Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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"Eu sou como a terra sólida, resistente.
Porém, às vezes me abalo,
Causando terremotos.
Consequentemente, vêm os maremotos,
Que fazem das águas calmas
Uma devassidão,
Sai levando tudo pela frente.
E eu não tenho culpa.
A natureza me fez assim?
Ou foram as circunstâncias da vida?
As vivências, traumas...
Que culpa tem a terra das placas tectônicas se colidirem?
E que culpa tem o mar,
Da terra mexer tanto com ela,
Ao ponto de tirá-la do seu lugar,
A levando desesperadamente a fugir,
Mesmo que a consequência seja acabar com tudo que cruze seu caminho?"

"Eu me entreguei de corpo e alma na relação, loucamente apaixonada, amando de verdade. Entrei de forma transparente, contei tudo de mim. E sempre contei quando algo me magoava; se repetia, eu ficava chateada, me expressava dizendo que de novo não tinha gostado de tal comportamento. Dentro de mim, várias vezes eu gritei e chorei, sem aguentar mais, porque eu não era ouvida. Me sentia sem voz, desvalorizada, desmotivada. Mas isso não é lembrado. Depois você se quebra, se torna vários fragmentos do que foi um dia. Aí você é julgada, tachada de várias coisas: preguiçosa, a que não colabora. E tudo que você faz todos os dias é tentar sobreviver, mesmo sem ter esperança de se reerguer. Você torce pelas pessoas que ama, deseja sucesso, o melhor da vida. E fica ali, aguardando lentamente os dias passarem, para quando esse dia chegar, poder descansar, fechar os olhos e não mais abrir."

A sensação de “eu” que parece tão sólida é, na verdade, um fenômeno contínuo sendo recriado momento a momento através da identificação com pensamentos, memórias e expectativas. Quando essa construção é observada em tempo real, ela começa a perder densidade, e o que resta não é vazio no sentido negativo, mas uma abertura viva e consciente.⁠

Se todos sentissem o que eu senti, a visão sobre as mães seria outra! Não aquela de empregada, mas a de anjo. No final, o sentimento seria de gratidão ao invés de obrigação por nos ter colocado no mundo.

"Que eu possa ser luz
Que eu possa fazer brilhar
Que eu possa acender
A chama da Esperança
No coração da humanidade."

⁠Que eu saiba sempre agradecer, E em cada pedido, também aprender. Pois a vida é feita de dar e receber, E na gratidão, encontramos o poder.
Cleber Novais.

A Lápide da Alma:


Um Grito na Noite Gelada
Eu sinto... Não sei bem o quê. É um nó, Um vazio que me encolhe. Não sei se estou de pé, Ou se já me desfaço.
A noite mais fria de Curitiba, O silêncio, cortado só por mim. Gravo isso... pra quem? Talvez para o eu do futuro, Que um dia, quem sabe, tropece aqui.
A náusea de Sartre, Um espelho amargo. Ver a existência assim, nua, Sem roteiro, sem chão. Um vazio que é dor, E me aperta, me paralisa.
Quero chorar e quero estar bem. Uma confusão que não me move, Só me prende mais. Vejo o idiota no reflexo da janela, Distante, estranho. Sou eu, mas não sou. Desconectado do que sinto, Entorpecido. Mas nesse vazio, nesse caos, Será que há semente? Um solo onde algo novo pode brotar? Eu espero, eu do futuro, que sim.

Eu necessito, eu necessito…
como quem já não distingue desejo de falta,
como quem arde por dentro
sem saber onde termina o fogo.


Necessito sentir você
não só na pele,
mas no intervalo das coisas,
no silêncio entre uma palavra e outra,
no espaço onde o mundo desacelera.


Necessito estar perto…
perto o suficiente
pra que tua respiração bagunce a minha,
pra que tua presença dissolva
o excesso que me transborda.


E, ainda assim,
no meio de toda essa fome,
há uma pausa em você
que me salva do excesso
que, contraditoriamente,
é tudo o que eu mais necessito.

Hoje eu acordei chorando.
Lágrimas de felicidade, não tristeza.
Pois num momento sem direção,
você veio por poucos segundos me acalentar.

Não te vi dormindo, pouco antes de acordar,
Mas quando percebi, na sua frente me ajoelhei e desatei.
Não soluçava, como agora, mas já chorava lagos e rios.

Tentei sua testa beijar, enquanto dormia serena, mas antes você acordou e me olhou.
Aquela cara de quem acaba de acordar, mas já ostentava seu zelo, tentando tirar da minha camiseta um pelo.

Parando para refletir, sua voz eu não me lembro de ter ouvido, mas as palavras eu entendi e as respondi com um riso baixo.
Antes que pudéssemos falar qualquer outra coisa, infelizmente virei para o lado, acordei e me afoguei.

Foram poucos segundos, não nego,
um curto infinito, aceito.
Mas nesse momento de dor,
Foi muito mais do que eu podia querer.

