Eu sou uma Pessoa Timida
No fundo, talvez eu só esteja exausta(o).
De sentir demais, de segurar demais,
de fingir equilíbrio quando tudo treme.
E mesmo assim eu continuo dizendo “tô bem”,
não porque seja verdade,
mas porque ainda estou aqui —
e isso, por enquanto, é o que consigo ser.
Eu digo que tô bem
como quem fecha a porta devagar.
Por dentro,
tudo faz barulho.
Não é dor,
é cansaço de existir acesa.
Queria um lugar sem nome,
onde eu pudesse cair
sem ninguém me pedir força.
Se eu ficar em silêncio,
talvez eu me encontre.
Linguagem da tua pele
Teu corpo me chama no silêncio,
e eu me perco na linguagem da tua pele, nesse calor que se aproxima devagar e ensina o desejo a respirar.
Suspiros se confundem no ar,
mãos aprendem caminhos sem nome, e o que nasce entre nós
já não aceita fronteiras.
Quando a pele encontra a pele,
o mundo recolhe a própria voz,
e só permanece esse fogo íntimo,
ardendo sem pedir permissão.
Onde o Tempo Para
O teu olhar é um rio que corre devagar,
leva comigo segredos que eu nem sabia ter.
Cada gesto teu é poema silencioso,
que insiste em me encontrar mesmo sem querer.
Teu riso é música que não se explica,
ecoando dentro do peito, leve e inteiro.
É brisa que bagunça os cabelos
e deixa o mundo mais bonito por inteiro.
No toque da tua mão, o tempo para,
e tudo que era incerto se faz certo.
És promessa de paz e tempestade,
mistério doce que me prende e me solta.
Se o amor tivesse cheiro, teria teu nome,
seria feito de instantes como este:
olhos que se encontram sem pressa,
e um coração que finalmente sabe onde repousar.
Enquanto te olhava
Enquanto te olhava
Eu pensava como o
silêncio entre nós dizia tudo,
no jeito simples do teu sorriso
que fazia o mundo desacelerar só pra eu te sentir.
Enquanto te olhava
eu pensava que alguns
encontros não pedem pressa,
pedem coragem —
porque o coração reconhece
antes da razão.
Enquanto te olhava
eu pensava se você também
sentia esse nó doce no peito,
essa vontade contida de ficar,
mesmo quando o tempo
insistia em ir embora.
Enquanto te olhava
eu pensava que amar
às vezes é só isso:
guardar alguém no pensamento
como quem guarda um segredo bonito demais pra perder.
Eu almejava tão pouco
Eu almejava tão pouco,
um sorriso teu ao amanhecer,
um toque leve que dissesse
que meu mundo cabia em ti.
Mas o amor, sempre vasto,
transbordou silencioso,
pintando nossos dias com cores
que eu nem sabia que existiam.
E agora sei que pouco ou muito
não mede o que sentimos,
porque te amar é infinito,
mesmo nas mínimas coisas que compartilhamos.
Que eu devo seguir
Eu sinto sua falta como quem
sente o corpo falhar,
não é saudade bonita,
é ausência que pesa.
Quero você de volta,
mas não aquele que prometia,
quero o que ficou preso nas lembranças
e não soube ficar.
Dizem que o tempo cura,
que eu devo seguir,
mas ninguém ensina como
soltar quem virou casa.
Como se abandona o riso
que salvava dias ruins,
os planos sussurrados no escuro,
o amor que parecia verdade?
Às vezes te amo com raiva,
outras com silêncio.
O ódio é só defesa para
não chamar seu nome.
Doeu acreditar, doeu mais
perceber que alguns
“eu te amo” não tinham raiz.
Se te deixei ir,
não foi por falta de amor,
foi por excesso de dor.
Amar também é escolher sobreviver,
mesmo que a escolha que fique
seja a que mais machuca.
Teleportar pra perto
Se eu pudesse te teleportar pra perto de mim agora,
não seria fuga do mundo — seria chegada.
Porque todo caminho que faço por dentro
termina no mesmo lugar:
no silêncio bonito onde teu nome mora.
Às vezes fecho os olhos e parece que acontece.
Num segundo você atravessa o tempo, o trânsito, os dias,
e aparece aqui — rindo desse meu jeito bobo
de transformar saudade em verso
só pra ter um jeito de tocar você.
Então fica combinado assim:
enquanto o mundo ainda não inventa o teleportar,
eu te puxo pra perto do único jeito que sei —
te escrevendo, te sentindo, te guardando
no lugar exato onde o amor sempre chega primeiro.
Entre Linhas
Se eu pudesse escolher
um lugar pra morar,
não seria casa, rua ou cidade…
eu moraria no intervalo do teu riso,
onde o mundo esquece de doer.
Teu olhar tem algo de horizonte,
quanto mais eu olho,
mais longe quero ir.
E no silêncio entre um segundo e outro é teu nome que meu coração aprende a repetir.
Há em você uma calma rara,
tipo mar quando o vento decide descansar.
E quando tua mão encontra a minha,
até o destino parece parar pra olhar.
Se amor fosse tinta,
eu pintaria o tempo inteiro com você.
Porque desde que teu sorriso me encontrou, minha vida virou poesia
que só faz sentido…
quando rima com você.
Que eu tenha coragem
de te amar sem medo,
compaixão pra entender teu silêncio,
altruísmo pra cuidar do teu riso,
e lealdade pra nunca soltar tua mão.
