Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Penso que os outros vão me julgar, mas na verdade eu já estou me julgando.
O olhar do outro pode ser na verdade o meu olhar.
Do heterossuporte para o autossuporte.
Não busque lá fora o que deve ser encontrado aqui dentro. Não busque se sentir completo nos outros de todas as formas.
O que importa é o que eu penso, o que eu quero, o que eu julgo, e não o outro.
Sair de mim mesmo. Não há outro caminho. O que eu espero de bom, melhora ou mudança não vai me invadir, me atingir.
Preciso ter a experiência para viver melhor, para amar a mim mesmo.
As trocas são fundamentais.
Conversas
Quanto mais experiências, melhor.
Sem rigidez, me expor.
.
..
...
Os sentimentos, pensamentos, reações, sensações que eu tenho é justamente por permanecer sendo quem eu sou.
Se eu mudar, talvez a dor (meus problemas, o que enfrento diariamente) não aconteça mais.
Eu não tenho caminhos novos a ensinar, mas tenho outras maneiras de caminhar! Isso implica em novas atitudes colocadas em ação, inovação!
"O estranho não sou eu; estranho é quem tenta moldar o nosso ser. Impondo o que acredita que devamos ser."
Parece que o eu leva ao não-eu,
a mente aponta para a não-mente
e o sonho reflete de volta o sonhador.
No entanto, tudo acontece sem estrada, sem ponteiro,
e sem reflexo.
Quero dizer-te coisas,
mas tu e eu sabemos que
as palavras não passam de um fluxo de ar complicado.
Só o silêncio diz a verdade.
Eu costumava pensar que a comunicação era fundamental, até que percebi que era tudo uma questão de compreensão. Você pode comunicar o que quiser, mas, quando não é compreendido, há silêncio e incompreensão.
O quadro que foi pintado um dia, pode ser pintado novamente, EU AINDA ESTOU VIVO.
Pode ter faltado a tinta, mais o pincel 🖌️ ainda está comigo.
Dia das crianças
Na festa das crianças,
num dia leve e luminoso,
lá estava eu, entre risos pequenos,
emprestando cuidado aos meus sobrinhos.
Senti três toques no ombro;
meu irmão tocava-me,
apontando,
como quem revela um segredo.
Ali estava ela
a mesma personificação do acaso,
surgindo outra vez diante de mim,
a poucos metros, próxima tal
como só esteve em meus pensamentos
Mais uma vez fiquei a observar:
estava com o cabelos soltos,
livre do icônico boné claro;
um vestido verde que parecia conversar
com a tarde que nos envolvia.
Havia no olhar
uma calma suave, quase tímida,
um silêncio que dizia mais
do que qualquer palavra ousaria.
Até então, o sarau
que era só para meus sobrinhos
virou uma festa para mim.
Não houve palavra trocada,
apenas o silêncio caminhando
entre balões, risos e canções infantis.
A jura
Te juro,
te juro guardar
somente a mim
tudo aquilo que eu queria
que pertencesse a nós.
Te juro:
não voltar a dizer
o vasto do sentir
que me atravessa.
Te juro,
te juro porque
não quero que fique mal;
pois isso só cabe a mim.
Te juro que,
por mais que queira
esta jura quebrar,
sou incapaz;
pois a você
quero bem.
“Eu perdoo, mas…” — e se Jesus dissesse isso?
Hoje é comum ouvir: “Eu perdoo, mas não quero mais contato.”
É uma frase confortável, protege o coração ferido, mas não traduz o perdão que Jesus nos ensinou.
O perdão de Cristo não foi seletivo, nem condicionado à distância. Ele perdoou enquanto doía, perdoou sem garantias, perdoou oferecendo restauração. O perdão bíblico não é apenas soltar a culpa do outro; é escolher não deixar que a ferida dite o rumo do nosso amor.
Perdoar não é fingir que não houve dor, nem permanecer em ciclos de abuso. É permitir que a graça cure o coração e, quando possível, abra caminhos de reconciliação. Às vezes a proximidade precisa de limites sábios; mas o perdão sincero não constrói muros no espírito, constrói pontes na alma.
Quando perdoamos como Jesus ordenou, somos libertos antes mesmo de o outro mudar. O perdão cristão não apaga a memória, mas transforma o futuro. É aí que a fé deixa de ser discurso e se torna vida.
