Eu sou uma Pessoa Timida
A diferença na narrativa entre "eu sou ansioso" e "estou ansioso" é que na primeira há uma identificação, enquanto na segunda há uma condição provisória.
Que o Senhor me mostre o que eu tenho que ser, porque não aguento mais ser o que sou.
Que o Senhor me mostre como tenho que viver, porque não aguento mais viver o que tenho vivido.
Que o Senhor ainda me mostre o que tenho que fazer, porque não aguento mais só me frustrar com o que faço.
Que o Senhor apresse-te em me livrar ou em ao menos acalmar a minha alma, porque não aguento mais sofrer.
Senhor, diga-me o que tu queres de mim e eu farei.
Eu queria um abraço nesse dia difícil,
Mas não posso pedir não sou disso,
De certa forma eu fui criada rigidamente,
Que pensar em afeto, afeta a minha mente
Pensar em desabafar, me faz de sentir fraca e como se eu estivesse me humilhando,
Mas eu sei que no fundo o quanto isso está me machucando
Desculpa hoje eu não pude pedir ajudar
Não é de mim prefiro ficar muda
A menina que queria tudo e que queria nada:
as vezes eu não sei se o problema sou eu
ou eles
normalmente eu
eu acho
a minha cabeça é uma bagunça arrumada
aos olhos alheios parece tudo organizado,
mas se vc abrir as gavetas la no canto,
você vê a verdade
as minhas emoções são instáveis
minhas reações também
minhas relações também
eu nao sei o que sou
o'que quero
quem eu quero
ou por que eu quero
Eu quero tudo.
e não quero nada.
Eu quero todo o amor
toda a beleza
a luxúria
e a riqueza
mas não quero nada de conflitos
nada de repreensões e rigidez
nada de frieza
nada disso
Na minha bagunça organizada tem tudo
eu eu quero que não tenha nada
mas se tiver nada, vai ficar vazio
dando espaço pras brechas de infelicidade que eu mesma crio
esse fungo que é a infelicidade
essa substância mortal que eu gero
é quase um suicidio
estou me matando com esse fungo
logo baratas se juntam ao quarto
e o nada se torna tudo
e outra vez eu torço para que o tudo se torne o nada
Aonde estou?
Se eu sumir
Me procure sentado
Não porque sou preguiçoso
Pois estarei preucupado
Em meus humildes poemas
Mas peço que por favor não me julgue
Tento fazer meu ultimo poema
Mas não consigo
Sou entranho com sentimento
Dentro de casa
Ou na rua
Aonde os versos me provocarem
Deixo os sabios explicarem
Mas nunca explanarem
O real motivo de ser poeta
eu acho que o mundo funciona bem melhor dentro da minha cabeça
mas quem sou eu pra julgar
será que um dia vou me perdoar?
se eu bem me conhecesse também não iria ficar
Desconhecer
Não é mais você, eu não sou mais eu
Não ando pelos mesmos caminhos
Não escuto as mesmas músicas
Não falo com as mesmas pessoas
Como pode ainda achar que sou assim?
Eu não sou mais eu
Eu não faço mais parte de mim
Como pode ainda achar que me conhece?
De mim você não sabe mais nada.
Apenas o meu nome.
Falam que sou incapaz de eu ser o cientista de tudo, mas no final, meu sonho era ajudar a curar o mundo doente cheio de podridão que os próprios o fazem.
Marabá
Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá?
Se algum dentre os homens de mim não se esconde,
— Tu és, me responde,
— Tu és Marabá!
— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
"Teus olhos são garços,
Responde anojado; "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
"Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!"
— É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
— Da cor das areias batidas do mar;
— As aves mais brancas, as conchas mais puras
— Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. —
Se ainda me escuta meus agros delírios:
"És alva de lírios",
Sorrindo responde; "mas és Marabá:
"Quero antes um rosto de jambo corado,
"Um rosto crestado
"Do sol do deserto, não flor de cajá."
— Meu colo de leve se encurva engraçado,
— Como hástea pendente do cáctus em flor;
— Mimosa, indolente, resvalo no prado,
— Como um soluçado suspiro de amor! —
"Eu amo a estatura flexível, ligeira,
"Qual duma palmeira,
Então me responde; "tu és Marabá:
"Quero antes o colo da ema orgulhosa,
"Que pisa vaidosa,
"Que as flóreas campinas governa, onde está."
— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
— De os ver tão formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
"São loiros, são belos,
"Mas são anelados; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
"Cabelos compridos,
"Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá."
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d'acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!
Eu queria sentir o seu carinho e o Seu afeto, sentir que sou importante na sua rotina, me sinto só um rostinho bonito e um corpo no qual vc despeja o seu prazer, mas que não deixarei de ser um passa tempo. Que nunca vou ser boa o suficiente pra ser a nora dos sonhos da sua mãe ou a melhor pessoa para apresentar aos amigos.
.P.A.L.A.V.R.E.A.N.D.O.
PRIMEIRA NEUROSE
(inspiração adolescente)
Sou eu,
Simplesmente isso:
Neurótica.
Vinda de neuroses!
De um caminho...
... beira da loucura!
Sem cura,
Sem remo.
Vai devagar infiltrando-se em minh’ alma.
Escolhe um canto,
Ali mora...
Instala-se!
Cresce e depois simplesmente morre.
Sim, vem com ela a morte.
Eternamente.
Sempre.
Leva-me e leva-o também.
Sempre assim.
Amém!
Jan/ 1969
SEGUNDA NEUROSE
(inspiração adolescente)
Neurose ou loucura?
Até o título mudei.
Passou à frente.
És segunda!
A primeira? Destruída...
Esta? Maltrapilha, fulgurante.
Também, caminha!
Ah, sim, resides em mim.
És amiga nova.
Bem-vinda sejas!
Queres ficar? A casa é tua.
Não mais minha... nem da outra, a primeira.
Como vês, sou bem mais tua amiga.
__ Mas, notes bem, não confia.
Vás levando.
Mores em mim!
Fiques mais. Assim... caminha.
Não tenhas dó.
Há muito não sei disso...
Sou sozinha!
Ah, o amor?
Quantos o temem.
E tu?
Não respondes... é impossível.
Tu és destruição.
O amor constrói. Cria vidas!
Bem, como eu sei?
__ Já amei:
Tomei uma flor...
Rebusquei-a. Maltratei-a até!
Mas ela era perfeita!
Quem não a amaria?
Como vês, quem não ama alguma coisa?
E tu, amas também?
Set/ 1970
