Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Deste animado Reisado
sou eu a sua Rainha
e você é o meu Rei amado,
Somos um só corpo,
um só espírito e um
coração apaixonado,
Não há mais como
viver desgrudados,
Nascemos para viver
sempre e nem colados.
Na próxima Festa Junina
pode se preparar
que eu mesma vou construir
um Barco de Fogo
para voar alto e animar
o Arraial do povão e fisgar
de vez o seu coração
porque está no destino
eu ser mais do que paixão.
Quando você dá
um sorriso eu juro
que o meu coração
toca Samba de Coco
e cresce um desejo
louco de te fazer uma
declaração mesmo
sabendo que é cedo
de fazer a revelação.
O Sol amansou a tarde
com poesia serena,
O Ipê-mandioca trouxe
flores e um poema,
E eu mergulhei com
alegria imensa na cena
porque viver isso
tudo no final é o quê
realmente compensa.
A noite veio vestida
de luar e estrelas,
O Ipê-mandioca
surgiu vestido de flores
e eu vestida de poemas
e morrendo de amores.
Fomos coroados
Rei e Rainha
deste Cacumbi,
Na verdade o quê
eu queria mesmo
é viver lado a lado
contigo desde a primeira
vez que eu te vi,
E hoje mais uma vez
ao santos foi o quê eu pedi.
As flores do Ipê-vacariano
nesta manhã fria
me fazem companhia,
Eu ando sempre muito bem
acompanhada na vida,
Tenho a Natureza e a poesia
das coisas e para as coisas,
enquanto uns pensam que sou
apenas uma mulher sozinha,
Não permito jamais que
nenhuma pessoa me defina.
O Jacarandá-rosa floresceu,
a aurora matutina o celebra
da mesma maneira que eu
desejo viver para ser a sua festa.
A aurora matutina brinca
no Hemisfério Celestial Sul,
E eu escrevo sobre o nosso
destino sob a total benção
floral do Jacarandá-da-Bahia,
Se isso não é poesia,
não sei mais o quê é na vida.
O Jacarandá-da-Bahia
floresceu nesta manhã,
E eu continuo pensando
em você profundamente,
Algo me diz que você
pensa em mim igualmente.
Eu sou filha orgulhosa
da nossa Amazônia Azul
deste Atlântico Sul
onde está sagrada
a minha absoluta poesia
pela rota infinita
dos povos do Sul Global
que me ilumina e guia.
Lágrimas de Potira
Na beirinha do rio de toda
a minha vida,
Sou eu que conto as lágrimas
de Potira transformadas
por Deus em diamantes
para eternizar o amor
que ela sentia pelo heroico Itagibá,
De poesia em poesia
vou escrevendo a minha Pátria
porque ao menos no meu
peito eu a quero viva
para ninguém com ódio a reinventar.
Bagerova
Sou eu o Falcão que
sobrevoa Bagerova onde
o meu coração se encontra
e a verdade igualmente,
Sou eu aquela que não sai
do seu coração e da sua mente.
Etnocida
Se você quer de maneira
forçada ou por subterfúgio
que eu deixe de falar a minha
língua para falar a sua língua,
Que eu até mesmo esqueça
das palavras que aprendi
para falar aquelas palavras
que você acha melhor para mim,
Que eu pare de identificar
os sinais, as paisagens da História
e o vestuário me fazendo
crer que no meu próprio
povo nunca houve nenhuma glória,
Que eu passe a acreditar
que a minha imagem
merece ser suprimida,
Que eu deixe de apreciar
a cultura e hábitos que
a minha identidade se encontra
unida com a do meu povo
por influências que só nos vulgariza,
Você quer acabar primeiro
com a minha liberdade de pensamento
para depois acabar com a minha vida,
O quê acabo de escrever não é poesia,
é para ter dar a faixa que você
merece mesmo: a faixa de ETNOCIDA.
Canköy
As casas da memória
em Canköy me visitam
e eu as visito,
Nem mesmo o destino
apagou da lembrança,
Ainda a esperança
mantém residência
com nome certo e conhecido.
Como as esculturas
nascidas prontas
na Natureza e libertadas
pelo Mário Avancini,
Sou eu a esculpir
poemas com os versos
capturados no ar
para seduzir e encantar,
e jogando bem alto
conseguir te conquistar.
Eu nunca vou sentir raiva de nenhuma população mesmo ciente que existem aqueles que passaram por lavagem cerebral em massa. Ninguém está livre de ser governado por governos truculentos e estar cercados por tropas de imbecis.
A Lua Quarto Crescente
sobre o Médio Vale do Itajaí
faz com que eu pense
desde a primeira vez que te vi,
A cada instante busco
um novo rimário para trazer
você bem para perto de mim.
Vem
Como florescem os Guarapuvus
eu faço festa para você,
e você dança descalço comigo
no meio do salão,
eu sei que sou eu a dona
do seu coração e obra do destino.
O Martim-pescador-verde
quando sai até parece contigo
sempre que me procura
como amoroso abrigo,
saiba que de nós eu não desisto.
Vem, larga tudo e fique
para contar estrelas comigo,
deixemos o mundo lá fora
e dele permaneçamos longe,
para que não sejamos tábua
de salvação e livres fiquemos
de todo e qualquer compromisso.
