Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Dignidade, para quem veio do lugar de onde eu vim, é ter um lugar para dormir, um prato de comida para comer e um amor para chamar de seu.
Césio 137 — Não Tão 137!
Em meio ao eco do noticiário, lá estava eu na aridez do hospital.
A pele ardendo em chamas, fogo invisível que corroía a estrutura dos meus ossos.
Vieram as náuseas, mas nada se comparava ao estigma e ao olhar de pavor que vinham daquela multidão.
A dor maior, contudo, foi o desapego:
saber que perderia o contorno dos meus cabelos.
Nem a morfina ou o fentanil davam jeito. Ah, meus lindos cabelos...
Castanhos, reluzentes, cintilavam à luz da noite.
O que omitiram sobre o fascínio daquele pó azul era a exaustão mórbida que cobria o corpo.
Vomitar as próprias entranhas na apatia do silêncio...
A radiação era um golpe tão denso
que anestesiava os sentidos antes da ruína.Tontura, dor de cabeça, o colapso — tudo chegou depois, em ritmo lento.
Engraçado.
De todo esse caos, restou apenas uma réstia de luz:
a memória daquele dia, eu e você,
na serenidade da praia do rio.
Senti, enfim, uma paz absoluta.
Obrigado por ser a minha última lembrança de amor.
Autor: James Richard Ferreira Pantoja (Pseudônimo: KANGAL)
Se o bem ou mal existem eu não posso responder, más, talvez o véu que rompa a morte possa transcender.
_KANGAL
O Preço do Erro
Eu cometo erros e sou julgado,
A minha reputação está na lama;
Vivo um dia de cada vez, calado,
Sem esperar de ninguém o que me ama.
Os meus dias me pertencem, mas e agora? Será que pertencem só a mim? Respiro devagar vendo ir embora o vento deste espaço até o fim.
Não há perdão para o que foi ferido,
Menti pra sustentar um ar marrento.
Tolero a dor de ser um mal-entendido, E chamo de solitude este tormento.
Já não me importa andar pelo caminho sem amor, sem esperança e sem abrigo;
Só me restou aprender a ser sozinho,
Levando a minha sombra comigo.
— KANGAL
Aviso de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual
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Esta obra literária é de autoria e propriedade exclusiva de James Richard Ferreira Pantoja, protegido pelo uso do pseudônimo Kangal, nos termos da Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998) e das normativas internacionais de proteção à propriedade intelectual.
Nenhuma parte desta criação pode ser reproduzida, distribuída, comercializada ou utilizada de qualquer forma, por qualquer meio eletrônico ou mecânico, sem a prévia e expressa autorização por escrito do autor, ressalvados os casos de citação permitidos por lei.
Eu olho para as luzes da cidade. Exatamente iguais a mim. Sou parte dos espaços,movimento,vento.
Essa arquitetura grotesca que acolhe a nossa natureza se torna dinâmica, nos unifica, nos distancia e nos deixa a deixa: estamos todos, unidos em nossos próprios abrigos, convivendo com as sombras e esfinges.
É tempo de construir novos mundos,tomar conta uns dos outros,demonstrar afeto como se planta uma semente para dias menos duros e conversar com Deus.
Porque ele preserva a nossa parte mais bonita que resiste a estes tempos nebulosos. Pedimos por Paz,torcendo pra que alguém totalmente desconhecido que seja exatamente aquilo que eu seria para outro agora, abra a porta, nos tirando dos muros que construímos e nos diga que embora nesse tempo esteja cada um na sua,vai ficar tudo bem!
Lembro que quando era pequena,eu sempre imaginava me pintar por dentro de azul como o céu,era assim que eu sentia Deus,eu lhe agradecia por todas as coisas simples e lhe pedia para ter força para aguentar firme e foi conversando com ele todos os dias,que me fortaleci e aprendi que a parte mais linda do Amor,é construída em forma de prece.