Se eu me perder,
Tua graça vai me guiar,
Se eu fraquejar,
Tua voz vai me levantar.
Não há distância que impeça
o Teu amor de chegar,
Quando um coração inteiro
decide Te amar.
Então queime em mim
essafome de Te encontrar,
Até que tudo em mim
seja só Te buscar.
Se eu me perder de mim,
Que seja pra me achar em Ti.
Se eu cair, que seja de joelhos.
Se eu chorar, que seja aos Teus pés.
Toda noite eu acordo
Te procurando
Não te encontrei
Vou clamando
Eu sei que vou Te encontrar
Eu sei que vou Te encontrar.
Meu coração diz
Vou buscar até me cansar
Vou Te chamar até ver Tua face
Não importa se eu morrer
Só quero Te ver
Como Moisés na fenda da Rocha
Como João diante da Tua glória
Se eu cair como morto
Se eu cair como morto
Sei que Tu vai me ressuscitar!
Um mergulho sem volta
Amar você
não foi um começo…
foi um mergulho sem volta,
onde eu me perdi e,
ainda assim,
nunca quis me encontrar.
O teu olhar me abriga,
mas também me desmonta
— porque quando você
me atravessa por dentro,
eu deixo de ser inteiro
em qualquer lugar que não seja você.
Você foi um acaso bonito demais
pra alguém como eu suportar.
Desde que chegou,
carrego teu nome em silêncio…
e esse amor cresce tanto
que às vezes dói
— não por falta,
mas por não caber dentro de mim.
E quando você não está…
o mundo continua,
mas nada em mim acompanha.
Porque a minha felicidade
aprendeu a depender do teu riso,
do teu jeito,
da tua presença.
Se amar é liberdade,
por que eu me sinto preso a você?
Talvez porque, no fundo…
eu nunca tenha querido ser livre
— só teu.
“Do Outro Lado (Eu Te Reconheci)”
A noite conhece o meu nome
Sabe quantas vezes tentei
Redes vazias, mãos cansadas
E um silêncio que eu mesmo criei
O mar devolve o meu fracasso
E eu perdido em mim mesmo
Já nem sei chamar pelo amor
Até que uma voz me atravessou:
“Lança de novo”
— e algo em mim cedeu
Se antes eu precisei provar
Hoje eu só preciso ouvir
Nu de orgulho, medo e razão
Se for Tua voz a me chamar
Eu me lanço sem nem pensar
Te vi no mar e tive medo
Achei que era sombra no olhar
Mas era a Tua presença
“Sou Eu, não temas”
no caos eTua mão
me puxou de volta ao Teu sim
Voltei pro mar tentando esquecer
Mas o vazio ainda era Você
“Do outro lado…”
— eu reconheci
Não esperei, só me lancei
Porque no fim, o milagre foi
Te reconhecer
“Amar em Silêncio”
Eu te amei nos dias
em que não havia cor,
Quando o mundo era
cinza e eu também.
Te abracei com pedaços
de mimque ainda respiravam,
Mesmo sabendo que já não era inteiro ninguém.
O teu sorriso era luz
em quarto fechado,
Mas eu tinha medo de acender.
Porque quem vive na sombra por tanto tempo
Esquece que também pode viver.
Te quis mesmo quando
o peito doía em segredo,
Quando amar parecia um
erro bonito demais.
Eu me perdi tentando
te encontrar inteiro,
E no fim… não me achei mais.
Mas ainda te amo
— e isso é o que me assusta,
Porque até na dor você ficou.
E se amar é isso… um tipo de ausência que permanece,
Então talvez eu nunca tenha te deixado… nem quando acabou.
Hoje é dia do beijo…
engraçado, né?
Porque tudo que eu queria
era te ter por um instante —
nem que fosse só pra sentir
se ainda é igual aqui dentro.
Queria te beijar
como um beija-flor encontra sua flor…
não só de leve,
mas com aquela pressa silenciosa
de quem sabe que o tempo é curto.
Mas a verdade é que a gente virou distância.
E mesmo assim…
tem algo em mim que não mudou.
Porque se um dia nossos lábios se encontrassem de novo,
não seria só um beijo —
seria tudo aquilo
que a gente não viveu
tentando existir de uma vez só.
Tem dias em que eu quase
te conto tudo…
quase deixo meu coração
falar sem filtro, sem medo.
Mas eu paro.
Não por falta de coragem —
é porque o que eu sinto por dentro
não cabe em palavras simples.
É muita coisa pra pouco entendimento.
Eu carrego um mundo
inteiro aqui dentro,
daqueles que transbordam
em silêncio…
porque nem todo mundo
sabe ler o que não é dito.
Eu sorrio, brinco, me aproximo…
mas tem partes minhas que ficam guardadas, não por escolha,
mas porque nem todo abraço alcança.
E, sendo sincero…
nem sempre eu quero respostas.
Às vezes eu só queria alguém
que encostasse o coração
no meu e dissesse,
bem baixinho:
“eu não entendo tudo…
mas fico.”
Porque ficar, pra mim,
sempre significou mais do que entender.
Então, se um dia
eu parecer distante…
ou se meu olhar carregar
um peso diferente,
não tenta decifrar como um mistério.
Só chega perto…
com calma, com carinho…
e me abraça como quem escolhe ficar, mesmo sem saber o motivo.
— alguém que sente…
e, talvez, já esteja sentindo por você
*Disciplina é liberdade que você dá ao seu eu do futuro
O cansaço de hoje vira escolha livre amanhã.
