Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando

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O Farol da Subida


​Passo a passo, sem pressa no olhar,
subo a montanha no tempo de Deus.
Há quem diga que dá pra caminhar no escuro,
mas eu preciso da luz para me achar.
​É o Criador quem acende o meu caminho,
quem faz o chão ser firme onde piso.
Se eu subo devagar, não é por cansaço,
é pra admirar a graça de cada espaço.
​Não subo sozinho, não venho do nada,
a luz do Senhor é minha morada.

Onde a Fé Abre o Céu


​O céu das seis horas era um muro denso,
uma tapeçaria de chumbo e chuva
onde a luz já não tinha permissão para entrar.
Mas a alma, quando é tocada pelo invisível,
escuta o som antes da voz.
​Entre o ruído do mundo e a calmaria do louvor,
veio a ordem serena, suave como um sopro:
"Abre a porta. Pede para ver."
​Fui até o quintal da casa,
carregando a pequenez da minha fé
diante de um firmamento fechado e frio.
​E então, o impossível aconteceu sem alarde.
Diante dos meus olhos desacreditados,
a nuvem espessa se desfez como véu rasgado.
Um feixe vivo, um ouro puro e inacreditável,
atravessou a tempestade e entrou na minha sala.
​A luz banhou o chão, acendeu as paredes
e tocou o peito com a força de um abraço divino.
​Mesmo tendo visto, o coração estremece e duvida:
seria o sol abrindo espaço apenas para mim?
Mas a casa iluminada e a alma aquecida não mentem.
Há mistérios que Deus não explica;
Ele apenas escuta, abre o céu e acende a vida.

A Linguagem da Terra


​Foi o Criador quem deu nome
ao barulho do vento nas folhas,
e ensinou a força do olhar
a dizer o que a voz não escolha.
​A poesia não está nos livros,
mas no gesto sem alarde:
um café servido quente,
uma conversa de tarde.
​É a terra que nos ensina
como a gente se aproxima:
uma árvore não tem pressa,
mas na sombra ela se combina.
​A conversa entre as pessoas
é feito raiz no chão:
a gente não vê a força,
mas sustenta a união.
​Sem precisar de grandes teses,
sem mistério exagerado,
o afeto é coisa simples
que se cultiva ao lado.
​Entre um olhar e um abraço,
o sentimento se faz terra:
é a vida criando pontes
onde o silêncio não erra.

​A Fonte e a Origem


​No banho, a água murmura
um segredo que a terra guardou.
É a chuva de tempos antigos
na pele que o céu desenhou.
​Os cabelos descem sem pressa,
como rios de pouca vazão,
guardando o mistério da origem,
da força da primeira criação.
​Ela sabe o caminho das flores,
o momento em que a noite se faz;
traz nos fios a sombra da mata
e no peito um bocado de paz.
​Não é de brilho que se mostra,
é encanto que não se mede:
a mulher que conversa com o tempo
e que a água respeita quando pede.

Obra de Cuidado


​Quando o Criador te pensou,
o mundo parou em silêncio.
Ele juntou a luz da manhã
com o sopro de um amor imenso.
​Esculpiu o teu riso com calma,
misturou a poeira das estrelas,
colocou no teu olhar a clareza
que a gente só vê nas manhãs mais belas.
​Pintou os teus passos na terra
com a cor do sol quando se põe,
trouxe a paz para dentro do peito
e o som de antigas canções.
​Não houve pressa no traço,
nem rascunho deixado para trás:
Ele fez de você um poema
que a vida lê e pede mais.

A Leveza Guardada


​Ela cumpre as tarefas que o dia exige,
conhece as calçadas e o peso do chão,
mas guarda no olhar a janela aberta
onde o mundo ainda tem poesia e canção.
​Não há fuga da vida nem sobra de ontem,
há a escolha bonita de não se endurecer:
gostar da flor singela, da forma suave,
do sopro macio que o vento faz ver.
​O caminho dos anos não toca o mistério
de quem traz a leveza guardada por dentro;
é mulher inteira, dona de seu passo,
que faz da delicadeza o seu centro.
​Aprecia o pequeno sem perder a grandeza,
sabe que a alma não precisa envelhecer:
ser adulta é sustentar o próprio destino,
ser delicada é o modo de viver.

