Eu sou aquilo que Perdi Fernando Pessoa
Eu pedi a Deus que me enviasse um anjo, e ele, com seu capricho, enviou-me você. Esqueci que anjos são intocáveis, mas mesmo longe dos olhos te trago no coração.
Tenho um lado idealista e infantil que não gosta de nada morno ou bege. Desculpa, eu gosto de sonhos cheios de cores.
Eu não me importo com o livro que você lê, ou no que você acredita. Se você não tiver amor, se você não amar o seu próximo, então, você não tem nada.
E agora eu estou olhando para você, e você está me perguntando se eu ainda te quero, como se eu pudesse parar de te amar. Como se eu quisesse desistir da coisa que me fez mais forte do que qualquer outra coisa. Eu nunca me atrevi a dar muito de mim a ninguém antes... desde a primeira vez que te vi, eu tenho pertencido a você completamente. Eu ainda pertenço. Se você me quiser.
Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança, desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.
Amor proibido.
Agora estamos aqui, juntinhos
Depois o tempo te levará para longe de mim
E eu seguirei sozinha
A vagar pelo espaço perdido.
É difícil vê-lo
E não poder tocá-lo
Sentir sua presença
E disfarçar meu desejo por você.
Quero fazer parte da sua vida
Como um raio de sol
Aquecendo seu coração
E te trazendo para perto de mim.
Te quero e não posso te ter
Esse é um amor proibido.
Se algum dia dizer que te esqueci
Estarei mentindo.
Posso gostar de outra pessoa
Mas só amarei você!
Muitos pensam que eu me pareço a um ladrão. Mas eu conheço a muitos, que sem parecerem o que são, são aquilo que pensam com o que eu me pareço.
PEÇO SILÊNCIO
Agora me deixem tranquilo.
Agora se acostumem sem mim.
Eu vou cerrar os meus olhos.
Somente quero cinco coisas,
cinco raízes preferidas.
Uma é o amor sem fim.
A segunda é ver o outono.
Não posso ser sem que as folhas
voem e voltem à terra.
A terceira é o grave inverno,
a chuva que amei, a carícia
do fogo no frio silvestre.
Em quarto lugar o verão
redondo como uma melancia.
A quinta coisa são os teus olhos,
Matilde minha, bem-amada,
não quero dormir sem os teus olhos,
não quero ser sem que me olhes:
eu mudo a primavera
para que me sigas olhando.
Amigos, isso é quanto quero.
É quase nada e quase tudo.
Agora se querem, podem ir.
Vivi tanto que um dia
terão de por força me esquecer,
apagando-me do quadro-negro:
meu coração foi interminável.
Porém porque peço silêncio
não creiam que vou morrer:
passa comigo o contrário:
sucede que vou viver.
Sucede que sou e que sigo.
Não será, pois lá bem dentro
de mim crescerão cereais,
primeiro os grãos que rompem
a terra para ver a luz,
porém a mãe terra é escura:
e dentro de mim sou escuro:
sou como um poço em cujas águas
a noite deixa suas estrelas
e segue sozinha pelo campo.
Sucede que tanto vivi
que quero viver outro tanto.
Nunca me senti tão sonoro,
nunca tive tantos beijos.
Agora, como sempre, é cedo.
Voa a luz com suas abelhas.
Me deixem só com o dia.
Peço licença para nascer.
