipo de nome quando assim eu o merecer.
Sabendo à quem devo agradar, só eu sigo!
O grande problema é que esse EU SOU, mudou para EU TENHO, tenho carrão, celular Top, dinheiro aos montes, etc..., etc...etc...!!!
Quando você perde o que TEM, o seu EU SOU fica vazio e se perde!!!
Enquanto o EU SOU, você nunca vai perder, vai ser seu até o fim da sua vida!!!
Doutor, eu não quero subestimar a inteligência das pessoas, mas também não quero que subestimem a minha. À medida que essas pessoas tentam me subestimar — quando elas vêm com o queijo e eu já estou com a faca —, se eu acabar subestimando a inteligência delas, posso terminar desarmado.
Quem sou eu? Quem tu és?
Às vezes descobrimos tarde demais quem alguém realmente era.
Outras vezes, descobrimos tarde demais quem nós próprios éramos.
Quando o bicho pega, para onde eu corro?
Quando o bicho pega
e o peito aperta,
quando a tristeza chega
e a esperança fica incerta,
para onde eu corro?
Será que eu vou fugir?
Ou paro um pouquinho,
respiro… e tento me ouvir?
Posso correr para o abraço,
para alguém que sabe escutar,
para um amigo, um familiar,
para quem comigo pode caminhar.
Posso chegar no CAPS,
bater na porta e dizer:
“Hoje não estou dando conta,
preciso de ajuda para viver.”
Não preciso enfrentar sozinho
o que parece um furacão.
Dividir o peso da vida
também é uma forma de proteção.
E quando o bicho aparece,
fazendo barulho e confusão,
eu lembro: tenho caminhos,
tenho gente, tenho mão.
Que venham as noites, que venha o frio,
Eu já conheço o caminho sozinho,
Melhor andar só com a verdade
Do que cercado de falsos amigos.
O que, de fato, eu não suporto é a falsidade entre pessoas que só querem uma oportunidade para se beneficiar à custa de inocentes.
O Erro de Esperar o Resgate de Fora
Por muito tempo, eu vivi estagnada, alimentando a ilusão de que a minha vitória chegaria em um passe de mágica. Diante das tempestades da vida, eu me sentava e esperava. Esperava o barco, esperava o helicóptero, esperava o exército ou que uma ajuda milagrosa caísse do céu. O que a minha miopia espiritual não me deixava enxergar era que o maior milagre já havia sido depositado dentro de mim: a capacidade de reagir. Deus não faz por nós o que Ele nos capacitou para fazer. Todo o apoio invisível, toda a força e toda a estrutura para o recomeço eu já havia recebido em algum momento da jornada. No entanto, eu insistia no erro de esperar que o outro fizesse a minha parte. A salvação começa quando compreendemos que as ferramentas já estão em nossas mãos, mas o passo precisa ser o nosso.
Eu já precisei muitas vezes esconder quem sou. Eu já senti medo, senti raiva, senti ódio, senti rancor, mas nada me fez deixar de sentir amor.
Eu já chorei, já me entristeci por coisas que não aconteceram de verdade. Mentiras, interpretações distantes do que era de fato.
Eu, às vezes, sou inteira, mas hoje, hoje, só hoje, estou me sentindo metade da comida do prato.
Nildinha Freitas
eu sou dessa laia
descompromissada com padrões
que mede pessoas da cabeça ao infinito
que encontra na simplicidade o próximo amigo,
ou amor.
sou da laia que não procura aviões
que se apaixona por bicicleta
e por pessoa que me envia carta ou mensagem
perguntando se está tudo bem.
amo as pessoas que erram e se reconstroem
amo as pessoas que amam e não desistem
da fé, do outro, da humanidade
por mais cruel que esteja a atualidade.
me encanto pelas pessoas que se revelam
sem abrir a boca,
amo as pessoas que me veem
quando estou no escuro
A Constelação Humana
Não importa se eu sou gorda ou magra, rica ou pobre, feia ou bonita. Não importa se carrego diplomas intelectuais ou se guardo apenas a sabedoria da vida; se sou expansiva e comunicativa, ou se prefiro o recolhimento da timidez. Diante das leis do universo, o que realmente importa é a nossa capacidade de dar as mãos e ajudar o outro a brilhar. O céu nos ensina essa lição diariamente através do Cruzeiro do Sul: ele não é feito de uma estrela solitária, mas sim de um grupo delas, onde cada uma empresta a sua força para a outra. É por causa dessa união que as noites ganham aquela presença linda e iluminada no horizonte. Quando paramos de competir e passamos a cooperar, entendemos que o nosso papel na terra é o de formar uma grande constelação de amor, onde o brilho do meu irmão só torna o meu próprio caminho mais iluminada.
“A pior coisa que eu experimentei nos últimos anos, é não ter um porto seguro; não ter para onde voltar.”
Sabe o que me atrai? Não é o que a gente vê de primeira. Eu reparo mesmo é na intensidade do olhar, no que não precisa ser dito. Um sorriso sincero já me ganha sem muito esforço. O que me prende de verdade é a conexão e a verdade
"Eu nunca quis, não quero e nunca serei seu amigo"
Eu transito.
Entre países,
fronteiras,
bairros,
cidades,
entre uma fumaça e outra,
entre amores que chegam
e amores que viram saudade.
Sou homem de passagem,
de mala, de rua, de miragem,
de beijo que acende a noite
e de adeus que muda a paisagem.
