Eu sou tudo e nada

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- O vigário precisa ficar aí a noite inteira para tocar o sino.
- Me engana que eu gosto - respondi. E então vi a expressão no rosto de Gabe. Ele riu:
- Criatura urbanóide.
- Bicho do mato.
- Patricinha de shopping center.
- Abraçador de árvores.
- Abraçador de Jenna! - Gabe se aproximou e me abraçou com força. Eu podia sentir sua respiração no meu rosto. Ficamos muito tempo ali parados, em silêncio.

Quer mesmo cuidar de mim naquela arena? Comece acreditando que eu realmente posso vencer.

⁠O vento não é favorável
E eu nem esperava que seria
Eu vou no compasso da batida certa
Dançando com os erros da vida

Eu acho que a estupidez é quase sempre um impulso, de que muitas vezes nos arrependemos. Já a inteligência...ou se tem, ou não se tem. E não há impulso que ofereça inteligência a ninguém.

Frankly, my dear, I don’t give a damn” (Francamente, querida, eu não dou a mínima),

acredito que nada é por acaso e que todo tombo é sinônimo de fortalecimento. não sou o melhor exemplo da tolerância e da paciência, as vezes saio do limite. desejo coisas simples, que me façam feliz. sou impaciente, não gosto de enrolação, ou é sim ou é não. aí eu descanso. prefiro qualidade do que quantidade, conto meus amigos nos dedos. sonho alto muitas vezes, e luto por esses sonhos quando vejo que vale a pena, caso contrário nem perco meu tempo. dou muito valor pras pessoas que estão do meu lado não sei fingir felicidade, não sei ser indiferente, não sei não sentir de verdade.

sim, sim, sim, eu quero zerar tudo de antes e de depois e amar esse homem agora, como antes, como nunca. Por que não?

Quando tá tudo indo bem, eu sempre tenho a sensação de que alguma coisa, no fundo, tá muito errada.

Só de ouvir a tua voz eu já me sinto bem
Mas se é difícil pra você, tudo bem
Muita gente de diverte com o que tem
Só por uma noite

Vem cá meu bem, que é bom lhe ver o mundo anda tão complicado por isso eu quero fazer tudo com você.

Desamparada, eu te entrego tudo – para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

... eu que me perdoei tudo o que foi grave e maior em mim.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Tudo que eu andava fazendo e sendo, eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir.

Eu vou cantar até que o dia amanheça.
Cantar tudo o que vier na cabeça
Eu vou cantar até que o dia amanheça
Eu vou cantar.

Dizem que a gente tem o que precisa. Não o que a gente quer. Tudo bem. Eu não preciso de muito. Eu não quero muito. Eu quero mais. Mais paz. Mais saúde. Mais dinheiro. Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca…

Fernanda Mello

Nota: Trecho de um texto de Fernanda Mello.

E no momento em que se confessa a precisão, perde-se tudo, eu sei.

você teria ido sem mim
mesmo que eu não me atrasasse

você teria dito tudo aquilo
mesmo que eu não te ofendesse

você teria me deixado
mesmo que eu não propusesse

você faz tudo o que quer
mas sou eu que deixo tudo preparado

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo.

Eu gostava muito dele, das mãos, dos pés, do hálito (mau), dos dentes (escuros), de tudo que era lindo e de tudo que era feio nele.

Na maioria das vezes a gente não precisa de um “vai dar tudo certo” e sim de um “eu vou estar aqui até quando as coisas derem erradas”.