Como o vento eu destruo, mas também ajudo. Como os raios eu reluzo a minha luz, com o sol queimo as vosas peles, como o oceano, não tenho limites e sigo minha própria profundidade

Sinto a sua alma fluir
Desejo o melhor a seguir
Curaria todas as suas dores antes de partir
Se eu pudesse lhe faria sorrir
Em todos os momentos aplaudir
Somente por você existir
Nossos anjos "Tronos" planejaram permitir
Nosso encontro de almas florir
Nossas palavras se encaixam sem pedir
Assim como nossa energia vem a emergir
Tive sonhos ao abrir
Minha mente ao cair
Em sono profundo te vi sair
Comigo no colo sem me ferir
Me deitou em uma mesa ao ir
De encontro com Deus orou sem invadir
Perto de mim ficou sem punir
Acordei com sua presença em colorir
Meu desejo de viver e sentir
Mais instantes com você antes de subir

Às vezes penso, se existisse outra de mim, talvez eu finalmente teria a companhia que sempre ofereci aos outros

Primeiro eu honro a Deus em tudo… depois? A honra vem, porque quando Deus é prioridade, nada fica sem resposta.

Dengue


​Sabe hoje? Eu tô me sentindo doente.
Mas não é de hoje. Já faz uns dias.
Um mundo mais pálido, a vista fechada,
A vontade de viver secando em mim.
Tipo... eu tô doente. Doente de verdade.
Eu não tenho fome e nem coragem de sair da cama.


​Na verdade, tenho uma bola na garganta.
Não, não é uma bola. É um bicho vivo.
É um gato arranhando a carne por dentro,
Rasgando pra fora, num desespero contínuo.
Eu tento cuspir, eu tento expulsar,
Mas ele crava a unha e não sai.
​E o pior? O pior é estar sozinha.
Eu não sou fraca. Mas hoje me encontro frágil.


Odeio a fragilidade me arrastando pro chão,
Nesse poço sensível onde me afundei.
Eu não consigo pensar. Eu não consigo agir.
Eu só consigo ficar deitada. E chorar.
​Qualquer som lá de fora me faz desmoronar.
Como se a doença vazasse pelos meus olhos.
Como se eu precisasse rachar de uma vez,
Com um choro contido e engasgado,
Pra engolir a verdade que eu sempre recolho:
Eu não tenho ninguém. Ninguém pra chamar.
​Ninguém que me chame sem segundas intenções, sem transações sociais.
Alguém que só queira saber como estou e venha ao meu socorro.


​Isso me lembra algo.
Eu tive dengue quando era criança.
Família grande. Casa cheia e vazia ao mesmo tempo.
Tudo acontecendo, mas nada era dito.
Eu ficava doente, encolhida no canto...
Pequena. Insignificante. Engolindo o grito.
Ninguém cuidava de mim. Ninguém me via.
​E isso bate na ferida que nunca fechou.
A carne viva rasgada que não cicatriza.
É a minha maior ferida.


Talvez seja o abandono me fazendo doente.
Ou talvez seja dengue, que me paralisa.
Eu não sei. Eu só quero chorar.
​Esperar que alguém me salve. Que alguém venha.
Mas ninguém nunca vem. Ninguém liga. Ninguém.


E eu choro mais forte, engasgada na dor
Desse gato maldito arranhando a garganta.
A vergonha sufoca. O vazio me esmaga.
​Eu olho pro lado. O silêncio decreta.
Não tem ninguém.


Nunca teve ninguém além de mim mesma.

Porque essa sou eu: sentimentalismo e sensibilidade da cabeça aos pés.
Jóice D'Aviz

Seja onde for, eu estarei lá, no ínfimo da vida, ao apogeu da existência, eu estarei lá, no suspiro da Terra eu estarei lá, onde houver dia, eu estarei lá, onde houver noite, eu estarei lá, no princípio, eu estarei lá, no fim, eu estarei lá, na desgraça, eu estarei lá, na ventura, eu estarei lá, aonde se puder imaginar eu estarei lá e aonde a pobreza humana consegue chegar eu estarei.
Tudo por ti!
Por você eu faço tudo! Ô corredor girar. Um paraplégico andar. O amor odiar. O mau ajudar. A escuridão virar dia. O dia virar noite. Amarei o inamável. O universo acabar. Um urso voar. Anjos caírem. Homens voarem.
O possível e impossível!
Quando precisardes, serei, um baluarte, um homem, um padre, um santo, um ombro, uma luz, um carinho, o afeto, o vinho, a água. Tudo que precisardes eu serei!
Tudo serei! Por ti!
Sem você, sou um dia, sem Sol, a noite, sem Lua, o mar, sem água, o amor, sem afeto, o Xadrez, sem o rei, fogo, sem chama, o homem, sem Deus, serei apenas alguém, perdido no ócio.

A força sobrenatural que eu acredito ser Deus, não é aquela que precisa de lamentações públicas ou forçadas, mas é aquela que me orientou desde o ventre da minha mãe até o meu último dia.

⁠

Cego, eu não percebo estar cego.

​Fiz um acordo com o espelho:
o mundo pode até me esquecer,
mas eu me levo pela mão
até o fim da estrada.
Desistir de mim nunca foi uma opção.⁠

Eu não tenho o menor interesse na vida privada das pessoas, sabe? Nenhum, em hipótese alguma… Num país onde a fofoca é comércio, eu prefiro o silêncio.