Acendo um cigarro
no Hard Rock Café de Santa Cruz de la Sierra
e, por alguns minutos,
me sinto como um deus.
Não porque conquistei alguém,
mas porque ninguém me pertence
e eu não pertenço a ninguém.
Em Letícia, na Colômbia,
danço cumbia amazônica
entre mulheres, fumaça e madrugada,
e descubro, mais uma vez,
que há coisas que acabam
sem jamais terem sido fracassadas.
Pedalo por São Paulo
e sou imbatível.
A cidade passa por mim,
os carros passam por mim,
as pessoas passam por mim,
e eu continuo.
Acendo um cigarro diante da Fundação Mario Benedetti
e a poesia me satisfaz.
Porque aprendi alguma coisa
sobre o amor,
sobre a vida
e sobre essa estranha mania humana
de chamar de definitivo
aquilo que nasceu transitório.
Eu sou rei na arte de transitar.
Sei chegar.
Sei partir.
Sei encontrar pessoas.
Sei reconhecer seus rostos anos depois
e fingir que o tempo não fez seu trabalho.
Grande parte das mulheres que conheci
dividiu comigo uma cama.
Hoje,
muitas são estranhas.
E tudo bem.
Não transformo o passado em mentira
só porque ele passou.
Houve amor.
Houve desejo.
Houve pele,
risada,
cigarro,
madrugada,
promessa que parecia eterna
até a manhã seguinte provar o contrário.
E depois?
Depois, seguimos.
Distintos.
Como duas gotas de água.
É assim que a vida me ensinou.
Eu não preciso possuir o que amei
para admitir que amei.
Não preciso voltar
para reconhecer que estive lá.
Não preciso transformar uma mulher que foi amor
em amiga
só para fingir que alguma coisa permaneceu.
E é aqui que você entra.
Porque eu nunca quis ser seu amigo.
Não naquela noite.
Não depois daquele beijo.
Não quando deitei ao seu lado.
Não quando imaginei você ao meu lado
para além de uma noite,
de um bar,
de uma cidade,
de uma estação.
Eu queria você.
Não sua amizade.
E eu não vou cometer agora
a covardia elegante
de chamar de amizade
aquilo que um dia chamei de amor.
Eu já tenho amigos.
Tenho muitos.
Tenho amigos suficientes
para encher uma mesa de bar.
Não me faz falta
mais uma cadeira.
Estou acostumado à solidão.
A solidão nunca me assustou.
Já atravessei fronteiras sozinho.
Já atravessei cidades sozinho.
Já atravessei países sozinho.
Já atravessei amores sozinho.
E sobrevivi.
Então não me ofereça
o prêmio de consolação.
Eu não quero.
O amor é arrogante.
Tão arrogante
que prefere perder
a fingir que ganhou.
Ele não aceita sobras.
Não aceita redução.
Não aceita que aquilo que desejou inteiro
seja apresentado depois
em pequenas porções
com o nome bonito de amizade.
Eu não quero a sua amizade
como quem recebe uma medalha
por ter perdido a guerra.
Prefiro a derrota limpa.
Prefiro a ausência verdadeira.
Prefiro que você passe por mim
num bar
acompanhada ou desacompanhada,
com alguém segurando sua mão
ou segurando apenas o próprio copo.
Já não me importa.
Você pode me cumprimentar.
Pode não cumprimentar.
Pode sorrir.
Pode seguir reto.
Pode estar com outro homem,
com outro amor,
com outra vida.
Nada disso me abala.
Porque o que me importa agora
não é ter você.
É não mentir sobre você.
Eu quis sua boca.
Quis sua presença.
Quis você ao meu lado.
E não vou fingir
que queria apenas uma amizade
porque foi isso que restou.
Não.
Te ganhar ou te perder.
Mas sem engano.
Sempre sem engano.
Porque a maior vitória
não é possuir aquilo que se deseja.
A maior vitória
é não se possuir pela mentira.
É poder perder alguém
sem perder a própria verdade.
Então vá.
Atravesse a rua.
Atravesse a cidade.
Atravesse a fronteira.
Faça da sua vida
o que quiser.
Eu farei da minha
o que sempre fiz:
transitarei.
Com meu cigarro.
Minha bicicleta.
Minha poesia.
Meus bares.
Minhas cidades.
Minhas mulheres.
Minha solidão.
E essa estranha capacidade
de amar profundamente
sem precisar transformar
todo amor perdido
em amizade.
Porque algumas pessoas
não foram feitas para permanecer.
Foram feitas para passar.
E algumas histórias
não precisam de amizade
depois do fim.
Precisam apenas
de honestidade.
Por isso,
se algum dia você me encontrar
naquela mesa de bar,
não procure uma cadeira vazia para mim.
Eu já aprendi a sentar sozinho.
E se quiser me chamar de amigo,
não.
Eu nunca quis.
Não quero.
E nunca serei.
Porque entre te perder
e me enganar,
eu escolho perder.
Entre a sua amizade
e a minha verdade,
eu escolho a verdade.
Entre ter você pela metade
e não ter você de jeito nenhum,
eu escolho o vazio.
Porque o vazio passa.
A mentira fica.
E eu,
que sou tão acostumado a partir,
não tenho medo de partir de você.
Tenho medo apenas
de permanecer
onde nunca quis estar.
Te ganhar ou te perder.
Mas sem engano.
Essa é a vitória.
