Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando

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Eu não comecei pela filosofia.
Eu cheguei nela por insistência.
Insistência em entender por que certas ideias organizam o mundo e, ao mesmo tempo, machucam as pessoas. Insistência em perceber que nem todo conhecimento liberta — alguns apenas sofisticam a violência. Insistência em não aceitar respostas prontas, principalmente quando elas vêm embrulhadas em moral, salvação ou promessa.
Quando olho para trás, vejo um caminho estranho, não linear, mas coerente.
Começa com Sócrates.
Ele diz que nada sabe, mas inaugura um tipo de saber que desautoriza todos os outros. Tudo passa a ter que ser explicado pela razão. O mito vira erro. O sofrimento vira falha de compreensão. A vida passa a precisar fazer sentido para ser aceitável. Ali, algo se perde: o simbólico, o trágico, o que não se resolve.
Platão organiza esse erro. Cria um outro mundo, perfeito, verdadeiro, e rebaixa este aqui a rascunho. O corpo vira suspeito. A vida concreta vira insuficiente. A salvação é sempre fora, depois, acima. A singularidade já não importa tanto quanto a ideia.
Quando chego a Nietzsche, algo finalmente quebra. Ele não quer consertar o mundo, não quer substituir um Deus por outro, não quer fundar um novo ideal. Ele apenas desmonta a mentira e vai embora. Não promete nada. Não consola. Diz, em essência: a vida é isso — e agora aguenta. É duro, mas é honesto. E pela primeira vez não me sinto sendo conduzida.
Marx aparece com uma denúncia importante: a desigualdade, a exploração, o sofrimento material. Mas comete, para mim, o mesmo erro de Sócrates. Acredita demais na própria teoria. Acha que descobriu a causa última e que, a partir disso, o mundo pode ser reorganizado. Troca Deus por História, fé por sistema, salvação por revolução. Quando essa filosofia sai da estante e vira prática, vira também morte, imposição, gente reduzida a meio. Talvez o erro não tenha sido pensar — mas aplicar como verdade final.
Depois vem Foucault. Ele explica com precisão como funcionam os dispositivos de poder, os ambientes de privação de liberdade, a autoridade travestida de cuidado. A obra é brilhante. Mas algo me incomoda profundamente: ele ganha status falando sobre o cárcere, enquanto quem viveu o cárcere permanece invisível. Pior — o sistema aprende a linguagem da crítica, se apropria dela, e continua violentando de forma mais sofisticada, mais limpa, mais aceitável. A tortura não acaba. Ela se educa.
É aí que algo se esclarece para mim:
o conhecimento não é neutro.
Ele pode abrir horizontes, sim — mas também pode reforçar estruturas injustas, legitimar desigualdades e camuflar violência.
Eu sei disso não por teoria.
Eu sei disso no corpo.
Privação de liberdade não é conceito.
É porta fechando.
É decisão retirada.
É palavra desautorizada “para o seu bem”.
É cuidado que dói.
É tortura institucional que depois ganha nome bonito.
Quando alguém que nunca viveu isso fala com autoridade, é celebrado.
Quando quem viveu tenta falar, é silenciado, patologizado, desacreditado.
Isso me ensinou algo fundamental: há saberes que não cabem na teoria. Há verdades que não se transformam em conceito sem perda. E há experiências que, quando viram objeto de estudo, já foram traídas.
A tragédia grega me ajudou a entender isso melhor do que qualquer sistema filosófico posterior. Na tragédia, o sofrimento não tem moral da história. Não há redenção. Não há aprendizado edificante. Em Édipo Rei, tudo acontece, o horror se revela, e nada melhora. Ainda assim, há catarse. Não porque a dor é resolvida, mas porque ela deixa de ser solitária. O sofrimento não vira culpa individual. Ele vira condição humana compartilhada.
A tragédia não diz que a vida vale a pena.
Ela diz que a vida não precisa valer a pena para existir.
E isso, estranhamente, alivia.
No fim desse percurso, eu não virei filósofa acadêmica, nem teóloga, nem militante de nenhuma verdade. Eu virei alguém com anticorpos. Anticorpos contra mentira elegante, contra promessa de salvação, contra sistemas que dizem saber demais sobre a vida dos outros.
Eu pensei o dia inteiro. Questionei Sócrates, Platão, Nietzsche, Marx, Foucault. Atravessei filosofia, cristianismo, tragédia, poder, sofrimento. Meus neurônios pediram demissão. Ficaram só dois — Tico e Teco — repetindo: aguenta.
E valeu a pena.
Não porque encontrei respostas, mas porque alcancei clareza. Uma clareza sem conforto, sem missão, sem necessidade de contar para ninguém. Porque nem toda descoberta quer plateia. Algumas só reorganizam silenciosamente a forma como a gente vive, lê, escuta e não se deixa enganar.
Eu não vou sair por aí explicando isso.
Não por medo.
Por discernimento.
Nem todo mundo quer atravessar esse tipo de pensamento. E tudo bem. Eu atravessei. Isso basta.


