Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Depois de muitos anos eu vejo que lutaria pela vida de qualquer amigo, mas só arriscaria a minha por alguns.
"Eu acho que isso é ilegal, podemos até ser presos", disse a moça preocupada com o que poderia acontecer caso os dois entrassem na fonte que ficava bem no meio da praça da cidade em um frio de 15°.
Cuidadosamente, ela calculava o peso das ações, enquanto ele era completamente desprovido de juízo.
"Amor, nesse momento eu sou a lei. Se não pular, serei o jure, e logo em seguida o executor, porque eu mesmo vou te jogar aí dentro".
Ela gargalhou alto. "Não me desafie", disse ele. Ambos pularam, riram e se beijaram. Cúmplices de um "crime" quase perfeito. Que seria eternamente lembrado graças ao frio que sentiram assim que saíram da água.
Pra mim, escrever é como um cantor que tem a oportunidade de soltar sua voz. Eu solto minhas palavras, e poucas coisas podem ser descritas com tamanho prazer. O conhecimento é sem dúvidas, a elevação do estado humano para um algo mais.
Eu desconfio de qualquer homem que crie a pose de "cara bacana" mas age feito um imbecil com sua parceira. Homens de verdade confiam em si e confiam nelas, porque sabe que confiança é via de mão dupla. Entre duas pessoas, só se recebe aquilo que se dá.
Do amor, veja bem, talvez eu nunca tenha experimentado. O sentimento em si demanda coisas que são incomuns ao alheio. Amor a primeira vista é uma piada. Como pode se amar alguém de quem não sabemos nada? Alguém que nunca vimos. Como pode dizer que ama alguém quando as lágrimas dela não causam dor, e o sorriso trás a mais plena das felicidades? O homem tem apego, paixão. O amor não vem sem correspondência, sem convívios e sem obstáculos. Usamos a palavra "amor" quando qualquer outra já não faz mais sentido, não expressa o real sentimento. "Eu a amo!", e por si só o sentimento se basta.
É desconfortável quando me perguntam: "Mas cara, você é feliz? Você está feliz?"
E eu simplesmente não tenho uma resposta então digo: "Acho que sou."
Amar é ser ferido de morte diariamente. Morre o ego, o individualismo, o "eu".
Amar é reviver diariamente.
Eu abriria mão de todas as homenagens que poderia receber depois da morte por um "eu te amo" realmente sincero em vida. As pessoas esperam demais pelas coisas que não são, até que realmente deixam de ser.
Vivo para dar forma as coisas que são. Aos que me amam, eu os amo. Aos que me querem bem, eu os quero bem também. As coisas que não são, as que não controlo, deixo nas mãos do acaso.
"Na juventude eu vivenciei todas as coisas que eram possíveis. Tive uma uma vida plenamente incomum. Não me apeguei a pessoas, e conheci muitas delas. Meu envolvimento era superficial, como o de muitos homens. O desejo era carne, de satisfazer o momento. Evitando o compromisso, vi minhas paixões conhecerem outros homens e até casarem com eles, terem filhos, netos e serem felizes. Aqueles eram os filhos que nunca faria, e as famílias que não construiria, e os netos que não buscaria nunca na escola. E hoje é tarde demais para lamentar. Uma pena, uma pena."
Quero levar o tipo de vida que no dia em que eu partir, tenha tantas pessoas para se despedirem, e orarem, e agradecerem, que elas se olharão e dirão: "Só ele mesmo para trazer tanta gente."
Não tenho ambições, meu único legado é o que faço por alguém e como serei lembrado por isso.
Talvez, se eu tivesse sido um pouco mais corajoso, teria dito para as pessoas o quanto as amava, o quanto eram importantes. O tempo passou, e os sentimentos delas são banais, superficiais e frios. Uma pena...
Era noite de domingo, e normalmente, como todas as noites do fim de uma semana, eu costumava ligar. Mas em certo momento parei. Parei de fazer o que quase sempre fazia, e de ser quem era. Sabia que para ser novo, tinha que me renovar, e pra isso, mudar as aberrações que haviam entre nós. Era aberrante ser teu, e ainda sim ser só. Era anômalo só o respirar da minha própria insignificância. E eu sabia a todo momento que havia trilhado o caminho que sempre me recusei, e desviei. O sentimento era uma fobia do escuro, e de estar sempre sozinho nele. Das muitas formas de tornar-se um escravo, escolhi a mais brutal, aquela que maltrata a mente como uma corrente de elos invisíveis. Mas a ira de um bom homem pode ter um uso melhor, e resolvi escrever a próprio punho minha carta de alforria. Agora você é alguém no mundo. Nada de especial, ou diferente. Era só mais um rosto entre os milhares que vi e ainda veria, até o derradeiro fim, quando justamente me torna-se pó dessa terra como todos os outros que viriam.
Eu nunca tinha as respostas na hora exata, a menos que estivesse preparado para a pergunta, nunca respondia no mesmo dia. No dia seguinte minha mente descansada sabia tudo que deveria dizer. Então se eu vier a te confundir, se tiver uma dúvida, se isso te incomodar...
Me pergunte amanhã.
Em toda vida eu tive a oportunidade de proporcionar e render grandes momentos, e até felizes, para as pessoas mais importantes pra mim. São coisas as quais eu nunca me arrependo. Mas existe sempre uma falha na equação, e depois de juntar, unir, apoiar tanta gente, no fim de um dia é estranho saber que vai ser sempre eu por eu mesmo.
Eu nunca soube o que as pessoas queriam realmente, nem o que precisavam para se sentirem bem ou feliz. Eu sabia que as queria bem, e simplesmente achava que sabia como fazê-lo. Embora pudesse errar nas decisões, nunca tive más intenções.
E me envolvendo com outras pessoas, eu aumentava todas as noites a vastidão do meu sentimento de vazio completo, e cabendo completamente dentro dele, passava a ser um sentimento completo. Naturalmente, pude salientar meu dissabor, por abandonar minha condição de incompleta tristeza, pra uma tristeza que era absoluta.
Perdi as contas de quantas vezes pensei que morreria.
Mas então raiou o dia
E eu estava de pé outra vez.
Essa manhã eu faltei no café.
Como quem falta a escola, trabalho ou um compromisso do dia.
Falta é o que mais tenho feito, aos outros um pouco menos que a mim mesmo.
As vezes me sinto fino, apagado, desaparecendo aos poucos como a fumaça de um cigarro.
Queria dizer como estou bem, como o sol na janela constantemente me alegra, como as coisas dolorosas não me afetam.
Mas sigo infelizmente muito fiel a verdade, que não me permite compactuar com tantos absurdos.
Escrevo porque quero muito, na quantidade. Escrevo porque quero tanto, na necessidade.
Para que minha existência nunca falte.