O Templo do Silêncio


​O mundo lá fora exige o horizonte:
a praia aberta, o vento na montanha,
o verde antigo que a fazenda guarda,
a luz que em campos distantes se espanha.
​Mas há um mistério que a chuva ensina
quando cai fria sobre a telha e o chão:
a poesia não pede paisagem,
pede apenas a pausa e o coração.
​Deitada no escuro, o corpo descansa
da lida pesada de mais um dia;
as mãos que cuidam, que erguem e sustentam,
encontram na noite a sua alforria.
​Não é preciso o mar para ser imenso,
nem a altura do monte para ver direito:
o verso mais nobre e mais profundo
nasce do silêncio guardado no peito.

O Mar Interior


​Há quem busque a vastidão das praias
ou o topo das serras para poetizar,
mas a alma que cuida e carrega o mundo
aprende na sombra a se recolher e amar.
​A chuva bate suave na janela,
o frio lá fora convida ao abrigo;
no leito aquecido, a mente se solta
e o tempo da noite se torna amigo.
​Não há pressa, não há cobrança de estrada,
nem a busca por um cenário perfeito:
a beleza mais pura e descansada
é esta que brota deitada no peito.
​As mãos repousam do dever cumprido,
o pensamento voa para onde quer;
no silêncio do quarto renasce a graça,
o verso sereno da própria mulher.
​Essa ideia de acolher o momento presente, exatamente onde você está deitada agora sob o som da chuva, traz uma paz muito bonita para o verso, não traz?

A Vontade e a Raiz


​O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.


​Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.


​E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.


​Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.


​Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
​E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.


​Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.

​Muralhas de Ferro


​Erguem-se altos os muros da estrada,
Pedra usinada pelo tempo e pela dor.
A vida, às vezes, é fortaleza fechada,
Onde a esperança hesita em compor.
​Os portões são de bronze e chumbo pesado,
Com ferrolhos gigantes que ranger nos fazem temor.
E encaramos o fosso, de um lado isolado,
Perguntando se existe passagem ao amor.
​Mas até o castelo de pedra mais dura
Guarda uma fresta por onde entra a luz.
Não há ponte levadiça que dure a amargura,
Nem ferro que vença a coragem que conduz.
​Pois a mão que moldou a pesada tranca
É a mesma que aprende a encontrar a saída.
E a muralha mais alta, por mais que imponha a banca,
Cede ao passo constante de quem vive a vida.

BFé Que Liberta, Rito Que Prende


​Queriam vender o espaço no céu,
Em troca de moedas, de medo e de dor.
Transformaram o sagrado em um pesado véu,
Dizendo que a culpa era prova de amor.
​Apagaram a alma, moldaram o pensar,
Fizeram do dogma uma escura prisão.
Diziam que para o divino alcançar,
Era preciso anular o próprio coração.


​Mas Deus não habita em barganha de templo,
Nem cobra pedágio na porta da luz.
A fé de verdade se mostra no exemplo,
É o amor sem algemas que o homem conduz.


​A fé que constrói traz asas nos pés,
Não força o espírito a se ajoelhar no chão.


Se a religião só traz correntes e viés,
Não vem do divino... é só invenção.


​Pois o Pai da existência não quer servidão,
Quer mentes despertas, o peito altivo.


A fé que é real não vende salvação:
Ela liberta a alma e nos mantém vivos.


​

​. A Religiosidade Que Mata


​A religiosidade virou uma prisão.
Em vez de salvar, ela tem tirado a vida,
Pesa nos ombros, sufoca o coração,
E deixa a alma ferida.


​Deus não habita no julgamento,
Nem no olhar duro de quem se acha puro.
Se a sua religião só produz tormento,
Ela não é luz, é muro.


​A verdadeira fé não mata, ela cura.
Não exige fardo, traz leveza e paz.
Quem ama de verdade não condena a estrutura:


Abraça, acolhe e o bem refaz.
​Mude o passo, abandone a rigidez.
Se a religião não te faz mais humano,
Ela perdeu a razão de ser.

O Veneno do Dogma


​Usam o nome do Sagrado
Para erguer muros, ditar a dor,
Transformaram a graça em tribunal
E esqueceram o som do amor.
​Gente de rosto fechado e bíblia na mão,
Pronta para condenar quem passa,
Adoecendo a si e ao irmão,
Confundindo veneno com graça.
​Mas o Divino não mora na opressão.
Não habita no medo, na culpa, na dor.
Se a sua religião sufoca o seu peito,
Ela é só regra de homem, não é amor.
​Desarme a mente, acolha o mundo,
Seja a leveza que o céu pediu.
A fé real não destrói ninguém:
Ela resgata o que a rigidez feriu.

