Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia no meio da chuva, eu enfiava as mãos avermelhadas nos bolsos e ia indo, eu ia pulando as poças d’água com as pernas geladas. Tão geladas as pernas e os braços e a cara que pensei em abrir a garrafa para beber um gole, mas não queria chegar meio bêbado na casa dele, hálito ardido, eu não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando sem táxi naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, para que ele não visse meu dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.
Quando meu celular tocar e eu vir que é você, eu vou deixar tocando… afinal, o toque é a minha música preferida!
Ninguém nunca tá preparado pra nada, mas eu tava aberto pra tudo, pros problemas e as alegrias que iam começar.
Você quer brincar de amor
Eu quero só te amar
Você quis por um momento
E eu sempre quis ficar
Mas em nossas diferenças
Nada é mais igual
Do que nós dois
Da certeza desse amor
Eu nunca duvidei
Porque tudo era bonito
Eu eu me acostumei
Às palavras de amor que eu nunca
Acreditei mas aceitei...
Ah! Você tem coisas tão difíceis de entender
Um jeito ausente tão presente no olhar
Como quem ama e sente medo de gostar
Ah! Eu não entendo esta paixão
Que eu vivo com você
Que esquece o tempo e deixa a cama por fazer
E esse ciúme que eu não queria ter
Ah! Você tem coisas tão...
E eu te ouvi,
te abracei, enxuguei tuas lágrimas,
te apoiei e te dei forças para seguir adiante.
Mas quando era meu coração que sangrava,
e meus joelhos que dobravam,
eu chorei só...
Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso.
Tudo isso dói. Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque deve ser assim, e virá outro ciclo, depois.
Eu senti na pele o que me falavam sobre o amor deixar as pessoas mais idiotas, atrapalhadas e bobas.
Olhando a extrema beleza dos pássaros amarelos calculo o que seria se eu perdesse totalmente o medo. O conforto da prisão burguesa tantas vezes me bate no rosto. E, antes de aprender a ser livre, tudo eu aguentava – só para não ser livre.
Eu tive milhões de momentos felizes e pessoas que vieram e foram, deixando no meu coração uma marca que ninguém apagará. Já outras pessoas que pensei não serem importantes, estão comigo até hoje e eu os amo por isso! Não importa a minha pouca idade, eu já aprendi muito, assim como já errei muito e o mais importante foi ter aprendido com esses erros. Já nasci e morri em quatro meses. Foi uma vida curta e intensa. Dessa vida eu tirei experiências e me transformei em alguém que nunca pensei ser, percebi que meus problemas são únicos e, tão pouco, os piores. Aprendi que amor à primeira vista realmente existe e que amar está além de qualquer compreensão. Me deixei um pouco de lado, fui ver o que as pessoas ao meu redor sentiam e descobri que um diálogo resolve muita coisa e que o egoísmo não serve para nada além de nos ferir. Dar um pouco de atenção ao próximo não é bisbilhotar, mas sim se importar. Aprendi a ler o coração das pessoas através dos olhos, pois uma conversa pode lhe enganar, mas os olhos não mentem. Comecei a dar valor àqueles que eu amo e aprendi a ouvir mais. Percebi que ninguém é culpado pelo meu sofrimento além de mim mesma, pois como um sábio disse: "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional."
Não podemos evitar que algo de ruim aconteça, mas podemos mudar com essa dor. É preciso perdoar, porque reclamar não vai mudar o fato, pelo contrário, só fará você sofrer mais e mais. Superar as dificuldades. Isso é legal de viver. Sempre atrás de uma barreira vai ter algo muito bom à sua espera, às vezes não, mas não tem problema, é só seguir em frente que você encontrará seu paraíso.
E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queria muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer.
E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.
Nunca disse: "Eu quero ficar sozinha." Eu apenas disse: "Eu quero ser deixada em paz." Existe toda uma diferença.
Você pode ser rico, ter um bom emprego e fazer várias coisas mas você nunca amará como eu e nunca terá amigos para valorizar como eu.
