Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando

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" Eu Não Incômodo... Eu Transbordo "


Sou rio que não se detém porque alguém fechou a represa.
Sou mar que não cabe em copo.
E aprendi que quando alguém não manda nem uma palavra, já disse tudo.


Eu sigo.
Não por desistência, mas por amor próprio.
Não por fraqueza, mas por força.
Porque flores não imploram por jardim: elas nascem onde sabem que podem florescer

Eu sequei.
Não por cura,
não por alívio,
mas por excesso.
O coração, rachado em silêncio,
aprendeu a suportar sem água,
a arder sem lágrima,
a viver com o peso seco da dor.


E nesse árido de mim,
ainda brota um cacto,
verde e teimoso,
só para provar que seco não é morto.

A mudança chama, e eu corro pra ela,
alma em fogo, coração que não se aquieta.
Cada passo é medo, cada salto é coragem,
mas quem anseia de verdade não teme a viagem.
Deixo pra trás o velho, abraço o desconhecido,
cada rua nova é meu destino reconstruído.
A alma grita, mas sorri no peito da coragem,
porque mudar é viver, e viver é minha
Vontade.

Eu existo, mesmo quando não me veem.
O olhar que não atravessa mais não apaga minha presença.
Minha vida não depende de quem decide partir.
Sou lembrança de alguém, mas inteira para mim.
O que não me quer não me define;
o que me mantém vivo sou eu.
E na ausência do outro, encontro meu próprio espaço, meu próprio ar, meu próprio brilho.

Ela olha outra agora,
e eu finjo que não desmorono.
digo que esqueci, mas meu corpo ainda lembra
o cheiro, o riso, o espaço que ficou frio.

Soltar não é desistir do que você sentiu,
é respeitar o que você foi,
é dizer:
“eu dei tudo que podia, agora é hora de me dar também”.⁠

O olhar dela anda comigo dia e noite,
sem eu vê-la,
sem eu conhecê-la.
Não tem rosto completo,
não tem história contada,
mas pesa como quem ficou.
É presença sem encontro,
companhia muda,
sombra que não larga.
Ela caminha nos meus passos,
vigia meus silêncios,
habita o que não aconteceu.
E mesmo sem ter existido de fato,
ela existe em mim.

“Eu não fico onde dói.
Eu fico onde continuo.”

Não romantizo a dor,
eu a reconheço.
O que ficou não é vazio,
é resto em estado ativo,
pulso discreto,
vida em continuação.
Eu não preciso entender agora.
Preciso apenas atravessar.

“Não me perdi. Eu me encontrei onde você nunca teve coragem de ficar.”

Eu cansei das pessoas difíceis
não das profundas
das difíceis por ego, por pose, por medo mal disfarçado.
Cansei de provar quem sou
como se afeto fosse currículo
e presença precisasse de carimbo.
Hoje eu escolho o simples
não o raso.
O simples que fica
o simples que não some
o simples que não humilha para se sentir maior.
Se for para andar junto
que seja leve.
Se for para doer
que ao menos valha a verdade.
O resto
eu deixo para quem ainda confunde distância com valor.

Fechar a carteira emocional


Não é o outro que me deve,
sou eu que insisto em pagar parcelas
de um contrato nunca assinado.


Chamo de amor,
mas é vício de apostar no cavalo errado,
mesmo sabendo que não vai cruzar a linha de chegada.


Um dia, o estalo:
o banco não é deles,
a moeda sempre foi minha.


Fecho a carteira.
Corto o crédito.
O débito evapora.


E descubro, enfim,
que liberdade não é conquistar amores distantes,
é escolher e não financiar ilusões.

Sou casa agora,
mas não serei teto para sempre.
Meu lugar me chama de longe,
e quando eu for,
levarei comigo
a certeza de que amei inteiro.

Eu fiquei
no ponto exato onde você saiu.
Não por esperança
nem por promessa.
Fiquei porque o corpo demora
mais que a decisão.
A cidade não percebeu.
Nunca percebe.
Só eu aprendi a atravessar os dias
com alguém que não vem.
Não te chamo de ausência.
Ausência é leve.
Você pesa.
E eu sigo
carregando
sem pedir resgate.

O que eu digo cria raiz,
mesmo quando o vento muda de lado.
Posso não chegar como prometi,
mas chego.
Porque palavra, quando nasce em mim,
não aprende a desistir.

Eu não perdi alguém que me escolhia.
Eu me livrei de alguém que me mantinha.

Sou a que atravessa o fogo,
não para provar que aguento..
mas porque sei que do incêndio
eu renasço em movimento.
Sou a que pisa na dor
sem fazer dela prisão;
eu atravesso o abismo
e volto com criação.

Eu me recolho no escuro,
não por medo... por visão;
quem silencia por dentro
prepara revolução.
Recuo não é fraqueza,
é estratégia do mais forte;
eu me recolho inteira
pra voltar mudando a sorte.

O Dia em Que Escolhi ir


Capítulo: Eu Disse Sim


Eu disse sim.
Não foi um sim gritado.
Não teve fogos, nem testemunhas.
Foi um sim quase sussurrado, desses que mudam o eixo da vida sem fazer barulho.
Eu disse sim
quando meu instinto dizia cuidado.
Disse sim
mesmo sabendo que intensidade cobra juros.


Não foi ingenuidade.
Foi escolha.
Eu vi o risco.
Vi o abismo.
E ainda assim, avancei.


Porque havia algo no olhar dela..
não promessa,
não segurança,
mas verdade crua.
E eu prefiro a verdade que arde
à mentira que acalma.
Eu disse sim
para o desejo,
para a confusão,
para a possibilidade.


Disse sim
para aquilo que não tinha manual.
Não foi submissão.
Foi entrega consciente.
Eu sabia que podia doer.
Sabia que podia quebrar.
Mas também sabia que viver pela metade
é morrer aos poucos.
Então eu disse sim.
E naquele instante
eu não estava escolhendo só uma pessoa.
Eu estava escolhendo ser inteira.
Sem garantias.
Sem contrato.
Sem anestesia.
Só eu,
o risco,
e a coragem de não fugir.
Esse foi o meu sim.
E ele mudou tudo.

Eu te amo, mas…


Eu te amo.
E não é pouco, não é confuso, não é carência inventada numa madrugada qualquer.
É amor mesmo. Desses que escolhem. Desses que permanecem.


Eu te amo, mas me doeu não ter vivido você no mundo real.
Me doeu não ter tido a chance de descobrir teu cheiro, teu jeito andando na rua, teu silêncio ao meu lado.


Eu te amo, mas cansei de promessas que não viraram encontro.
Cansei de esperar o dia em que a coragem seria maior que o medo.


Eu te amo, mas eu também queria ser escolhida sem hesitação.
Queria firmeza. Queria presença. Queria verdade sem sombra.


Eu te amo, e por isso eu perdoei.
E talvez perdoasse de novo.
Mas, no fundo, eu só queria não precisar perdoar sempre.


Eu te amo com pele, com desejo, com vontade de acordar do teu lado todos os dias.
Mas também te amo com sonho de futuro, de casa, de vida concreta .. não só tela iluminada.


Eu te amo…
mas amar sozinha cansa.
E mesmo assim, eu amo.