Eu sou uma Pessoa Timida
Teu presente
Eu pedi ao vulcão Cracatoa larvas para construir nossa ilha,
Ao céu pedi chuva para encher a piscina,
Convidei o admirado Beethoven para compor uma música clássica e única apenas para você e de certa forma ele já deixou pronta a tempos mesmo sem que eu pudesse saber,
Quero agradecer sinceramente e de coração cheio ao consagrado mineiro pioneiro da aviação Alberto Santos Dumont por carinhosamente me emprestar o 14-bis para que eu e minha amada pudéssemos celebrar o seu presente recém formado,
Amor chegamos, abra os olhos e veja o seu primeiro por do sol diretamente da sua própria ilha.
Meu interior
Por um tempo eu quis te salvar,
Quantos questionamentos, sem respostas, quantas verdades ditas fora de hora,
O amanhecer visto acima das nuvens pela janela de um avião tem cores tão diferentes, são tons tão surreais é um mundo novo,
Acima de nós e das nossas certezas e razões a tanto a aprender, a tanto a enxergar de outros ângulos,
Se tudo que transborda em pensamentos pudesse virar realidade isso seria tão bom,
É noite, a vela está acesa, a janela está batendo suavemente, lá fora na varanda a cadeira de balanço ainda balança lentamente,
Em um breve momento de lucidez eu descobri que quem está precisando de socorro, de ajuda é o meu eu interior.
Te achei
Na padaria naquela manhã ao você me atender no caixa eu te reconheci, sim era o teu rosto que eu via volta e meia através dos sonhos,
Fiquei surpreso em vê-la pessoalmente, fiquei feliz por saber que você existe no mundo real,
Algumas coisas ainda não consigo compreender, mas eu sei o que devo fazer quando tocar tuas mãos e invadir o teu coração,
Teus olhos não mentem, você também me enxergou como sendo teu na intimidade,
O teu sorriso tímido, a tua transpiração ofegante e as tuas pernas trêmulas me disseram muito sobre nós,
Meu zap tá nas tuas mãos, fala comigo quando tiver um tempinho, você sabe que precisamos conversar.
Sintonia cega
Ela me tem, mas não pode ter,
Eu a quero mas não posso sonhar,
Uma presa dentro de um castelo,
Um guerreiro sem armaduras,
Destinos invisíveis, com rédeas curtas.
No baile
O baile começou, as vibrações são muitas, mais a tua frequência é única e eu senti a tua sensibilidade,
Na dança, as tuas expressões e a tua respiração eram libertadoras, percebi o quanto a tua energia me causava desequilíbrio,
Foi muito fácil achar a tua luz brilhante no meio da multidão, o difícil foi controlar as minhas reações involuntárias que se tornaram reféns da minha consciência emocional,
Depois de uns goles a ausência da vergonha revela os milagres produzidos pela coragem,
Na canção os sorrisos cativantes são apreciados por olhares atentos, na dança colados as personalidades se encontram no mesmo mapa,
Em cada passo quente da dança, mudanças biológicas acontecem, os dois corpos unidos e munidos de sinais se alternam nos pedidos de quero mais e mais,
Irredutíveis, seguem noite a dentro sem ponderação, sem medos e sem limites.
Um dia eu perguntei a coragem:
_Por que eu não consigo mudar?
_Por que eu não acho o sentido?
_Por que eu não consigo olhar do outro lado do horizonte?
Impaciente, a coragem me respondeu:
_Horas bolas! Pare de pensar tanto e se movimente mais, você ainda não entendeu os porquês de estar andando em círculos e de cabeça baixa?
Então vêm!
Ela me viu e o destino sorriu,
Eu vejo você me acompanhando nas redes sociais,
Eu entendo os teus olhares quando te vejo por ai nas caminhadas do balneário,
Eu sei o quanto você precisa de uma demonstração,
A minha vida ainda está uma desordem, mas eu não vou deixar você esperando por mais tempo,
Antes dos teus primeiros olhares eu já queria você,
Então vêm!
Não desisto!
Respirar eu ainda consigo, porém quando a noite chega o meu coração desalinha,
Guardo com carinho um resto de luz da tua alma que insiste em passar pela rachadura,
O que justamente pulsa com vigor e sem prazo definido pra acontecer é o nosso reencontro,
Mesmo quebrado e com aparência de entulho eu moro dentro daquele milagre pelo qual escrevo e sinto dor, mas não desisto de viver.
Somente nós
Eu a cadeira e o mar,
Eu o tempo e o destino,
Eu o que vi e o que será,
Eu o sol e a lua.
Depois que eu escolhi abrir diversos portais do conhecimento tenho voado alto, tenho alcançado o que antes imaginaria levar vidas para viver.
Zerei tudo
O medo me julgou, até eu dar o troco,
Zerei tudo, para recomeçar de novo,
Arriscar requer coragem, viver exige os enfrentamentos,
No olhar esbugalhado, a rebeldia grita enquanto transborda de alegria,
As portas do inferno foram fechadas, a montanha à frente é grandiosa no estilo nepalesa, mas a minha vontade de tocar o céu já me faz enxergar o topo.
Onde estás?
Sinto a tua presença, você acordou há vinte cinco anos e eu sinto suas batidas do coração,
Por onde andas que ainda não apareceu para continuarmos a viver o nosso amor de vidas,
A distância machuca, mas saber que você reascendeu me dá esperança,
Não sei em que lugares te procurar, não sei em que rua ou estrada vamos nos achar, só posso afirmar que vai ser lindo quando nos reencontrarmos neste plano de vida.
Eu vi a chuva densa chegar tão rápido quanto ir embora,
Eu vi um arco-íris nascer no horizonte deixando tudo calmo, até o mar,
Eu senti o teu abraço e nele quis morar.
Sempre volta
Só basta os meus olhos adormecerem para eu me encontrar com,
os lugares,
os rostos,
as emoções,
com a saudade,
com as vitórias,
enfim, com tudo aquilo que um dia foi bom e não ficou para trás, pois verdadeiramente sempre volta.
Antes, durante e depois...
E quando a neve caiu eu pensei que era o fim,
O movimento reverso é irresistível e depois do inverno voltou a sustentar o poder das flores,
As lágrimas que antes caíam e se transformavam instantaneamente em esculturas frias e assombrosas, hoje passam como correnteza de um rio cheio de felicidades,
Temporariamente o coração congelou, mas a alma se manteve intacta,
Então, o vicio para dominar o controle sobre o veneno foi o que permitiu que a fidelidade permanecesse intocada,
Lembro-me do passado, já carreguei minhas pedras pesadas nas costas,
Entendo o tempo presente, pois o imediato é uma resposta heroica,
Sinto o futuro, ele atravessa a existência das memórias, é uma questão de inteligência emocional.