“Uma ideia só é boa, quando é colocada em prática.”

A Janela e o Silêncio


​A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
​A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
​Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
​Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
​Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.

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🌸 Tesouros na Calçada 🌸
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🎼 Ando pela rua com o olhar atento, 🎼
🐦 Reparo na vida que nasce do chão. 🐦
🌸 Florzinhas miúdas, presente do vento, 🌸
🌹 Nascendo nas pedras do meu calçadão. 🌹
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🍃 Borboletas leves vêm dançar no ar, 🍃
🎼 Chegam tão perto, quase me tocar. 🎼
🐦 Trazem tantas cores pra minha jornada, 🐦
🌸 Enchendo de graça a minha caminhada. 🌸
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🌿 E as asas mais escuras, tom de mistério, 🌿
🍃 Pousam no silêncio do meu caminho. 🍃
🎼 Mostram que a beleza exige um critério: 🎼
🐦 Ver a poesia em cada detalhinho. 🐦
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🌹 Seguro no peito essa doce alegria, 🌹
🌿 De ver o milagre que a rua nos traz. 🌿
🍃 Flor que nasce em pedra se faz poesia, 🍃
🎼 E o voo do encanto me devolve a paz. 🎼
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🌸 Na Paz da Minha Noite 🌸
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🎼 O dia correu leve, o dever foi cumprido, 🎼
🐦 A casa em ordem, o descanso chegou. 🐦
🌸 Na paz da minha noite, o peito acolhido, 🌸
🌹 Agradeço por tudo que o tempo me deu. 🌹
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🍃 Agora é o momento de olhar pra frente, 🍃
🎼 Preparar a mente pro que está por vir. 🎼
🐦 A dignidade financeira vem no tempo certo, 🐦
🌸 Pra dar estrutura pra quem me faz sorrir. 🌸
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🌿 Quero do mundo o que ele tem pra oferecer, 🌿
🍃 Pra repartir com os meus e proteger quem ama. 🍃
🎼 Guardo os meus no alto, em lugar seguro, 🎼
🐦 Onde o mal não alcança e nem se aproxima. 🐦
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🌹 Nenhum inimigo vai ver o nosso canto, 🌹
🌿 Pois Deus é o escudo que nos cobre de luz. 🌿
🍃 O Criador me sustenta e ilumina o rumo, 🍃
🎼 E na graça D'ele, o meu povo segue a salvo. 🎼
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Nem sempre escrevo o que penso; por vezes, é o senso, o dissenso e o consenso.

Meu Pai Terreno


​Você foi a presença e a saudade,
Um enigma difícil de decifrar.
Às vezes lendo a sua alma inteira,
Outras vezes vendo você se distanciar.
​A vida foi curta, o tempo foi pouco,
E as sombras do mundo quiseram levar
O homem que trazia nos olhos um sonho:
O desejo bonito de me ver voar.
​Mas guardo no peito o seu melhor gesto,
A lembrança mais pura que não vai partir:
Suas mãos no meu cabelo, o cuidado no banho,
Arrumando a pequena pra o mundo florir.
​Você queria me mostrar um lugar lindo,
Passear em família, nos dar o melhor,
E mesmo nas lutas que travou sozinho,
Seu amor de pai quis me fazer maior.
​Pai terreno, de marcas e afetos,
Ficou a memória do que foi amor.
O tempo foi breve, mas foi intenso,
E na minha história, o seu cuidado ficou.

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🌸 Luzes na Mão, Luzes na Memória 🌸
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🎼 Na juventude eu ouvia falar, 🎼
🐦 Mas não entendia o mistério da luz. 🐦
🌸 Passava o tempo sem reparar 🌸
🌹 No brilho discreto que a noite produz. 🌹
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🍃 Vi num cinema a fogueira a queimar, 🍃
🎼 Um pote de vidro guardando a magia, 🎼
🐦 Pais e crianças no escuro a olhar 🐦
🌸 Aquela lanterna que o céu acendia. 🌸
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🌿 Hoje guardo uma doce lembrança no olhar, 🌿
🍃 Sei que eles brilham em outro lugar, 🍃
🎼 Lá no sertão, onde a noite é serena, 🎼
🐦 Pela mata adentro, longe da nossa cena. 🐦
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🌹 Fica no peito essa memória afetiva, 🌹
🌿 De ver na natureza essa chama viva. 🌿
🍃 Um agradecimento por cada ponto a piscar, 🍃
🎼 Guardando essa poesia que o tempo nos dá. 🎼
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