Monalisa Ogliari

Manifesto por uma Humanidade Melhor
Se eu tivesse o poder de Deus, eu não criaria um mundo baseado no medo, na competição ou na ganância.
Eu criaria uma humanidade mais honesta, mais consciente e mais comprometida com o bem coletivo.
Acredito que o ser humano não precisa destruir para ter.
A destruição nasce do ego, não da necessidade.
O planeta oferece o suficiente para todos — o que falta é consciência, empatia e responsabilidade.
Criaria seres humanos que entendessem que o futuro importa, que a próxima geração não é um detalhe, mas a continuidade da própria vida. Pessoas que pensassem antes de agir, sabendo que cada escolha de hoje constrói — ou destrói — o amanhã.
Uniria todas as nações, não apagando culturas, religiões ou identidades, mas ensinando que nenhuma diferença justifica a desigualdade.
Raça, cor, religião ou nacionalidade jamais seriam motivo de separação, ódio ou dominação.
Seriam apenas expressões da riqueza humana.
O conhecimento não seria arma de poder, mas herança coletiva.
Tudo o que fosse descoberto serviria para curar, ensinar, proteger e evoluir a humanidade como um todo.
Compartilhar saber seria um dever moral, não uma ameaça econômica.
Neste mundo, ninguém cresceria às custas do outro.
A lógica não seria vencer, mas crescer juntos.
Não competir para excluir, mas cooperar para elevar todos ao mesmo nível de dignidade.
A educação formaria seres humanos mais éticos do que ambiciosos, mais empáticos do que egoístas, mais conscientes do que consumistas. Pessoas ensinadas a ajudar não por obrigação, mas por compreensão.
Porque quando o ser humano entende que o outro é parte de si, a corrupção perde sentido, a violência perde força e a ganância deixa de ser virtude.
Esse mundo não seria perfeito — mas seria justo.
Não seria isento de desafios — mas seria humano.
Talvez não seja preciso ser Deus para criar esse mundo.
Talvez baste que mais pessoas escolham pensar, agir e viver dessa forma.
E é assim que acredito que a humanidade pode, finalmente, evoluir.

⁠"Se um dia eu lhe disser "amo-te", sinta-se um REI, mas não o rei Salomão que teve 700 esposas e 300 concubinas, porque se assim for, serei pra ti uma lenda, uma rainha de Sabá a qual seduziu e foi seduzida. Depois abduzida pela história e não deixou qualquer vestígio arqueológico do seu fim".

⁠Eu não invejo a vida social dos outros, mas dói saber que eu troquei pertencimento por sobrevivência psíquica, profundidade por solidão e aceleração por cicatriz, e que agora o preço disso é recomeçar vínculos num mundo que já desistiu de vínculos.