Quando eu era pequeno, acreditava nas pessoas, na medida em que fui crescendo, comecei a desacreditar. Chegou um dia em que o meu corpo e alma começaram a cansar. Quando a energia estava prestes a acabar, veio uma força maior e me abasteceu, dando-me esperança em continuar a viver. Fui pego de surpresa num grave acidente e tive a oportunidade de continuar a viver, mesmo ciente de que a energia estava prestes a acabar.
Quando ela partiu, minha vida mudou.
O brilho dos meus dias aos poucos se apagou.
Se eu pudesse voltar no tempo só por um momento,
ouvir sua voz em ligação e acalmar meu sofrimento.
Se eu pudesse te dizer, mãe, tudo que guardo no coração,
talvez a saudade doesse menos na escuridão.
Porque a vida já não é a mesma desde a sua partida,
uma parte de mim também perdeu a vida.
Quando me olho no espelho, vejo quem eu queria ser,
mas perdida em mim mesma, ainda tento sobreviver.
Parece que meus sonhos perderam o sentido,
desde que você partiu, meu coração ficou ferido.
A verdade é que nada voltou ao lugar,
minha alma aprendeu silenciosamente a chorar.
E eu queria somente o silêncio, sem precisar explicar,
porque existem dores que ninguém consegue enxergar.
A dor diária me corrói por dentro lentamente,
como se meus ossos gritassem silenciosamente.
Meu coração aperta, a vontade de chorar é intensa,
mas sigo de pé, mesmo vivendo essa sentença.
Por muito tempo precisei apenas continuar,
mesmo sem forças para sentir ou desabar.
Talvez por isso minha dor ainda fale tão forte,
como uma saudade que nunca encontra o fim nem a sorte.
Porque eu preciso viver, mesmo sem direção,
mesmo carregando saudade em cada respiração.
Talvez agora eu tenha a liberdade que sempre quis alcançar,
mas de que vale a liberdade se você não está para compartilhar?
Espero um dia conseguir mostrar minha verdade,
as dores e os silêncios que escondi por necessidade.
Eu vivo o meu luto todos os dias sem cessar,
e talvez por isso as pessoas não consigam me entender ou escutar.
Porque essa dor não sara, ela aprende a permanecer,
e todos os dias eu escolho não me perder.
Você pode escolher vencer ou desistir,
pode escolher sonhar, acordar e seguir.
E mesmo cansada, mesmo sem forças para entender,
eu continuo aqui… tentando vencer.
Quem é Sâmia Bemvindo?
Quando me perguntam quem sou eu, costumo responder contando quem fui e tudo o que vivi para me tornar a mulher que sou hoje.
Entre a correria do dia a dia, as saudades que carrego no peito, os sonhos deixados de lado e as renúncias feitas em silêncio, aprendi a sobreviver mesmo com a dor morando dentro do meu coração. Já conheci a solidão, o desprezo, os julgamentos, a inveja, o luto, o medo e a insegurança.
Minha vida começou a mudar no momento em que decidi viver o meu próprio tempo e enxergar a vida com outros olhos. Na escrita, sempre encontrei abrigo. Sempre gostei de escrever sobre tudo o que vivi, porque nunca fui de ter muitos amigos, nem de compartilhar minhas dores com o mundo. Então, por muito tempo, tudo o que enfrentei em silêncio foi Deus quem segurou comigo.
Até que um dia, uma pessoa muito querida segurou minha mão e disse:
“Em nossas vidas enfrentamos batalhas e desafios, mas saiba de uma coisa: minha família é sua família.”
Naquele instante, algo dentro de mim mudou. Chorei como há muito tempo não chorava. E naquele abraço invisível, comecei a enxergar a vida diferente. Passei a agradecer mais, a viver o que antes eu apenas suportava.
Para reencontrar quem eu era, precisei abrir mão de sonhos, vontades e partes de mim que ficaram pelo caminho. Mas foi exatamente nas perdas que descobri minha força.
Hoje, carrego cicatrizes que ninguém vê, mas também uma fé que ninguém destrói. Aprendi que a dor não define quem eu sou, ela apenas me ensinou a florescer mesmo nos dias mais difíceis.
Hoje eu sei quem eu sou.
Sou feita de recomeços.
Sou poesia escrita pelas mãos da vida.
E mesmo depois de tantas tempestades, continuo escolhendo florescer.