Eu não carrego títulos e não governo terras. Meus passos não deixam marcas profundas no chão, e os dias que vivo são tecidos com os mesmos fios invisíveis que vestem a rotina de qualquer um. Se o mundo mede a grandeza pelo barulho dos aplausos, eu sou o mais completo silêncio. Minha voz desaparecerá com o vento, e a história não fará pausas para registrar a minha passagem. Mas há uma verdade oculta na minha pequenez: eu decifrei o mistério do tempo. Enquanto muitos buscam a imortalidade na pedra fria dos monumentos, eu a encontrei no calor de um instante presente. Consegui a proeza de contemplar o milagre de existir sem a necessidade de ser visto. Em um mundo febril por aplausos, meu maior triunfo foi o de ter vivido com uma entrega absoluta, amando cada aurora e cada silêncio com a integridade de quem sabe que o agora é o único infinito que nos cabe. E, para o meu espírito, essa quietude preenchida sempre foi a eternidade inteira.
Reno Fioraso
Todos nós começamos de algum ponto. Para aqueles que estão há muito tempo, eu digo: ajudem os recém-nascidos a andar. O saber é algo extraordinário.
O Homem que Carregava o Frio
Eu carregava sacos de gelo durante o dia,
mas era a minha própria alma que congelava aos poucos.
Minhas mãos tocavam o frio da pedra,
enquanto meu corpo aprendia uma nova forma de dor.
Ao chegar em casa, a noite não trazia descanso;
trazia o julgamento do próprio corpo.
Cada músculo queimava como brasa escondida,
cada respiração era uma lembrança
de que eu ainda precisava continuar.
Deitado no escuro, entre o silêncio e a agonia,
eu não pedia riqueza, nem uma vida perfeita.
Minha única oração era simples:
“Que eu acorde amanhã.”
Porque havia um peso maior que a dor dos braços,
maior que o cansaço dos ossos:
era saber que o mesmo sofrimento me esperava no dia seguinte.
E mesmo assim eu levantava.
Vestia minha coragem como quem veste uma roupa velha,
pegava o caminho de sempre
e enfrentava mais um dia.
Ninguém via as lágrimas que eu engolia,
ninguém ouvia as batalhas travadas dentro de mim.
Mas ali estava eu —
um homem ferido pelo tempo,
mas ainda de pé.
Não porque era fácil suportar,
mas porque havia algo em mim
que a dor nunca conseguiu destruir.
Hoje eu parei e olhei bem sério para a calçada, e me veio uma dúvida à mente:
Por que eu estou aqui hoje?
E eu não sei dizer. Não sei o que se passa na minha cabeça. São tantas dúvidas e tantas questões… Está tudo uma confusão.
Não sei de onde começar e nem como vai terminar.
Então, eu parei para tentar organizar tudo. E sabe o que aconteceu?
Nada.
Às vezes, a resposta está na nossa frente e não a vemos. Ou, muitas vezes, nem sabemos a resposta. E podemos dizer que existem momentos em que é melhor não saber.
Mas algo me veio à mente e clareou tudo:
Eu não preciso saber.
Eu não preciso resolver.
Eu não tenho que descobrir.
Eu só preciso seguir firme e forte.
Existem coisas que, por mais que busquemos respostas, não sabemos por que acontecem. Então, simplesmente deixamos acontecer, pois, uma hora ou outra, vou descobrir por que tudo isso ocorreu.
Não espere que você vá resolver tudo. Às vezes, o tempo resolve sem você fazer nada.
Então, olhe para mim e sorria, como eu sorrio.
A vida é bela demais para deixarmos de curti-la.
Você.... sempre você
Lá... em algum lugar...
bem longe daqui.
Eu... sempre eu...
Aqui... no mesmo lugar...
bem perto daqui
Desculpa se eu não fiz tudo como você queria. Desculpa.
Desculpa se eu não abaixei a cabeça, se eu não me submeti.
Desculpa se eu não fui o que você quis. Desculpa.
Eu peço desculpa se eu não agradei, se eu não agrado, se não vou agradar.
Mas eu peço desculpa a mim.
Desculpa é a mim, a quem eu devo mais amar.
Nildinha Freitas.
Eu me reinvento todos os dias para não me entregar.
Às vezes, certas mudanças são necessárias para preservar aquilo que ainda resta de quem você era antes do caos se instalar.
Não é deixar de ser quem somos.
É aprender a proteger o que sobreviveu.
bom, lutando é uma palavra muito forte, e vencendo não é exatamente a verdade, eu to sem vontade. sem vontade nenhuma..
me vejo morta daqui 10 anos.
Eu costumo dizer que há 2 tipos de pessoas... A que dá bom dia, e a que responde bom dia... Nesses tempos foram criadas um terceiro tipo: a que não dá, e não responde.
