Eu sou uma Menina Levada mas Quietinha

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Pelo Retrovisor


⁠"O avô que eu não tive
Nunca me contou histórias,
Jamais me levou para passear
Ou mesmo para tomar sorvete

Isto porque ele morreu
Muito tempo antes de eu nascer
Apesar desta ausência,
Esteve sempre ao meu lado,
Iluminando meus passos
Pelas trevas da vida.

Apesar de morto, ele vive
Transmitindo-se,
Atávico e improvável
Através dos livros velhos da estante.

No olhar castanho de meus tios
No caráter reto do minha mãe
Na memória de seus amigos

Assim, ele segue vivendo
E enquanto for contada
E recontada a sua história

Ele vencerá a morte
Através da memória."

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⁠Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas.

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⁠⁠"Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas.
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia."

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⁠⁠Visão Fontana

Adquirindo
A Visão fontana

De um mero
Dia
Qualquer

De
Um olhar
Que eu já conheço

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Dia internacional da Mulher

⁠Minha mãe: eu te escutei muito! Você me falou da dignidade das mulheres, independente da renda. Eu ouvi muito você falando de respeito e de como a gentileza é fundamental. Você advertiu a todos nós sobre a abundância de canalhas no mundo e de como gente insegura é capaz de imbecilidades. Próximo ao dia internacional da mulher, quero agradecer muito eu ter aprendido com sua sabedoria de mulher. Mamãe: eu escutei! Obrigado.

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Crianças

⁠Elas aprenderão muito mais, que eu jamais saberei.

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A Face Clara e Obscura da Clareza de Clarice.



Você tem paz Clarice?

-Nem pai nem mãe.

-Eu disse “paz”.

-Que estranho, pensei que tivesse dito “pais”.

Estava pensando em minha mãe alguns segundos antes.

Pensei - mamãe - e então não ouvi mais nada.

Paz?

Quem é que tem?

(Clarice Lispector)

....

Na sequência desta e outras Clarices, hoje, está claro no escuro de tempo sobrio aqui e acolá, eu ,cá comigo, penso na guerra e na Pátria Mãe, no País que não sinto que tenho, já nem irmãos se entendem igual no futebol, na política, na religião e se mata em nome de Deus que inexiste como um Muda.

Por isso, não se respeita a cor da pele e as adversidades da sociedade do consumo, não penso, logo existo!

A moral,está na cabeça e não no bolso ou entre o vão das pernas, é a liberdade no voto consciente.

Outro lembra do sonho, que não acabou, de construir um País que se faz de Homens e Livros.

Não passarão!

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Outrora tive um eu

⁠Estou cansado de pessoas que são apenas inteligentes e objetivas, que são apenas elas mesmas. Que não se perdem em devaneios, não se confundem em pensamentos, ou que não se distraiam entre tantas ideias.
Outrora tive um eu, agora não me sinto representado na primeira pessoa. Este pronome pessoal define um ser que busca nutrir seu ego, enquanto mantém uma alma perecendo à míngua. É por isso que Fernando é brilhante em seus heterônimos. Ele que foi tantos sob os subterfúgios da terceira pessoa, não teria antecipado cada um de nós que o compreende.

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Versos Impressos


Se eu morrer novo sem poder publicar livros algum ou ver os meus versos em folhas impressas, ou quanto me retirar as rodas, não tinha que ter esperanças, tinha apenas que ter rodas, tinha que ter apenas uma velhice mas não ter rugas ou cabelos brancos, quando eu já não servia, me retiraram as rodas e me deixaram no fundo de uma passeata que se arrasta.
As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros, pois o homem é feito de banalidade, e nomeia o hábito à sua ama. Na maior parte das vezes, uma ideia nova não passa de uma banalidade, velha como o mundo, de cuja realidade nos apercebemos subitamente.
O saber e a que ter ⁠acho curioso usar-se a noção de 'banal' para analisar alguém que deixou clara, em suas provocações, a hipocrisia desse termo, posto que é no viver "banal" que estão os profundos espelhos da nossa formação coletiva e particular, e já não cabe mais fazer diferenciação entre tal e o "não-banal", pois são uma coisa só, exceto para os que se arrogam mais limpos e mais treinados cognitivamente, estes, os mais perdidos nas suas supostas certezas e, ironicamente, os mais fiéis ao conceito de banalidade.
A banalidade é antiquada mas fugir da banalidade é moda que passou a ser banal, a poesia pode ser muito perigosa. Ela subverte a banalidade da vida.

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Este hoje, é um dia esquisito, eu quase que acabo me sentindo bem.Quando eu descobrir o mundo, ficarei andando só na borda.⁠ Pois tudo que amei, amei totalmente sozinho.

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⁠Meu silêncio que agride e a sua ausência que lhe matará. Quando alguém me agride, eu absorvo e devolvo para ele a reflexão.

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⁠Como é que eu sei que a vida está aplaudindo a vida ? Quando a vida não quer que a vida passe, viva a vida de tal maneira a desejar a eternidade do instante vivido.

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Prático Cotidiano e Nítido


Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto

E hoje, quando me sinto
É com saudades de mim

E o que podia fazer de mim, não o fiz
Nessa vida em que sou meu sono

Não sou meu dono

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⁠Eu pensava
Que
No Mundo

Todo o Mundo

Fosse filho
De
Papai Noel

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⁠O que quer que eu fosse, fui desde o começo. Não queria que ninguém mexesse com isso, e ainda não quero. É a visão do próprio desespero, perdido na própria imobilidade. É o instante em que o medo poderia ser para sempre, e para a montanha, o homem crispado correndo.

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Se o tempo
Lhe
Parece pouco

Eternize

Não, estou bem
Porém
Eu fico mal

Se
Me caso

Tirar a vírgula

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Entendo
As crianças

Porque

Eu tenho a mesma
Idade mental que elas

E comemos
Como

Se não sentíssemos
Fome

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O Caos e a Simbiose⁠


A maioria pensa
Com a sensibilidade

E eu sinto com o pensamento

Para o homem vulgar
Sentir é viver

E pensar é saber viver

Para mim
Pensar é viver

E

Sentir não é mais
Que
O alimento de pensar

Todas as manhãs
Somos abençoados

Com a sublime
Dádiva do recomeço

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Quisera Tanto


⁠Não é querendo
Me gabar

Mas
Hoje eu chorei

Numa explosão
Milhões de vezes

Maior que a força
Contida no ato

Agitam docemente
Os cabelos da rocha

Entre a linha móvel
Do horizonte

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Humilhação e Habitar


Eu queria me acabar
Quando
O desespero virar
Lugar comum

Ora direis
Ouvir
Estrelas

Sequer
Pra lá
Olhar

Dizia
O pobre
Diabo

Garrado
No
Celular

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