Se você não enfrenta batalhas espirituais, lamento ser eu a te informar, você não está caminhando com Cristo. Quem não representa ameaça ao inferno, possivelmente está associado a ele. A unção atraí a perseguição. O chamado incomoda a oposição. E se o propósito não demanda dependência total de Deus, ele é só seu!

eu não me comprometo ao lembrar dessas nossas brigas,
choro encharcando o teu ombro, passando a mão pelo teu cabelo
que antes desenhava minha mão como um fio de água que molhava meu corpo inteiro,
escorrendo da mão até a ponta dos dedos do pé.
hoje, essa água me afoga e destrói cada espaço dessa casa que já existiu você.

o sol não te quer mais que eu,
ele brilha na tua pele granulada de areia
mas em mim, ele incendeia.
entre suas curvas, um instigante papo de sereia.

pôr do sol, sua pele brilha como ouro
e eu não sou de esconder um tesouro,
pois chegar até ele era como se fosse atingido por um pelouro:
entrando dentro de você como um estouro.
na sua cama deixei de ser calouro.

tá doendo tanto,
que você nem consegueria imaginar
o tanto que eu te amava,
por mais que não dê pra contar
as tantas vezes que eu te falava.

⁠Não é que eu esteja vazia. Muito pelo contrário.
Percebo todos os sentimentos pulsando dentro de mim, conheço o potencial de cada um deles. Sei o quanto são avassaladores, quer sejam levados ao extremo do prazer ou do sofrimento. Queimam tudo ao redor enquanto se consomem.
Sinto como se eu, de alguma forma, tivesse tido a oportunidade de devolver todos os bens e os males para a caixa de Pandora e a guardasse no peito.
Então, aqui, envolta por uma serenidade inebriante, me lembro da relíquia que carrego e da responsabilidade de liberar essas energias devastadoras, cuja força é perceptível em cada batimento cardíaco.
Consciente de suas consequências, pondero qual emoção experimentar, analisando antes de qualquer ação, sendo capaz de manter todos sob controle, apesar de constantemente tentarem escapar.
Sigo tranquila enquanto a sensatez durar.

Quando eu não estou bem com você fico mal o dia todo.

Dizem que a fé move montanhas.
E eu acredito que sim.
Mas o Criador, com todo o Seu poder,
não moverá um dedo
onde você mesmo pode agir.
Não se apavore se nem tudo o que deseja acontece.
Isso também é resposta.
E ela é simples:
o Criador não é teu empregado
para atender vontades na hora que queres.
No fim das contas,
o servo é você.

⁠Se não fosse o cuidado e o direcionamento de Deus, eu já mais teria suportado as armadilhas do homem mau

Não adianta você me culpar, me chamar de louca. Eu sei que o erro foi seu. Você pode negar quantas vezes quiser, mas você foi, sim, o responsável pelo término do nosso relacionamento. Eu me esforcei por nós dois, mas você escolheu jogar fora toda a nossa história. Azar o seu. Então só me resta dizer adeus.

Os olhos daquele que eu insulto já não sei mais de que cor são (...) já não vivemos entre seres humanos, mas num mundo de silhuetas.

Albert Camus
Testemunha da liberdade (1948). In: Conferências e discursos. Rio de Janeiro: Record, 2023.

Eu almejo
Mas não ajo


Eu amo
Mas não exijo


Eu fico aqui
Fingindo que não dói
Fingindo que não sinto
Como se o vazio não falasse comigo


Lembrando do que nunca aconteceu
Esperando o que nunca existiu

Não é que eu queria voltar no tempo, é que meu coração ainda não saiu de lá.

Abandonaram quem eu era...O que não sabiam é que eu ainda estava me construindo.

⁠Existe uma expressão que eu particularmente não gosto muito que é a seguinte:
Porque tal pessoa só porque fez muita besteira na vida é um Zé Ninguém.
Pois saiba que todos nós já fomos um ninguém em algum momento de nossas vidas. Não importa quem você é, e sim, em quem você pode se tornar!!!

Mesmo se o céu fechar, eu não me rendo
O teu abraço é o meu firmamento
Teu riso acende o que em mim adormeceu
E todo medo se perdeu - Frase da música Enquanto For Verão do dj gato amarelo